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Bolsas de NY caem com escalada de ameaças entre EUA e Coreia

SÃO PAULO  –  As provocações entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte se intensificaram nesta quinta-feira (10), apesar da torcida pelo recuo de um dos lados. Com o crescente perigo de a guerra verbal sair das palavras para a ação, os investidores ampliaram a busca por proteção.

O mais recente capítulo no jogo de ameaças entre as nações veio do presidente americano Donald Trump. O republicano chegou a afirmar: “Veremos o que é pior do que ‘fogo e fúria’ contra Coreia do Norte”.

Como as declarações de Trump ocorreram perto do fechamento das bolsas de Nova York, os principais índices terminaram a sessão quase nas mínimas do dia. Após ajustes, o Dow Jones fechou em baixa de 0,93%, a 21.844,01 pontos, com a perda do piso psicológico dos 22 mil pontos. O S&P 500 recuou 1,45%, a 2.438,21 pontos. O Nasdaq cedeu 2,13%, a 6.216,87 pontos.

No S&P 500, apenas o setor de serviços públicos, considerado defensivo, terminou no positivo entre os 11 subíndices. As perdas se espalharam de modo uniforme, com sete grupos em quedas de mais de 1%: tecnologia (-1,93%), instituições financeiras (-1,70%), consumo discricionário (-1,47%), indústrias (-1,28%), saúde (-1,18%), matérias-primas (-1,17%) e energia (-1,03%).

No Dow Jones, apenas três papéis, McDonald’s, Coca-Cola e IBM, conseguiram se manter no positivo entre os 30 componentes. As maiores quedas pertenceram a Apple, Goldman Sachs e Cisco de, respectivamente, 3,22%, 2,39% e 1,96%. Quase metade da lista do índice de “blue chips”, 14 ações tiveram quedas acima de 1%.

O tombo de hoje começou na noite de quarta-feira (9), quando um porta-voz militar da Coreia do Norte anunciou na televisão estatal detalhes de um plano para “cercar [a base americana em Guam] em um envelope de fogo”.

Segundo o general norte-coreano, o planejamento prevê o lançamento de quatro mísseis Hwason-12 no mar, cerca de 40 quilômetros de distância da ilha da Micronésia, um território que abriga uma importante instalação militar dos EUA. Antes de chegar a Guam, os mísseis passariam sobre a cidade de Hiroshima, no Japão.

Nesta quinta-feira, o presidente americano Donald Trump voltou a vociferar contra a Coreia do Norte. O republicano afirmou que “talvez não tenha sido duro o suficiente”, em uma referência às declarações da terça-feira, quando alertou que o país asiático enfrentará “fogo e fúria como o mundo jamais viu”, caso não cesse as provocações.

Trump acrescentou que, se a Coreia do Norte “fizer qualquer coisa ou mesmo pensar sobre” atacar os EUA ou um aliado, “coisas que eles nunca pensaram ser possíveis vão acontecer”.

O CBOE Volatility Index, ou VIX, considerado a métrica do medo em Wall Street, já havia atingido um pico de 30% antes das declarações de Trump. Após as novas ameaças do presidente americano, retomou a alta e fechou com avanço de 44,37%, a 16,04. O indicador voltou para o maior patamar de volatilidade em mais de dois meses.

“Se olharmos para os setores, houve um movimento disseminado de vendas”, afirmou Paul Springmeyer, diretor de investimentos do U.S. Bank’s Private Client Reserve. “O noticiário está preocupando a todos… Acho que tem ocorrido um retrocesso sustentado pela cautela”, acrescentou.

Na visão de Phil Blancato, CEO da Ladenburg Thalmann Asset Management, “as pessoas optaram por realizar lucros” diante da situação com a Coreia do Norte. Segundo o analista, trata-se de um movimento natural diante dos riscos que têm pairado sobre os mercados e em meio ao menor volume de negócios durante as férias de verão no hemisfério norte.

Os dados macroeconômicos divulgados hoje nos EUA também inspiraram cautela. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) apontou uma queda inesperada de 0,1% em julho. Economistas consultados por “The Wall Street Journal” esperavam uma alta de 0,2% no mês.

Amanhã, serão conhecidos os resultados do índice de preços ao consumidor dos EUA (CPI, na sigla em inglês) de julho. Os números do PPI apontaram para nova leitura de fraqueza do crescimento da inflação.

Fonte: Valor Econômico

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