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Alta do dólar tem “trégua” com sinal de inflação fraca nos EUA

SÃO PAULO  –  A alta do dólar tem um dia de “trégua” no início da tarde desta sexta-feira (11). Depois de subir em quatro das últimas cinco sessões, a moeda americana se ajusta com viés de baixa ante o real. A tensão geopolítica entre Estados Unidos e Coreia do Norte ainda pesa no ambiente de negócios, assim como as incertezas em torno da situação fiscal no Brasil. No entanto, os agentes financeiros encontram em novos sinais da fraca inflação americana a oportunidade para calibrar suas posições, embora sigam pautados pela cautela.

“O dólar deve operar entre R$ 3,15 e R$ 3,20 no curto prazo”, estima o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. A avaliação do profissional é de que a instabilidade geopolítica é algo que se arrasta ao longo dos dias, “com momentos de amenização e outros de piora, mas não se dissipa totalmente”, diz.

Nesta sexta-feira, a ofensiva verbal do presidente americano, Donald Trump, contra a Coreia do Norte ganha mais uma edição. O republicano usou a expressão “locked and loaded”, em que tradução direta significa estar com “a arma engatilhada”, para dizer que os EUA estão prontos para retaliar militarmente o regime de Pyongyang.

Desta vez, entretanto, a retórica teve reação mais contida, uma vez que a troca de farpas já acumula alguns dias. O dólar perde terreno ante grande parte das divisas emergentes e moedas ligadas a commodities, alguns os principais afetados pelos movimentos recentes de aversão ao risco. Esses papéis são justamente os destaques de valorização da sessão: o peso mexicano lidera os melhores desempenhos do dia com ganho de 0,70%, seguido pelo peso colombiano (+0,60%) e o dólar da Nova Zelândia (+0,50%).

O movimento das divisas globais é atribuído à resposta ao índice preços ao consumidor dos EUA (CPI), que subiu 0,1% em julho. O resultado ficou aquém do consenso, assim como o núcleo do indicador. Com isso, a inflação não parece justificar um aperto monetário mais duro nos Estados Unidos. A leitura majoritária é de que uma nova elevação de juros só deve ser tomada em 2018, tendo em vista que o mercado de renda fixa americano precifica cerca de 45% de chance de que a decisão possa ser feita ainda em 2017.

Por aqui, ainda são aguardadas novas iniciativas do governo para as contas públicas. A revisão de metas fiscais de 2017 e 2018 é algo que os mercados vem antecipando, com algum receio e prêmio adicional. Mas as dúvidas persistem sobre o tamanho do rombo adicional, as justificativas do governo e outras as medidas que devem acompanhar a decisão.

Por volta das 13h50, o dólar comercial operava em queda de 0,45%, a R$ 3,1610. O contrato futuro para setembro, por sua vez, cai 0,41%, a R$ 3,1755.

Juros

Os juros futuros operam em queda nesta sexta-feira, com alguma descompressão nos prêmios de risco. O movimento na renda fixa acompanha a valorização, ainda que moderada, do câmbio, num dia de “trégua” na aversão ao risco geopolítico. Apesar dos ajustes, as taxas terminam a semana em níveis mais elevados do que começaram, assim como o prêmio embutido na diferença entre taxas mais longas e mais curtas.

Ainda são aguardadas as novas iniciativas do governo para a ajustar as contas públicas. A revisão de metas fiscais de 2017 e 2018 é algo que os mercados vem antecipando, com cautela, nos preços. Mas persistem as incertezas sobre o tamanho do rombo adicional, as justificativas do governo e outras as medidas que devem acompanhar a decisão.

Para o operador de renda fixa de uma corretora, a projeção de um déficit fiscal em 2018 superior à meta de 2017 pode significar mais desconforto nos mercados. “Não se trata só de números, mas quando se fala de déficit de R$ 160 bilhões ou mais é preciso colocar no preço (dos ativos)”, diz. “E isso tudo está ocorrendo sem o avanço concreto da reforma da Previdência”, diz.

Por volta das 13h50, o DI janeiro/2021 recua a 9,360% (9,430% no ajuste anterior). Ainda entre os vértices intermediários, o DI janeiro/2018 cai a 8,165% (8,180% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 recua a 8,070% (8,100% no ajuste anterior).

Bolsa

A leve recuperação das bolsas americanas deu o tom ao comportamento do Ibovespa nesta manhã, em um dia em que agentes buscam digerir e ajustar os preços das ações aos balanços de peso divulgados entre ontem e hoje.

Às 13h54 o Ibovespa subia 0,48% para 67.311 pontos.

Foi o resultado do CPI, levemente abaixo do esperado, que provocou a reação das bolsas dos Estados Unidos. O dado corrobora a tese de que não virá um novo aumento de juros por lá tão cedo, o que é uma boa notícia para as bolsas.

Essa recuperação acontece após dois dias de quedas expressivas das bolsas – em Wall Street e também na Bovespa. Mas a cautela provocada pela tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte não deve sumir completamente do radar.

A divulgação dos balanços hoje também teve forte impacto sobre as ações. Um dos destaques é Petrobras. A ação ON da petroleira recuava 1,62%. Segundo o diretor de investimentos da Franklin Templeton, Frederico Sampaio, uma boa notícia sobre Petrobras foi a queda da alavancagem. Mas o lucro muito abaixo do esperado confirma que a recuperação da empresa ocorre mais lentamente do que o previsto, o que justifica a queda do preço da ação.

Outros destaques do dia foram BRF (+4,79%), que mostrou prejuízo líquido de R$ 167 milhões, mas apontou boas perspectivas para a companhia durante a teleconferência; Kroton (+5%), com crescimento de 5,3% do lucro líquido para R$ 547,15 milhões; e Copel (3,76%), que apresentou um resultado melhor do que o esperado por analistas e informou que desistiu do processo de emissão de ações.

A maior alta do horário era a da JBS (+5,03%) e a maior queda era a da Cemig (-4,51%).

Fonte: Valor Econômico

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