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Saiba porque comprar uma casa própria pode não ser um investimento

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Muitos brasileiros ainda pensam na casa própria como um investimento. No entanto, especialistas em finanças alertam que não é bem assim.

Algumas pessoas têm dificuldade para entender o porquê disso. E, provavelmente, o motivo é que a noção sobre o que é um investimento está errada.

Mas se você quer ter as finanças alinhadas com seus objetivos e metas, precisa entender esse conceito. E a partir disso vai compreender também por que imóveis nem sempre são um investimento.

Isso não quer dizer que nunca vai valer a pena comprar uma casa ou que você precisa deixar esse sonho de lado.

Porém, se quiser seguir com ele, precisa fazer de forma consciente e não enganado, achando que poderá obter um lucro com isso no futuro.

Agora, um ponto importante: em alguns casos, é possível transformar o imóvel em investimento. Quer saber como? Continue lendo este artigo!

O que é um investimento?

Para entender por que a casa própria não pode ser considerada um investimento, é preciso entender esse conceito.

Talvez você ache que já saiba, mas preste atenção, porque você pode o ter entendido de modo distorcido até hoje.

De modo geral, em economia, investimento significa a aplicação de um capital (dinheiro) com a expectativa de um benefício futuro. Porém, essa aplicação precisa trazer algum lucro, seja no curto ou no longo prazo.

Esse lucro pode ser proveniente de juros ou mesmo da venda.

Mas o que faz um investimento ser um investimento, do ponto de vista financeiro, é: para cada real gasto, o retorno deve ser maior do que o valor pago.

Portanto, você pode considerar a casa própria uma segurança pessoal, um sonho de consumo ou conforto. Mas saiba que não se enquadra como investimento, como explicamos a seguir!

Por que comprar casa própria não é um investimento?

É lógico que ter uma casa própria pode ser vantajoso do ponto de vista pessoal e até recomendado para algumas pessoas. Mas isso não quer dizer que ela possa ser considerada um investimento.

Acontece que, mesmo com a valorização do imóvel, ela ainda não vai trazer rentabilidade como uma aplicação financeira.

Na verdade, a casa própria é o que se chama de passivo financeiro.

Ou seja, o extremo contrário dos ativos financeiros. É um tipo de bem que gera apenas custos e obrigações enquanto se mora nele. Esses custos são:

  • manutenção
  • IPTU
  • condomínio
  • reformas etc

Só nessa lista, já se perde boa parte do “lucro” (se não todo ele) que o dono do imóvel poderia obter vendendo a casa em alguns anos.

“Mas o preço do imóvel valoriza com o tempo!”

Sim, mas você só vai ver esse dinheiro se e quando vender a casa. É diferente de ter um investimento real, no qual os juros compostos trabalham sozinhos, mantendo aquele dinheiro valorizado e crescendo.

Além disso, mesmo com a valorização do imóvel, os custos que teve ao longo dos anos muito provavelmente vão superar o que você pensa que pode obter de lucro.

Em muitos casos (muitos mesmo) esse “lucro” obtido com a valorização não supera os gastos realizados ao longo dos anos e nem acompanha a inflação.

Portanto, pode-se dizer que existe muito mais a sensação de que a pessoa obteve lucro.

Mas se aquele mesmo dinheiro da compra do imóvel tivesse sido bem aplicado, aí sim teria dado bons rendimentos ao longo dos anos.

Homem segurando chaves em uma mesa com casa em miniatura e plancheta
Casa própria é passivo financeiro e não pode ser considerada um investimento

E quando a casa própria é financiada?

Outro fator que vai impactar no quanto o imóvel realmente “rendeu” é a forma como ele foi adquirido. Se foi um financiamento, por exemplo, os juros provavelmente terão sido bem altos.

Lembre-se que investir é multiplicar determinado valor, garantir liquidez. Quando você financia um imóvel, ele nem sequer é seu até que você conclua as parcelas. E você não obtém juros a partir disso, na verdade você paga juros.

Se as informações ainda estão nebulosas, veja o seguinte exemplo, extraído de um caso real contado pela especialista em finanças Nathalia Arcuri:

Uma pessoa comprou um imóvel a R$94 mil em 1994.
Em 2019, esse mesmo imóvel valia R$2 milhões no mercado.

Parece que houve um rendimento, certo? Não!

Primeiro que, embora esse seja o valor real da casa, a pessoa encontrou dificuldade para encontrar um comprador e precisou vender a R$1,5 milhão. Ou seja, perdeu R$500 mil.

Mas mesmo assim, ainda está bem acima dos R$94 mil gastos em 1994…

Está, mas é fundamental entender duas coisas:

  • em 1994 a inflação era outra e R$1,5 milhão valia muito mais naquela época, do que valia em 2019.
  • um investimento real, manteria esse dinheiro valorizando acima da inflação.

Se essa pessoa tivesse aplicado os R$94 mil em 1994, em 2019 ela teria R$3,9 milhões.

Então vale a pena vender minha casa própria e aplicar o dinheiro?

Tenha cuidado! De modo geral, investir pode valer mais a pena do que comprar a casa própria. Mas você não deve fazer isso sem antes realizar uma autoavaliação.

Primeiro, entenda qual é o seu estilo de vida, quais são os seus valores, seus objetivos a longo prazo. Depois, estude pelo menos o básico sobre investimentos.

Aliás, não adianta deixar de comprar o imóvel para investir, se você não souber aplicar dinheiro. Para entender melhor, esse artigo pode ajudar:

+ Comprar um imóvel ou investir em um fundo imobiliário?

Quando o imóvel pode ser considerado investimento?

Já entendemos que a casa própria é um bem passivo e não um investimento. Afinal, enquanto se mora nela, ela gera apenas gastos e a sua valorização não é garantia de lucro depois de alguns anos.

Mas isso quer dizer que imóveis sempre são bens passivos? Não!

Quando alguém mantém um imóvel e decide alugá-lo, por exemplo, pode ser considerado um ativo ou até investimento. Afinal, é está rendendo dinheiro para o seu dono.

Se investir em imóveis para alugar vale a pena? Essa é uma conversa longa, pois não são todos os casos em que alugar um imóvel realmente vai ser altamente rentável.

Outra forma de investir em imóveis é com um Fundo de Investimento Imobiliário (FII). São investimentos (renda variável) destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários.

Ou seja, a aquisição de determinada parcela de edifícios comerciais e de outros estabelecimentos.

Além de ser uma forma mais fácil e barata de investir no mercado imobiliário, esses fundos movimentam cada vez mais dinheiro.

Existem pouco mais de 500 fundos de operação no Brasil, sendo 40% deles negociados na Bolsa de São Paulo, a B3. E eles possuem liquidez maior que um imóvel.

Sendo assim, se pensa em investir no mercado imobiliário, saiba que o caminho não é a casa própria. Mas sim, estudando esse mercado e aplicando em bons fundos.

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