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Com estrangeiro, Ibovespa renova recorde

Com novos sinais positivos sobre a economia doméstica, perspectiva de inflação e juros em queda e a forte presença do investidor estrangeiro na ponta compradora, o Ibovespa voltou a renovar sua marca histórica. O índice fechou ontem em alta de 3,23%, aos 76.762 pontos, numa sessão de vigoroso volume financeiro, de R$ 8,3 bilhões.

O movimento aconteceu num dia em que as bolsas americanas também quebraram recordes. Mas especialistas fazem questão de afirmar que a busca pelas ações brasileiras é um movimento sustentado por fundamentos domésticos, que aumentam a competitividade da bolsa tanto em relação à renda fixa local quanto na comparação com outros mercados emergentes.

Essa leitura tem sustentado a bolsa nos últimos três meses e explica o forte fluxo de investidores estrangeiros no mês de setembro. Segundo dados da B3, houve um ingresso líquido de recursos externos de R$ 3,8 bilhões no mês passado, quando o Ibovespa acumulou valorização de 4,88%. É o segundo resultado mais alto do ano, só superado pelo de janeiro (R$ 6,244 bilhões), e eleva o saldo de capital externo acumulado no ano para R$ 14,710 bilhões. Em igual período do ano passado, o ingresso de capital externo somou R$ 13 bilhões.

A exposição dos estrangeiros à renda variável havia diminuído no último ano, com o aumento da volatilidade e instabilidade dos preços, especialmente depois que o país perdeu o grau de investimento, em 2015, diz Andrea Cattaneo, diretor da área de securities services do BNP Paribas Brasil. “Mas o investidor estrangeiro olha mais para as oportunidades e o crescimento potencial nos próximos anos, e isso o Brasil sempre apresentou”, disse ele. “Agora, o cenário econômico mais estável está facilitando a decisão do investidor estrangeiro em bolsa.”

Para Martin Castellano, economista-chefe para a América Latina do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), o impulso para reformas no Brasil, a substancial flexibilização da política monetária e os fluxos do exterior têm de alguma forma compensado as incertezas de ordem política e, assim, ajudam sustentar a entrada de capital estrangeiro no país. Castellano afirma ver uma “mudança gradual” na composição dos fluxos estrangeiros, que hoje estão mais focados na renda variável do que na renda fixa, diferentemente do que se viu nos últimos anos. Isso graças à retomada do crescimento, ainda que lenta, e queda da taxa de juros.

O ambiente externo certamente contribui para que o investidor global busque alternativas para seu portfólio. Mas o que analistas ressaltam é que, diferentemente do que se viu em outros momentos, o investidor local tem exercido uma pressão positiva importante, especialmente o institucional, que está se deslocando para a bolsa diante da perda de atratividade da renda fixa.

Para o gestor de renda variável do Fator, Daniel Utsch, o mercado de segue vivendo sob o efeito dos juros baixos e, ainda que haja elementos que ainda inspirem cautela no cenário, esse fator deve continuar servindo de pano de fundo para os negócios. “Para pensar no quão importante é para o mercado de ações viver com juros baixos, basta olhar para o que o mundo está vivendo nos últimos anos”, diz, referindo-se aos sucessivos recordes das bolsas americanas, reflexo da política de juro baixo nos EUA.

A percepção de que o ganho potencial na renda fixa tornou-se menor tem gerado um movimento de migração de fundos de investimento para o mercado de ações nas últimas semanas. Ontem, a gestora Adam Capital confirmou que concluiu sua zeragem de posições em renda fixa para reforçar a aplicação em ações.

O diretor de renda variável da Franklin Templeton, Frederico Sampaio, diz que a bolsa vive um processo inverso ao que se observou nos últimos cinco anos, em que o mercado local descolou do exterior por causa de seus fundamentos. “Tem desafios, mas houve uma melhora, e a bolsa está reagindo a isso”, afirma. Ele observa que a bolsa passou por um forte ajuste nos últimos anos, em grande parte motivado pela frustração com as expectativas de crescimento que não se concretizaram. “O mercado chegou a trabalhar com expectativas de crescimento da ordem de 4% por muito tempo, e o que vimos foi uma recessão”, lembra. Agora, o mercado vive um movimento inverso, em que há expectativas pouco entusiasmadas, mas sinais de uma recuperação. “Há fluxo para a bolsa, mas em cima de elementos concretos.”

Ontem, os números da produção industrial confirmaram essa leitura. Embora o resultado geral tenha decepcionado ao cair 0,8% em agosto, ante estimativas de crescimento de 0,1% colhidas pelo Valor Data, analistas viram na abertura dos números um quadro favorável.

Outro dado positivo veio da Fenabrave, que mostrou crescimento da venda de veículos de 24,91% em setembro ante igual período do ano anterior. Esse resultado impulsionou as siderúrgicas, que tiveram forte alta: CSN subiu 9,92%, Usiminas PNA ganhou 9,76% e Gerdau Metalúrgica teve valorização de 5,44%.

Fonte: Valor Econômico

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