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Ibovespa sobe com dados dos EUA; dólar cai

SÃO PAULO  –  A bolsa de valores brasileira sobe pela quinta sessão consecutiva, impulsionada pela expectativa de que os juros nos Estados Unidos continuem baixos por tempo suficiente para permitir a recuperação da economia local.

As ações das construtoras destacam-se entre as maiores altas do pregão com a percepção de que o banco central brasileiro se encontra em situação confortável para seguir cortando o custo do crédito no país. Prévias operacionais mostrando aumento de vendas de imóveis também alimentam o otimismo com o setor.

O dia é positivo, ainda, para a Petrobras, que acompanha os ganhos do petróleo no mercado internacional.

O Ibovespa ganhava 0,30%, com 65.375 pontos, às 13h16.

O Departamento do Trabalho americano informou que o CPI (Índice de Preços ao Consumidor, da sigla em inglês) do país ficou em 1,6% em junho, quando a previsão média entre os especialistas era de que registrasse inflação de 1,9%. As vendas no varejo americano recuaram 0,2% no mês passado, queda que se compara à estimativa de um crescimento de 0,1% dos especialistas. Esses dados justificavam as apostas de que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, seguirá parcimonioso na sua estratégia de elevação dos juros, favorecendo o apetite global por ativos de maior risco.

“O cenário global está muito benéfico para o Brasil”, diz André Gordon, gestor da GTI Administração de Recursos.

O Índice Imobiliário, que reúne as ações de construção civil, subia 0,48% há pouco, na segunda maior elevação entre sete grupos setoriais. A MRV lidera os ganhos no segmento, avançando 3,06%, para R$ 13,81. Suas vendas líquidas avançaram 7% no período de abril a junho deste ano contra igual intervalo em 2016, para R$ 1,45 bilhão, de acordo com fato relevante divulgado ontem.

A ação preferencial da Petrobras subia 1,09%, a R$ 13,01, e a ordinária avançava 0,44%, para R$ 13,61, enquanto o petróleo tipo Brent ganhava 0,87%, a US$ 48,84, no contrato com vencimento em setembro da bolsa de Londres.

Dólar

O dólar caminha para a encerrar a semana renovando a mínima desde a deflagração da nova crise política. Movida, principalmente, pelo ambiente internacional e também por um conjunto de notícias locais que trazem alívio aos investidores, a moeda americana rompeu o suporte dos R$ 3,20, dando fôlego à tendência de baixa que levou a cotação à mínima de R$ 3,1820.

Às 13h16, o pronto valia R$ 3,1840, uma queda de 0,74%. Já o contrato futuro para agosto recuava 0,92%, para R$ 3,1935.

Hoje, foi o dado de inflação dos Estados Unidos, mais baixo do que o esperado, que deu impulso a ativos de risco. As divisas emergentes todas ganharam terreno. O real acompanhou o movimento e acentuou a queda que já ensaiava mais cedo. Com isso, a cotação ampliou as perdas no mês para perto de 4% e, no ano, para 2%.

Para o sócio da Rosenberg Investimentos Marcos Mollica, o movimento observado nos últimos dias ainda não é suficientemente consistente a ponto de revelar um novo momento dos mercados. “Houve, de fato, uma sequência de notícias favoráveis, que deve repercutir sobre o mercado por mais algumas semanas, mas que não altera o quadro geral”, afirma. Para ele, os mercados não devem retomar a confiança observada no período pré-delação da JBS, porque a expectativa de alguma reforma da Previdência ficou muito enfraquecida.

Mollica observa que a aprovação da reforma trabalhista, a vitória do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva compuseram esta semana um ambiente mais favorável, que levou parte dos agentes que estavam comprados em dólar futuro a zerar posições.

Do lado externo, a fala da presidente do Fed, Janet Yellen e, hoje, o CPI americano reforçaram a tendência de enfraquecimento do dólar no mundo, o que explica grande parte da queda da cotação aqui.

No exterior, o dólar também exibe forte queda em relação ao peso mexicano (-0,68%), a lira turca (-0,75%) e rand sul-africano (-1,38%). O Dollar Index, por sua vez, perde 0,55%, para 95,03.

Juros

Num momento em que o mercado de juros começa a consolidar suas apostas para a decisão do Copom em sua próxima reunião, o resultado do IBC-Br, proxy do PIB mensal calculado pelo Banco Central, deu força à expectativa de que haverá mais um corte de um ponto percentual da Selic. O número surpreendeu negativamente e confirmou a visão de que a atividade segue muito lenta, talvez num ritmo ainda mais lento do que se imaginava. Com isso, dá forte argumento para que o BC reaja com cortes adicionais da Selic.

O DI janeiro/2019 cedeu de 8,65% ontem para 8,60%. Os DIs mais longos também caíram com força: o contrato para janeiro/2021 tinha taxa de 9,73% (9,82% ontem) e para janeiro/2023 era negociado a 10,19% (10,27% ontem).

Fonte: Valor Econômico

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