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Bolsa cai e dólar sai na casa de R$ 3,18; cena externa merece atenção

SÃO PAULO  –  Em mais um dia de correção, o Ibovespa se volta para o mercado internacional e passa a refletir um ajuste de posição de investidores, que observam eventos nos Estados Unidos para realocar investimentos. Analistas continuam sustentando, porém, que a tendência do mercado brasileiro não mudou e que realizações de lucros continuam sendo naturais.

Os agentes também observam de perto os desdobramentos na frente política nacional, que se tornam cada vez mais relevantes em um momento que o mercado carece de novo impulso para voltar ao ritmo positivo.

Às 13h46, o Ibovespa tinha queda de 0,53%, aos 73.409 pontos, depois de registrar mínima intradia de 73.277 pontos. O índice chegou a tocar os 74.011 pontos, tentando retomar o patamar de 74 mil pontos, mas voltou a ceder com mais força no início da tarde.

Entre as principais quedas, estavam Usiminas PNA (-3,89%), CSN (-2,80%), Gerdau Metalúrgica (-1,92%) e Gerdau PN (1,97%). Vale ON declinava 1,25%.

No campo positivo, entre as maiores altas, estavam Fibria (+5,49%) e Suzano PNA (+2,13). A Fibria opera no destaque não só do Ibovespa, mas entre os maiores ganhos de toda a bolsa de valores, com forte volume.

Câmbio

O dólar devolveu uma parte da alta observada no dia anterior, mas ainda assim continua acumulando ganho na semana, acompanhando o movimento global de correção da moeda americana. Segundo analistas, embora haja algumas incertezas na cena política, ainda é o exterior o elemento a determinar a dinâmica do câmbio, o que significa que a desvalorização do real não deve ser vista ainda como uma mudança de tendência.

Às 13h50, o dólar caía 0,33%, para R$ 3,1833, depois de tocar a máxima de R$ 3,1998 e mínima de R$ 3,1817.

Segundo define o gestor de um fundo paulista, os ativos globais estão passando por um processo de reprecificação, baseado na visão de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) deve voltar a subir os juros em dezembro e voltar a elevar no próximo ano. E esse movimento pega o Brasil num momento em que os mercados já haviam “andado muito”. No último mês, o dólar vinha desafiando o nível de R$ 3,10, enquanto os juros futuros cederam e a bolsa disparou para níveis recordes. “É natural que haja uma correção forte dos preços”, explica.

Juros

Os juros futuros oscilaram ao redor do nível do ajuste do dia anterior durante toda a sessão, numa clara demonstração de que faltam argumentos consistentes que definam a direção do mercado. De um lado, analistas acreditam que o ambiente brasileiro ainda é positivo e justificaria a continuidade da queda das taxas, inclusive das mais longas, onde o prêmio de risco ainda é elevado. Mas a correção do dólar e a falta de novidades positivas no noticiário doméstico brasileiro limita esses movimentos.

A curva de juros já embute uma elevada probabilidade da taxa Selic cair para perto de 7% e permanecer nesse nível por um período prolongado.

Para os juros mais longos, o mercado deve manter alguma cautela para reforçar posições vendidas até que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer esteja na pauta, com chance de atrapalhar o avanço da agenda de reformas. Ainda que o mercado não tenha nos preços qualquer reforma da Previdência, agentes esperam por avanços em medidas microeconômicas e por mais notícias que corroborem a visão crescente de que a melhora do ambiente econômico dê força a um candidato reformista em 2018.

Às 13h52, o DI janeiro/2019 tinha taxa de 7,320%, estável ante o ajuste do dia anterior. O DI janeiro/2021 era negociado a 8,870%, ante 8,840%. E DI janeiro/2023 tinha taxa de 9,580%, ante 9,560% ontem.

Fonte: Valor Econômico

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