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Brexit: o que muda depois da saída do Reino Unido da UE?

Escrito por: Rafael Massadar em 7 de fevereiro de 2020

O parlamento britânico aprovou o texto final do Brexit após três anos. O acordo permite a saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

O texto recebeu 621 votos a favor e 49 contra, além de 13 abstenções. No entanto, o período de transição deve ser encerrado apenas no final deste ano.

Nesse período, as partes definirão como será a relação após o divórcio. Isso implicará, por exemplo, em um possível acordo de livre comércio entre Reino Unido e União Europeia.

Ou seja, os dois lados ainda precisam definir os termos do relacionamento para o longo prazo.

Como o Reino Unido terá que agir economicamente a partir de agora?

O pacto do Brexit mantém o Reino Unido sob regras europeias até o fim de 2020. Após a transição, a ilha da Grã-Bretanha sairá da UE e da união aduaneira. No entanto, a Irlanda do Norte terá uma espécie de status duplo.

Por um lado, Belfast permanecerá no território aduaneiro do Reino Unido e será incluída em qualquer futuro acordo comercial fechado por Londres. Por outro, será um ponto de entrada para a zona aduaneira europeia.

Ou seja, o governo do Reino Unido aplicará, em nome da UE, tarifas europeias sobre produtos estrangeiros que arrisquem entrar na República da Irlanda. E, por consequência, no mercado comum do bloco.

Portanto, não haverá aduanas na ilha, e todos os controles alfandegários serão feitos nos portos.

Brexit
Após três anos e meio e muitas idas e vindas, o Brexit foi oficializado

Além disso, a Irlanda do Norte continuará alinhada a um número limitado de regras europeias, inclusive no aspecto sanitário. Esse sistema vigorará até 31 de dezembro de 2024, nos quatro anos após o período de transição.

Ainda antes de 2025, a Assembleia da Irlanda do Norte decidirá por maioria simples se mantém ou não as regras da UE. O órgão poderá prorrogar o sistema vigente em votações a cada quatro ou oito anos, dependendo do percentual de aprovação.

Se as regras europeias forem rejeitadas, elas deixarão de valer depois de dois anos. Contudo, a Escócia já reivindicou as mesmas oportunidades que a Irlanda do Norte. O país deseja permanecer no mercado comum quando o Brexit se materializar.

O que mais o Reino Unido tem que negociar com a UE?

Outros pontos também precisarão ser decididos entre Reino Unido e UE também. Por exemplo:

  • Polícia, compartilhamento de dados e segurança;
  • Normas e segurança da aviação;
  • Acesso às áreas de pesca;
  • Fornecimento de eletricidade e gás;
  • Licenciamento e regulamentação de medicamentos.

A saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) já custou mais de 150 bilhões de euros à economia britânica. O pode superar 230 bilhões até final do ano.

O preço total do ‘divórcio’ entre o Reino Unido e a UE foi calculado pelo economista da Bloomberg para o Reino Unido, Dan Hanson. Segundo ele, as cifras devem chegar em 200 bilhões de libras esterlinas. Ou seja, cerca de 233 bilhões de euros.

O estudo compara a evolução britânica com a dos seus pares no G7 (sete países mais industrializados do mundo). O especialista prevê que “a economia britânica está 3% menor do que poderia estar caso a relação [com a União Europeia] fosse mantida”.

O que os especialistas esperam do Brexit?

A expectativa dos especialistas para o PIB do Reino Unido pós-Brexit ao longo prazo não são nada boas. O Rabobank, por sua vez, acredita em um PIB 30% menor. Isso, caso o Reino Unido receba pela UE tratamento igual aos das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Já a Oxford Economics espera, para 2030, um PIB 4% menor se o Reino Unido ficar à mercê das normas da OMC, em comparação com o país ter permanecido na UE.

No entanto, se um acordo de livre comércio for conseguido, a expectativa é de 3% menor.

Quais as consequências para o Brasil?

Desde que foi proposto, o Brexit provoca movimentos na economia mundial, o que também atinge o Brasil.

A própria oscilação do dólar e do valor do real perante a moeda americana, são um exemplo dessa influência.

Eventos desse porte também costumam alterar o ânimo do mercado. Em resposta, investidores miram ambientes financeiros mais seguros e menos voláteis.

Se o dólar sobe por aqui, a inflação também assume curva ascendente. E, por sua vez, fica mais difícil manter os juros em um patamar mais baixo.

Contudo, o cenário pode também reservar oportunidades, a depender da política econômica do país.

Hoje, o Brasil tem a economia mais fechada de todos os integrantes do G-20, segundo dados da Câmara de Comércio Mundial. No entanto, há expectativa quanto a avanços nas relações internacionais.

Já em relação ao turismo, pelo menos por enquanto nada muda. Brasileiros que quiserem visitar o Reino Unido a turismo continuam apresentar apenas o passaporte.

Quem estiver nos países da Europa continental e pretender dar um pulo em Londres terá de passar pela imigração, como sempre foi.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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