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Ibovespa perde tração, sob influência da política e do petróleo

SÃO PAULO  –  Em uma sessão marcada por uma queda expressiva dos preços do petróleo e pela cautela com o cenário político doméstico, o Ibovespa ameaça deixar o patamar dos 74 mil pontos. Profissionais ainda classificam esse movimento como correção, mas reconhecem que a elevação do nível de incerteza tirou tração do Ibovespa, mesmo enxergando elementos econômicos favoráveis para esse mercado.

Às 14h, o índice caía 0,04% aos 74.263 pontos, depois de tocar a máxima de 74.506 pontos.

“Nesse nível, a bolsa não consegue pegar tração, opera ‘step by step”, observa o head de produtos estruturados da CM Capital Markets, Roberto Barroso. Ele explica que a bolsa vinha antecipando uma série de fatores positivos, como a queda dos juros, a melhora da atividade – que vêm se confirmando – mas também alguma possibilidade de avanço na reforma da Previdência. E a incerteza sobre a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer indica que, no mínimo, esse debate será retardado. “Enquanto isso, o mercado corrige e espera até que haja algum avanço no cenário político”, explica.

As pesquisas eleitorais mostrando que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto também explicam a maior cautela porque colocam dúvidas sobre a leitura que se fazia de que as denúncias do ex-ministro Antonio Palocci teria afastado completamente o petista da disputa. O mercado sabe que é cedo para definir qualquer cenário para 2018 e também que pesquisas tão antecipadas dificilmente acertam, mas ainda assim são informações que desagradam.

Ambev também chama a atenção hoje por estar entre as principais quedas do dia (-2,23%, a R$ 20,57), o que é pouco comum para esse papel, caracterizado por baixa volatilidade. Na sexta-feira (29), a companhia informou ao mercado ter aderido ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert). A decisão vai gerar uma despesa de aproximadamente R$ 3,1 bilhões, que terá impacto direto sobre o balanço.

Dólar

O dólar volta a operar em baixa no início da tarde desta segunda-feira, revertendo o avanço do início do dia. A mudança de sinal garante ao câmbio doméstico o melhor desempenho diário entre 33 divisas globais, seguido de perto por alguns dos principais pares como o peso mexicano e a moeda da Nova Zelândia.

Apesar de ser o destaque positivo da sessão, o ganho do real não significa um descolamento do exterior, na avaliação de profissionais de mercado. O movimento de hoje se apoia numa aparente descompressão, que dura agora três sessões consecutivas por aqui. O mercado segue atento aos sinais de crescimento da economia americana e as chances de uma nova elevação de juros por lá em 2017, o que garantiu um pico de alta do dólar na semana passada.

“A leitura é de que as esticadas do dólar são pontuais e derivam de ajustes ao Fed [Federal Reserve] ainda”, diz o operador Cleber Alessie Machado Neto, da H.Commcor. “Não temos catalisadores locais pessimistas o suficiente para manter na regiao de R$ 3,20 ou acima disso”, afirma.

Na sexta-feira, será divulgado o relatório de empregos dos EUA, um dos principais balizadores da política monetária do Federal Reserve. Hoje, foi conhecido o índice de atividade industrial, do ISM, que trouxe novo sinal de expansão econômica por lá. Ainda assim, o resultado não trouxe grandes efeitos para o mercado global de moedas.

Aos poucos, entretanto, é possível que o foco dos investidores domésticos se volte mais para o cenário eleitoral de 2018. “Talvez não seja em outubro, mas fica mais próximo. Está perto de começar a entrar mais forte [nos preços]”, afirma o sócio e gestor da Absolute Investimentos, Roberto Serra.

O Datafolha aponta que Lula mantém a liderança na disputa presidencial para 2018. Por outro lado, a pesquisa também mostra que hoje que a maioria dos brasileiros defende a prisão do petista, algo que poderia inviabilizar sua candidatura. O levantamento também mostrou o apoio popular ao prosseguimento da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer.

“Se Lula não estiver na disputa, seria melhor para os mercados”, diz Roberto Serra. O petista é um dos principais nomes da oposição e, em geral, é visto como ponto de alerta para a continuidade da agenda de reformas. Por outro lado, o gestor aponta que “ainda não foi possível enxergar melhor o cenário eleitoral”, diz.

Ainda na política, é quase consensual a leitura de que a denúncia contra Temer será barrada na Câmara. O risco, contudo, é que a tramitação da reforma da Previdência continua a ser postergada.

Por volta das 14h10, o dólar comercial cai 0,26%, cotado a R$ 3,1580, já com alguma distância ante a máxima do dia, de R$ 3,1783. O contrato futuro para novembro, por sua vez, recua 0,14%, a R$ 3,1725.

Juros

Os juros futuros operam bem próximos da estabilidade nesta segunda-feira, com algum viés de alta. O comportamento das taxas revela alguma cautela com o cenário.

Os investidores têm se mostrado mais céticos com o avanço do reforma da Previdência. Isso porque o tempo hábil para a retomada dessa agenda vai diminuindo, com outros temas impedindo seu avanço no Congresso. A aprovação da medida não estaria nos preços dos ativos, mas ainda seria motivo de esperança nos mercados.

Aos poucos, é possível que o foco dos investidores domésticos se volte mais para o cenário eleitoral de 2018. “O cenário político ainda está estável”, diz o estrategista da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. “A liderança de Lula nas pesquisas mais parece falta de outro candidato”, diz.

Por volta das 14h14, o DI janeiro/2021 sobe a 8,800% (8,780% no ajuste anterior). Entre os vértices mais curtos, o DI janeiro/2018 é negociado a 7,498% (7,510% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 opera a 7,270% (7,260% no ajuste anterior). Nesses trechos, também há influencia do sinal de inflação mais fraca e atividade em recuperação, como mostram os ajustes no Boletim Focus.

A estimativa é de inflação em 2,95% em 2017 e em 4,06% em 2018. A Selic esperada para ambos os períodos foi mantida em 7%. Já o crescimento do PIB teve suas projeções calibradas para cima, a 0,70% e 2,38%, respectivamente.

Fonte: Valor Econômico

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