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Copom reforça redução moderada no ritmo de corte de juro

BRASÍLIA E SÃO PAULO  –  (Atualizada às 8h55) O Comitê de Política Monetária (Copom) renovou a sinalização de que “uma redução moderada na magnitude de flexibilização na próxima reunião parece adequada sob a perspectiva atual”, conforme ata do encontro realizado na semana passada divulgada pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira.

O documento também detalha as discussões feitas pelo comitê sobre sinalizar os passos seguintes de política monetária, indicando um final gradual do atual ciclo de distensão do juro.

“De forma geral, os membros do Comitê concordaram que, tudo o mais constante, há benefícios em se promover encerramento gradual de ciclos monetários”, afirma o documento. “Um processo gradual facilita a comunicação e permite o acúmulo de mais evidências sobre o comportamento da economia à época de encerramento do ciclo.”

Segundo a ata, os participantes do colegiado também “concordaram que em alguns casos excepcionais a necessidade de antecipação tempestiva do ciclo pode trazer benefícios maiores que os de um encerramento gradual”.

Mas, segundo o documento, no caso atual, os integrantes do Copom avaliaram adequado sinalizar o encerramento gradual do ciclo.

“Avaliando as circunstâncias atuais, o Copom julgou conveniente sinalizar que, caso o cenário básico evolua conforme esperado no momento, o Comitê antevê encerramento gradual do atual ciclo de flexibilização monetária”, afirma o documento.

O colegiado avalia ainda que a atual política monetária tem flexibilidade para reagir a riscos que eventualmente se concretizem tanto para o lado de uma inflação menor quanto para eventos que levem a uma desancoragem das expectativas. O grupo cita como riscos os efeitos secundários do choque de alimentos e a propagação do nível corrente baixo de inflação produzindo inflação prospectiva abaixo do esperado. No outro lado, há o risco de possível impacto inflacionário de um eventual revés do cenário internacional dentro de um contexto de frustração das expectativas com ajustes e reformas.

Na apresentação do balanço de riscos, o BC explica que uma frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. Tal quadro se intensifica em caso de reversão da cena externa favorável para emergentes.

“O processo de flexibilização continuará dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos, de possíveis reavaliações da estimativa da extensão do ciclo e das projeções e expectativas de inflação”, diz a ata.

O Copom voltou a afirmar que o processo de reformas tem potencial para baixar a taxa de juros estrutural da economia. “O Copom entende que o processo de reformas, como as recentes aprovações de medidas na área creditícia, e de ajustes necessários na economia brasileira contribui para a queda da sua taxa de juros estrutural. As estimativas dessa taxa serão continuamente reavaliadas pelo Comitê”, afirma a ata.

Com relação à situação da atividade, o colegiado acredita que “o processo de estabilização da economia se consolidou”. “O conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgados desde a última reunião do Copom mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira”, afirma o documento. “A economia segue operando com alto nível de ociosidade dos fatores de produção, refletido nos baixos índices de utilização da capacidade da indústria e, principalmente, na taxa de desemprego.”

Inflação

O BC projeta que o IPCA ficará ao redor de 3,3% em 2017 e em aproximadamente 4,4% em 2018, conforme a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira.

Nesse cenário, a autoridade monetária leva em consideração as estimativas contidas na pesquisa Focus. A Selic considerada é de 7,25% no fim de 2017, de 7% durante boa parte de 2018 e de 7,5% no fim do ano que vem. Para o câmbio, a hipótese é de uma taxa de R$ 3,20 no fim deste ano e de R$ 3,35 no encerramento de 2018.

Para os preços administrados, o BC trabalha com uma alta de 7,5% neste calendário e de 5,2% no próximo ano.

Fonte: Valor Econômico







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