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Juros futuros recuam, com investidores atentos a inflação e reforma

SÃO PAULO  –  Investidores tornaram a vender juros na B3 nesta terça-feira. As taxas, sobretudo as de prazo mais curtos, foram afetadas novamente pela percepção de que a conjuntura permitirá ao Banco Central levar a Selic a patamares mais baixos. Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 caía a 8,770% (8,795% no ajuste anterior). O DI janeiro/2019 cedia a 8,720% (8,760% no último ajuste). O DI janeiro/2021 recuava a 9,940% (9,970% no ajuste de ontem).

As surpresas em série do lado dos preços têm sido constantemente apontadas por operadores como sinal de que o BC pode manter o ritmo de corte da Selic e levar a taxa básica de juros abaixo da casa de 8%. Divulgada hoje, a primeira prévia do IGP-M de julho surpreendeu ao vir abaixo do que se cogitava no mercado. A taxa recuou 0,95%, a menor da série, iniciada em 1989. No mercado, falava-se em taxa de -0,67%.

A maior confiança em contínua queda da Selic pôde ser observada na inclinação entre os DIs janeiro/2019 e janeiro/2018. Na prática, essa medida sinaliza as apostas de investidores para a política monetária ao longo de 2018. O “spread” entre esses dois dias caiu hoje a -5 pontos-base, igualando-se ao nível de sexta-feira passada, o mais baixo desde 17 de maio (-15 pontos-base) – horas antes do vazamento dos áudios de conversas entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista.

Quanto mais negativa essa diferença, menos risco de aperto monetário o mercado embute. A curva a termo da B3 ainda projeta mais de 100 pontos-base de alta da Selic ao longo de 2018, mas esse número é considero excessivo por investidores, que, portanto, veem prêmio nesse trecho, em meio ao cenário de inflação benigna, câmbio comportado e atividade econômica ainda fraca.

“O BC pode cortar a Selic em 1 ponto [percentual] neste mês, e ainda assim haverá prêmio até 2019”, diz o sócio-gestor da Leme Investimentos Paulo Petrassi. Para ele, se a reforma trabalhista for aprovada, “não haverá motivo” para o Banco Central não reduzir a Selic em 1 ponto no encontro do Copom dos próximos dias 25 e 26. A Leme Investimentos projeta Selic de 8% até o fim deste ano, mas reconhece haver chances de a taxa ir ainda mais para baixo.

O Banco Pine espera redução de 1 ponto da Selic neste mês e agora estima Selic de 7,5% ao fim do atual ciclo de distensão monetária. Antes, previa taxa de 8,5%. Marco Caruso, economista do banco, atribui a revisão ao ambiente “benigno” da inflação corrente, à ancoragem das expectativas e ao comportamento do câmbio, que tem evitado depreciação mais forte. Levando em conta os cenários políticos possíveis e os respectivos níveis de risco-país, Caruso ainda chega a uma taxa de câmbio entre R$ 3,35 e R$ 3,40 por dólar, em meio às atuações do Banco Central e ao cenário externo “ainda positivo”. “[Esses fatores] são consistentes com a manutenção do ritmo de corte da Selic em 100 pontos base na reunião de julho”, diz o economista em nota.

Também ajudou na queda dos juros a perspectiva de aprovação da reforma trabalhista. Embora já na conta do mercado, a esperança de que o texto passe no Senado ajuda a gerar a sensação de algum avanço na agenda de reformas, embora a da Previdência mantenha-se em xeque. O debate em torno de uma eventual troca de governo continua repleto de incertezas, mas investidores parecem se concentrar apenas na ideia de que a direção da política econômica será mantida, com ou sem Temer.

Entre as taxas mais longas, o DI janeiro/2023 tinha queda a 10,430% (10,480% no ajuste anterior). A inclinação entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 subiu hoje 2 pontos-base, para 171 pontos, indicativo de que o mercado ainda embute elevado prêmio de risco para o futuro.

Fonte: Valor Econômico

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