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Bolsa avança e dólar sai abaixo de R$ 3,13, com debate fiscal no foco

SÃO PAULO  –  Depois de uma abertura hesitante, o Ibovespa definiu uma trajetória de alta e consolidou-se acima do nível de 68 mil pontos, o que não acontecia desde 17 de maio. Desta vez, são as ações de banco os destaques do dia.

Perto das 14 horas, o Ibovespa ganhava 0,61%, somando 68.353 pontos. Bradesco PN subia 2,04% e Bradesco ON ganhava 2,24%. Itaú Unibanco aumentava 1,55% e Banco do Brasil tinha elevação de 1,66%. Vale PNA, contudo perdia 0,23%.

Logo na abertura, a bolsa chegou a ensaiar uma realização de lucros, devolvendo parte dos fortes ganhos de ontem, quando a alta do minério de ferro fez papéis da Vale e siderúrgicas dispararem. Mas, embora algumas dessas ações tenham mantido o ajuste hoje, ações mais ligadas a consumo e ao setor financeiro passaram a subir fortemente, deixando para trás o sinal negativo.

Esse comportamento da bolsa, segundo analistas, é reflexo do ambiente global ainda favorável ao risco, que resulta em fluxo firme para ativos emergentes, no Brasil e no exterior. E também da leitura que, ainda que, de forma gradual, há uma recuperação da economia. Muitos balanços divulgados na safra relativa ao segundo trimestre têm confirmado isso. Um excelente termômetro é a queda da inadimplência, o que aponta para uma melhora do canal do crédito e, consequentemente, para um crescimento mais consistente em 2018.

Câmbio

O dólar opera em ligeira alta ante o real nesta terça-feira. Ao longo da manhã, a divisa americana ganhou força nos principais mercados internacionais, dando sustentação ao movimento no Brasil. No entanto, o efeito foi mais limitado entre os emergentes, o que acabou gerando alguma diferença entre o real e seus pares. O debate sobre a situação fiscal do país permeia os negócios nos mercados financeiros, mas não provoca grande variação nos preços dos ativos.

Por volta das 14 horas, o dólar comercial tinha aumento de 0,03%, cotado a R$ 3,1261. Já o contrato futuro para setembro cedia 0,03%, a R$ 3,14. 

Mesmo após o aumento de impostos sobre combustíveis, há relatos de que o governo segue buscando alternativas para melhorar a arrecadação principalmente diante das dificuldades encontradas nas fontes extraordinárias de receita. O risco de uma revisão da meta fiscal de 2017, atualmente de déficit primário de R$ 139 bilhões, também é monitorado pelos agentes financeiros, embora já esteja contabilizado em alguns dos cenários.

Juros

O debate sobre a situação fiscal no país contribui para o viés de alta nos juros futuros, principalmente de prazos mais longos. A leitura de parte dos especialistas é de que, enquanto se aguardam novidades concretas nesse fronte, há recomposição de níveis após forte movimento de despressurização nas taxas. Por outro lado, as dificuldades do governo para aumentar a arrecadação e os riscos de alteração da meta fiscal não parecem ser motivo de alarmismo entre os investidores, pelo menos por ora.

Por volta das 14 horas, o DI janeiro/2021 marcava 9,240% (9,220% no ajuste anterior).

Entre vencimentos um pouco mais curtos, o DI janeiro/2018 marcava 8,185% (8,190% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 estava em 8,030%, estável.

Os agentes financeiros avaliam ainda o resultado do IGP-DI de julho, que caiu 0,30%. O recuo foi menor que o esperado por algumas grandes instituições, de baixa de cerca de 0,40%. Agora, agentes financeiros aguardam os números do IPCA, na quarta-feira, que têm peso maior nas apostas para política monetária.

Fonte: Valor Econômico

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