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Onda de venda leva juros futuros a fecharem em baixa nesta segunda

SÃO PAULO  –  O mercado de juros futuros da BM&F foi tomado por uma onda de venda de taxa na tarde desta segunda-feira, que empurrou alguns DIs a novas mínimas recordes. O DI janeiro de 2018, por exemplo, ameaçou cair abaixo de 9%, em meio à corrida do mercado para ampliar posições em prol de um corte mais agressivo da Selic no fim deste mês. Apesar de melhor que o esperado, o IBC-Br divulgado hoje não conseguiu desfazer avaliações de que a atividade tem dado sinais de mais fraqueza no segundo trimestre, após tentativa de recuperação nos primeiros três meses do ano.

A aposta de investidores já embute quase 72% de probabilidade de corte acima de 1 ponto da Selic na próxima reunião do Comitê de Política monetária (Copom). Na semana passada, o mercado ainda via como majoritária a chance de redução de 1 ponto.

O coro dos que acreditam em um Banco Central ainda mais “dovish” (com tendência para o afrouxamento da política monetária) ganhou um reforço de peso nesta segunda, com o Itaú revisando projeção, passando a ver corte de 1,25 ponto percentual da Selic em maio e taxa de 7,25% ao fim deste ano. Antes, o banco esperava redução de 1 ponto e taxa terminal de 8,25%. O Itaú, assim, se junta ao Bradesco na lista dos grandes bancos que projetam redução mais forte da Selic neste mês.

Em relatório datado desta segunda-feira, a equipe de pesquisa econômica do Itaú, chefiada pelo ex-diretor do BC Mário Mesquita, atribui a expectativa de juros mais baixos a uma combinação entre dados de atividade mais fracos que o esperado, resultados de inflação “muito bem-comportados”, queda “contínua” das expectativas para os preços e ajustes na comunicação do Banco Central.

O Banco Fibra também passou a ver Selic mais baixa ao fim deste ano, de 7%, mas manteve expectativa de que o juro básico seja reduzido em 1,25 ponto no próximo dia 31.

Para o sócio-gestor da JPP Capital Joaquim Kokudai, a aprovação da reforma da Previdência deve abrir caminho para a Selic cair “à casa de” 7%. “Espaço para acelerar o corte agora em maio o BC tem, mas é preciso um cenário mais claro vindo do fiscal”, acrescenta.

O gestor considera “natural” a migração de apostas do mercado para um corte de 1,25 ponto percentual da Selic na reunião do Copom deste mês, dados os indicadores de atividade sugerindo um começo fraco para o segundo trimestre, em meio a leituras baixas de inflação.

Os DIs de todos vencimentos da curva de juros da BM&F passaram a cair na parte da tarde, com exceção apenas do que expira em janeiro de 2026. Mais cedo, os trechos a partir de 2019 operavam em torno da estabilidade ou em alta.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI julho/2017 – que reflete apostas para o Copom de maio – cedia a 10,400% ao ano, frente a 10,446% no ajuste anterior. O DI janeiro/2018 caía a 9,010% (9,140% no ajuste anterior), após mínima de 9,005%.

O DI janeiro/2019 recuava a 8,840% (8,960% no último ajuste). E o DI janeiro/2021 cedia a 9,600% (9,670% no ajuste anterior).

Fonte: Valor Econômico

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