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Bolsas de NY caem na véspera de dados do mercado de trabalho americano

SÃO PAULO  –  Os acenos dos bancos centrais globais em direção a uma nova era para as políticas monetárias, com redução de estímulos, moderou qualquer resquício de apetite por apostas mais arriscadas nesta quinta-feira. A expectativa em relação ao relatório do mercado de trabalho americano em junho, o chamado “payroll”, que será divulgado amanhã, potencializou ainda mais o sentimento de cautela.

Em meio à postura preventiva dos investidores, as bolsas de Nova York se mantiveram no vermelho durante toda a sessão. Após ajustes, o Dow Jones fechou em queda de 0,74%, a 21.320,04 pontos. O S&P 500 recuou 0,93%, a 2.409,75 pontos, com todos os 11 setores no negativo. O Nasdaq perdeu 1%, a 6.089,46 pontos.

No S&P 500, todos os setores terminaram no negativo. Os quatro líderes nas perdas foram: imobiliário, saúde, energia e consumo discricionário, com recuos de, respectivamente, 1,84%, 1,26%, 1,14% e 0,96%.

O setor de tecnologia também registrou forte baixa de 0,80%. A queda dos papéis de companhias como Microsoft (-0,69%), Apple (-0,92%), Facebook (-0,92%) e Intel (-2,07%) levou o Nasdaq a ter o pior desempenho entre os principais índices em Nova York.

No Dow Jones, 27 de 30 componentes terminaram a sessão com perdas. As maiores ficaram com GE, de 3,69%, Intel, com 2,07%, e Merck, que teve recuo de 1,62%.

“Há uma visão quase unânime dos bancos centrais de se reverter as políticas de estímulo não convencionais, seja por elevação de taxas ou desacelerando os programas de afrouxamento quantitativo, ou ainda, no caso dos EUA, reduzindo o portfólio do Fed”, avaliou Paul Flood, gestor de multimercados da Newton Investment Management.

Nesta quinta-feira, em uma das principais divulgações do dia, o relatório de criação de empregos no setor privado em junho da ADP trouxe um resultado abaixo das estimativas, mas ainda forte o suficiente para manter a continuidade do aperto no mercado de trabalho dos EUA. Segundo o documento, as empresas criaram 158 mil postos líquidos no mês passado, ante estimativa de 180 mil. O levantamento é considerado uma prévia do payroll.

A baixa taxa de desemprego e o ritmo forte de criação de novas vagas se tornaram um dos principais argumentos do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, para manter o ritmo de aperto monetário. Isso porque outros dados econômicos têm apresentado sinais divergentes para o cenário de crescimento econômico. Além disso, mesmo com a folga reduzida no mercado de trabalho, o avanço da inflação permanece tímido e desacelerou nos últimos meses.

A sinalização das autoridades monetárias globais de que se aproxima cada vez mais o momento de desarmar a oferta de dinheiro barato e liquidez farta teve um novo capítulo nesta quinta-feira. A ata da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) revelou que os membros da instituição consideraram no encontro a possibilidade de abandonar a promessa de acelerar o seu programa de compra de ativos.

Os mercados têm assistido uma onda de indícios de que os principais bancos centrais do mundo começam a rever seus conceitos, de que o presidente do BCE, Mario Draghi, sugeriu, na semana passada, a possibilidade de a instituição passar a discutir o começo da desaceleração do programa de compras de ativos. Na sequência dos comentários do comandante do BC da zona do euro, o Banco da Inglaterra e o Banco do Canadá afirmaram vislumbrar movimentos de alta de taxas pela frente.

Na ata da reunião de política monetária em junho do Fed, publicada ontem, o banco central americano confirmou o cenário projetado pelo mercado que o início do processo de enxugamento do balanço deve começar “dentro de um par de meses”. Essa indicação abundante de que se aproxima o fim da era do dinheiro fácil e da liquidez farta tem mantido os investidores com os escudos erguidos.

Para Eric Souza, gestor sênior do Silicon Valley Bank, “o mercado está, basicamente, olhando para o caminho de descida e percebendo que, embora esse ambiente de baixas taxas de juros com o qual nos acostumamos não esteja terminando, [os bancos centrais], definitivamente, estão tirando o pé do acelerador”.

Fonte: Valor Econômico

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