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Bolsas de NY fecham em queda diante de tensões geopolíticas

SÃO PAULO  –  A troca de empurrões verbais ocorrida durante a terça-feira (8) entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte manteve os mercados em modo de cautela nesta quarta (9). A busca por proteção levou as bolsas globais a terminarem no vermelho, bem como impulsionou forte demanda por ativos vistos como seguros em tempos turbulentos, como renda fixa e ouro.

Após ajustes, o Dow Jones fechou em queda de 0,17% a 22.048,70 pontos. O S&P 500 caiu 0,04% a 2.474,02 pontos. O Nasdaq perdeu 0,28% a 6.352,33 pontos.

No S&P 500, ao longo do dia, todos os 11 setores chegaram a se manter no território das perdas. Mas no fim da sessão, o índice registrou apenas três no vermelho: Consumo discricionário, que recuou 0,60%, serviços públicos, com baixa de 0,52%, e tecnologia, que teve desvalorização de 0,05%.

No Dow Jones, as perdas do dia foram lideradas pela Disney, com recuo de 3,88%, seguida de Boeing, que caiu 1,58%.

Com a aversão ao risco, a volatilidade cresceu. O índice VIX, da CBOE, considerado a métrica do medo em Wall Street, apontou alta de 2,19%, a 11,20, mas chegou a saltar mais de 10% na máxima do dia. O VIX se baseia na flutuação das opções do S&P 500 com vencimento em 30 dias.

EUA x Coreia

Nesta quarta, entretanto, a retórica agressiva adotada pelo presidente americano Donald Trump e pelo líder norte-coreano Kim Jong-un arrefeceu, para alívio global. Se ontem o mandatário dos EUA alertou que responderia com “fogo e fúria, como o mundo nunca viu” diante das notícias de que a Coreia do Norte havia conseguido miniaturizar um dispositivo nuclear capaz de ser transportado por um míssil intercontinental, hoje, Trump, por meio de sua conta no Twitter, preferiu louvar o arsenal atômico de seu país, que, segundo o presidente, “está mais forte e poderoso do que nunca”.

“Minha primeira ordem como presidente foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear”, tuitou Trump. “Esperamos que nós não precisemos usar esse poder, mas nunca haverá um tempo em que nós não seremos a mais poderosa nação do planeta!”, escreveu.

O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, também tentou reduzir as tensões hoje. Segundo ele, a intenção de Trump foi somente enviar mensagens em “uma linguagem que Kim Jong-un possa entender”. Para o secretário de Estado americano, o líder norte-coreano não entende a “linguagem diplomática”.

“Não acredito que exista nenhuma ameaça iminente” da Coreia do Norte, declarou Tillerson. “Acredito que o presidente apenas quis ser claro sobre a inquestionável habilidade dos EUA de defender a si mesmo aos seus aliados”, acrescentou.

A Coreia do Norte, por sua vez, preferiu se manter em silêncio um dia depois de ter sugerido a possibilidade de atacar com mísseis a ilha de Guam, um território na Micronésia administrado pelos EUA, se Trump continuar ameaçar o país asiático.

A escalda das tensões geopolíticas mudou, pelo menos por enquanto, o foco dos investidores da forte temporada de balanços para o noticiário internacional. Analistas avaliaram, porém, que os agentes embarcaram em um momento mais de “esperar para ver”, sem grandes correções.

“Apesar da ameaça do presidente Trump na terça, os mercados indicam esperar que as tensões se dissipem durante as próximas semanas. A queda do yield da T-note de 10 anos e a subida do ouro foram relativamente pequenas”, afirmou Komal Sri-Kumar, presidente da Sri-Kumar Global Strategies, em nota.

“Há muitas variáveis [no cenário geopolítico] e para a situação se deteriorar seria necessário um ato verdadeiro de hostilidade, como sinais de que os EUA estão se preparando para um ataque à Coreia do Norte ou um ataque de mísseis pela nação asiática, por exemplo”, ponderou Sri-Kumar. “Se tais eventos ocorrerem, as reações dos mercados serão muito mais pronunciadas.”

Disney

A cautela diante da provocações entre EUA e Coreia do Norte manteve as bolsas em queda. Mas o recuo desta quarta em Wall Street também recebeu influência da temporada de balanços.

A baixa de 3,88% das ações da Disney, após reportar queda dos lucros no terceiro trimestre fiscal e vendas abaixo das projeções, tirou, sozinha, quase 30 pontos do Dow Jones, ou seja, a maior parte das perdas do índice na sessão. A desvalorização contribuiu decisivamente para manter o setor de consumo discricionário na liderança das perdas no S&P 500, com recuo de 0,60%.

O tombo da Disney também puxou para baixo papéis de companhias do segmento de mídia e entretenimento. A Twenty-First Century Fox caiu 0,72%, enquanto a Netflix perdeu 1,45% após a dona do Mickey Mouse reportar a intenção de lançar um serviço concorrente de “streaming” em dois anos.

Com valor de mercado de US$ 178 bilhões (em maio de 2017), a Disney é uma gigante em comparação à Coreia do Norte, que tem PIB estimado em US$ 28,5 bilhões (dados de 2016, do BC sul-coreano).

Vale lembrar ainda a história do meio-irmão do ditador Kim Jong-un. Primeiro na linha de sucessão do pai, Kim Jong-nam teria falsificado um passaporte para visitar um parque da Disney no Japão, anos atrás, e, com isso, caiu em desgraça e perdeu a chance de suceder o pai ditador Kim Jong-il: pequenos incidentes podem ter grandes consequências.

Fonte: Valor Econômico

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