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Bolsas de NY fecham em alta impulsionadas por PIB acima do esperado

SÃO PAULO  –  Os dados econômicos americanos divulgados nesta quarta-feira (30) ofuscaram as recentes preocupações internas e externas nos EUA, como a crise dos mísseis norte-coreanos, a tempestade Harvey e o impasse sobre a questão do teto de endividamento federal. As bolsas de Nova York sustentaram ganhos, principalmente, após a subida acima do esperado do PIB da maior economia do mundo.

Após ajustes, o Dow Jones fechou em alta de 0,12%, a 21.892,43 pontos. O S&P 500 avançou 0,46%, a 2.457,59 pontos. O Nasdaq subiu 1,05%, a 6.368,30 pontos.

O S&P 500 viu nove de seus 11 setores terminarem no positivo nesta quarta. E, mesmo assim, as quedas de 0,02% e 0,29% de consumo básico e serviços públicos (utilities) foram pouco expressivas.

No Dow Jones, Cisco, Caterpillar e Microsoft lideraram os ganhos com subidas de, respectivamente, 1,62%, 1,33% e 1,31%.

O Nasdaq se beneficiou com a forte alta das ações de Netflix, de 3,48%, e do novo recorde da Apple, que fechou a sessão com avanço de 0,27%, com cada ação cotada a US$ 163,35.

A empresa de entretenimento por streaming ganhou impulso após relatório da Bernstein que minimizou o impacto da saída da Disney do portfólio a partir de 2019.

“Quase todo o crescimento futuro da Netflix vai vir do mercado internacional e, embora os investidores estejam céticos sobre a continuidade do crescimento da empresa, a não-renovação da Disney não terá efeito sobre essa perspectiva de expansão”, escreveu o analista Todd Juenger em nota a clientes.

A Apple, por sua vez, beneficia-se da especulação em torno do lançamento do novo iPhone, programado para 12 de setembro.

Os números econômicos de hoje vieram tão positivos que se sobrepuseram às recentes  e ainda presentes – preocupações internas e externas. Os problemas que ainda pairam sobre os mercados ajudaram a moderar os ganhos, mas não impediram os investidores de se voltar aos ativos considerados mais arriscados, com exceção do petróleo, que ainda sente o impacto do fechamento das refinarias pela passagem do furacão Harvey.

Trump

O aguardado discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o plano de reforma tributária teve pouco impacto sobre os mercados, embora tenha ocorrido a menos de uma hora antes do fechamento das bolsas de Nova York. A fala do republicano apresentou quase nenhum detalhe adicional ao que já se conhecia sobre as propostas.

Trump apenas reiterou o pedido de um esforço conjunto do Congresso, tanto de seu partido quanto dos democratas, para a aprovação dos cortes de impostos. O presidente mencionou apenas a ideia de reduzir para 15% a taxa máxima de tributos pagos pelas empresas.

Mas, se não chegou a deixar os mercados eufóricos, como no início do mandato, mal também não fez. Os índices acionários americanos seguiram em altas sólidas, com destaque para os papéis de tecnologia. O setor foi um dos destaques do dia no S&P 500, com subida de 0,72%, junto com matérias-primas e consumo discricionário, que registraram avanços de 0,74% e 0,72%.

PIB 

O cardápio do otimismo econômico incluiu a revisão do PIB americano do segundo trimestre acima do esperado, o índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) ainda bem abaixo da meta de inflação do Federal Reserve (Fed) e a criação líquida de vagas no setor privado dos EUA em agosto muito mais forte do que projetavam os analistas.

O PIB funcionou como catalisador do dia. A forte revisão, acima do esperado, para a atividade dos EUA no segundo trimestre, em expansão de 3%, ante expectativa de analistas de revisão para 2,8% e leitura preliminar de 2,6% ao ano, impulsionou o otimismo dos investidores.

Os motores do crescimento econômico para o período foram o consumo, com alta revisada para 3,3% ante 2,8% iniciais, e o investimento corporativo, que avançou 6,9% frente a uma leitura preliminar de 5,2%. Os dados deram impulso para as ações de varejistas e outras companhias de consumo, além de empresas de matérias-primas, tecnologia e saúde.

Outra divulgação positiva nesta quarta-feira veio do relatório de empregos produzido pela ADP e Moody´s Analytics. Os dados apontaram para uma geração líquida de 237 mil vagas de trabalho no setor privado da economia dos EUA em agosto, acima da expectativa de consenso, de 185 mil, para o mês.

O índice de preços de gastos com consumo ajudou a sustentar a demanda pelas ações. O PCE avançou 0,3% no trimestre, enquanto o núcleo avançou 0,9% no período, em linha com as expectativas.

O dado reforçou a forte desaceleração da alta de preços em relação ao período anterior, quando o indicador registrou crescimento de 2,4%, enquanto o núcleo teve subida de 2%. A inflação ainda fraca restringe as expectativas para uma nova alta de juros neste ano pelo Fed.

A zona do euro também deu sua contribuição para as altas das bolsas nesta quarta-feira. O índice de sentimento econômico no bloco, que agrega o nível de confiança dos consumidores e das empresas, atingiu em agosto o nível mais elevado desde julho de 2007.

Fonte: Valor Econômico







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