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Investidores veem melhora na cena política e juros futuros recuam

SÃO PAULO  –  Os juros futuros terminaram a semana como começaram: em queda, em meio à avaliação de investidores de que a melhora do cenário político abre espaço para a retomada do debate em torno da reforma da Previdência – principal demanda do mercado financeiro no atual momento.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 tinha queda para 10,160% (10,270% no ajuste anterior). Na semana, essa taxa perde 39 pontos-base – baixa mais intensa desde a do período findo em 16 de junho (-42 pontos). O DI janeiro/2021 recuava a 9,690% (9,820% no ajuste anterior). A queda de 33 pontos na semana se iguala à vista em igual período encerrado em 16 de junho. 

A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 – uma medida da percepção de risco – recuava a 157 pontos-base, menor patamar desde 20 de junho (149 pontos). O DI janeiro/2019 cedia a 8,590% (8,650% no ajuste anterior). E o DI janeiro/2018 caía a 8,670% (8,715% no ajuste anterior).

O alívio na curva de DI da B3 teve uma ajuda importante do exterior, onde o tom “dovish” (voltado para o afrouxamento monetário) do Federal Reserve (Fed, BC americano) colaborou para um rali da renda fixa global e de moedas emergentes, movimento estendido ao câmbio doméstico. Hoje, dados mais fracos de inflação e atividade nos EUA endossaram a percepção de que a reversão de políticas no mundo desenvolvido ocorrerá de maneira muito gradual, com menor risco de provocar ruptura em mercados em desenvolvimento.

No Brasil, a condenação nesta semana do ex-presidente Lula alimentou forte expectativa no mercado de que candidatos pró-mercado e pró-reformas tomem a dianteira nas eleições de 2018. Ou seja, a política econômica baseada em inflação na meta, câmbio flutuante e retomada do equilíbrio fiscal teria mais chances de ser mantida. Isso sugere que a agenda reformista terá fôlego mesmo após o fim do governo Michel Temer.

Embora tenha tido o “efeito colateral” de atrasar a votação, em plenário, a vitória do governo na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) – com recusa do parecer da denúncia contra Temer – foi interpretada como um indicativo de que o governo mantém capacidade de articulação no Congresso. Isso já havia sido demonstrado antes pela aprovação da reforma trabalhista.

No mercado, a percepção é que, caso o recesso parlamentar ocorra sem novas e graves denúncias contra o presidente e integrantes do governo, os preços devem continuar a melhorar. Entre os riscos, porém, estão eventuais declarações do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB) e do corretor de valores Lúcio Funaro, próximo de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), ex-ministro de Temer.

O conjunto de notícias levou o mercado a fortalecer apostas também do lado da política monetária. A curva de juros embute praticamente 100% de probabilidade de corte de 1 ponto percentual da meta Selic no fim de julho. E, caso o sentimento continue a melhorar, a discussão sobre uma aceleração do ritmo de distensão monetária pode ganhar força. “A curva está prestes a cravar corte de 100 pontos-base, mas já se houve debate sobre alguma chance de uma aceleração [do corte] para 125 pontos”, diz o operador de renda fixa da Renascença Luis Laudisio.

O mercado repercutiu novos sinais de que a atividade fraca dará ainda mais tranquilidade para o Banco Central continuar a reduzir os juros. Nesta sexta-feira, o BC reportou que o IBC-Br de maio recuou 0,51% sobre abril, com ajuste sazonal. 

Na próxima semana, o IBGE divulgará o IPCA-15 de julho. Dados de arrecadação e emprego também devem mexer com o humor dos agentes financeiros.

Fonte: Valor Econômico

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