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Juros futuros sobem com incerteza sobre fiscal

SÃO PAULO  –  Num dia já não auspicioso devido ao ambiente externo mais arisco, investidores do mercado doméstico de renda fixa tiveram no noticiário político-econômico motivos extras para elevar a demanda por prêmios de risco. Como resultado, uma das principais medidas de incerteza nos juros bateu uma nova máxima, denunciando o desconforto cada vez maior dos agentes financeiros em relação às perspectivas para o reequilíbrio das contas públicas.

A informação que azedou de vez o humor foi novo adiamento na leitura do relatório da MP 777, que institui a Taxa de Longo Prazo (TLP) no lugar da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP). A impossibilidade de leitura se deveu à falta de quórum. Agora, o documento será lido no dia 15, atrasando todo o cronograma anteriormente acertado. A MP precisa ser apreciada até 6 de setembro para não perder a validade. Nas palavras do relator da MP, deputado Betinho Gomes (PSDB-PE), o cronograma agora ficou “apertado”.

A reação do mercado ao adiamento é explicada porque, para investidores, a introdução da TLP ajudará a reduzir o subsídio implícito em financiamentos do BNDES corrigidos pela TJLP. O subsídio é tido como um dos enfraquecedores da política monetária, o que acaba exigindo uma Selic mais alta para controle da inflação, com desdobramento negativo sobre a atividade econômica.

A aprovação da TLP é vista como mais um instrumento no caminho de correção das contas públicas, especialmente diante das dúvidas sobre a capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência ainda neste ano.

A piora na percepção de risco elevou a demanda por juros nos prazos mais longos, uma forma de proteção contra reveses nas contas públicas. A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 subiu 5 pontos-base, para 186 pontos, maior spread já registrado entre esses vencimentos. Em três dias, a inclinação já aumentou 13 pontos.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 ia a 9,920% (9,820% no ajuste anterior).

O DI janeiro/2021 subia para 9,320% (9,250% no ajuste de ontem).

O DI janeiro/2019 avançava a 8,060% (8,020% no último ajuste).

E o DI janeiro/2018 tinha taxa de 8,170% (8,175% no ajuste anterior).

As taxas curtas tiveram oscilações menos expressivas, em dia de IPCA apenas ligeiramente acima do esperado. O índice subiu 0,24% em julho, contra 0,18% esperado por analistas consultados pelo Valor Data. O índice de difusão, porém, recuou a 41,8%, indicando alta de preços menos disseminada.

Fonte: Valor Econômico

Ricardo Eletro - Finance One
CVC - Hoteis - Finance One

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