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Maior preocupação com área fiscal puxa juro futuro longo para cima

SÃO PAULO  –  O mercado de juros teve mais um pregão de oscilações moderadas nesta terça-feira, mas a alta dos DIs longos foi suficiente para evidenciar um ligeiro aumento da preocupação do mercado em torno de questões fiscais.

O prêmio de risco exigido para aplicações em prazo mais longo – mais especificamente no trecho entre janeiro/2019 e janeiro/2023 – chegou ao fim do pregão regular perto das máximas intradiárias, em 180 pontos-base. Mantido esse patamar até o encerramento da negociação estendida, às 18h, será o nível mais alto em uma semana.

Embora sem estresse, o mercado demonstra algum incômodo – ou, pelo menos, maior cautela – em torno do recente noticiário fiscal, que tem contemplado mais cobrança de tributos. Nesta tarde, o presidente Michel Temer confirmou que a área econômica realiza estudos para elevar a alíquota do Imposto de Renda para pessoas físicas.

Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos, chama a atenção para a necessidade de o governo “cortar na carne” – referindo-se a reduções de gastos. Ele pondera, contudo, que o mercado segue apegado à ideia de que a atual composição da equipe econômica não permitirá movimentos heterodoxos na política fiscal – e isso evita movimentos negativos bruscos nos ativos, num momento em que as reformas – sobretudo a da Previdência – seguem como dúvida para este ano.

De ontem para hoje, dois nomes acompanhados pelo mercado – Luis Stuhlberger (que comanda a Verde Asset) e Armínio Fraga (ex-presidente do BC) – lembraram os riscos que a agenda reformista ainda corre. Para Stuhlberger, o resultado da votação a favor de Temer na Câmara indica haver “pouco espaço” para aprovação de “qualquer medida” que tenha impacto fiscal “relevante”. Em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, Armínio fez alertas sobre as eleições de 2018 e disse que uma “guinada populista” levaria “tudo para o brejo”.

Recentemente, porém, algumas casas analisaram que uma revisão da meta fiscal deste ano, por exemplo, seria menos negativa que o temido. A agência de classificação de risco Moody’s afirmou que uma revisão “moderada” da meta de déficit primário – hoje em R$ 139 bilhões – não afetaria o “rating” soberano. Alertou, porém, ser necessária melhora fiscal no médio a longo prazo.

Ao fim da negociação normal, às 16h, o DI janeiro/2021 subia a 9,240% (9,220% no ajuste de ontem).

Entre as taxas de curto prazo, o DI janeiro/2019 mostrava-se quase estável, cotado a 8,020% (8,030% no último ajuste). Colaboraram para o viés de baixa declarações do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn. Em entrevista à Rede TV, Ilan disse que o BC não observa fatores pontuais em termos de política monetária. O comentário sustentou expectativa de novo corte de 1 ponto percentual da meta Selic no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) a ocorrer em setembro.

Investidores aguardam para amanhã o IPCA de julho. Nesta terça, a deflação de 0,30% do IGP-DI no mês passado veio menos intensa que a taxa em torno de -0,40% esperada por parte do mercado.

Fonte: Valor Econômico

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