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Real é destaque positivo em semana marcada por dólar forte no exterior

SÃO PAULO  –  O movimento no câmbio brasileiro nesta sexta-feira (6) foi mais uma evidência da resiliência adotada pelo real, efeito da melhora de expectativas para a economia doméstica. O dólar subiu bem menos aqui do que no exterior, e, na semana, a divisa americana perdeu terreno frente à brasileira, destoando do movimento global.

No fechamento desta sexta, o dólar subiu 0,11%, a R$ 3,1571, longe da máxima intradiária (R$ 3,1785). Na semana, a cotação recuou 0,28%.

Em graus diferentes, casas estrangeiras têm destacado as boas perspectivas para o câmbio doméstico. O UBS aposta em dólar a R$ 2,90 até o fim do ano, o que daria o real o título de moeda com melhor desempenho no período, considerando uma lista de 16 divisas emergentes. O banco, que trabalha com um cenário mais positivo para a economia brasileira do que a média, acredita inclusive que a melhora da atividade beneficiará o câmbio.

Ao longo de toda esta semana, analistas comentaram que o bom desempenho do real esteve ligado à expectativa de mais entradas de capital, em meio à aceleração de captações externas diante de sinais mais evidentes de retomada da economia – o que pode melhorar os lucros das empresas. Não por acaso, o Ibovespa testou o nível recorde de 78 mil pontos nos últimos dias.

Sem receios em torno de rolagens parciais de swaps cambiais do Banco Central, a exemplo do verificado em setembro, o mercado tem espaço para operar em cima de fluxos – ou da perspectiva para eles. E o cenário externo benigno, com farta liquidez e desejo do investidor de rentabilizar seu capital, contribui para sustentar um cenário de câmbio pelo menos comportado.

Mesmo que o real não performe tão bem frente ao dólar, o risco/retorno da moeda brasileira parece melhor em relação a outras moedas. O Morgan Stanley iniciou, ontem, recomendação comprada em reais contra pesos mexicanos. Os estrategistas não ignoram o fato de que o real poderá ser afetado pela volatilidade oriunda das eleições presidenciais do próximo ano. Mas ponderam que “não só a régua está mais alta para a vitória de um candidato da esquerda, como também o pleito ocorrerá apenas mais para o fim do ano”.

“Achamos que o peso mexicano começará a se depreciar antes devido ao calendário eleitoral”, dizem os profissionais do Morgan. As eleições no Brasil estão previstas para outubro, enquanto as do México estão marcadas para julho.

Na mesma linha, o BofA se diz “neutro” em real, ao passo que está “pessimista” com o peso mexicano.

Fonte: Valor Econômico

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