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Dólar registra queda e bolsa sobe nesta quarta-feira

SÃO PAULO  –  A queda do dólar ganha força no início da tarde desta quarta-feira (4), levando o câmbio brasileiro a um dos melhores desempenhos diários da sessão. O ambiente externo é favorável a boa parte dos emergentes, numa sessão de fraqueza quase generalizada da divisa americana.

O movimento precede o discurso da presidente do Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, hoje. De acordo com operadores, é baixa a expectativa de que a dirigente mudará o discurso de gradualismo no aperto monetário nos Estados Unidos. Ainda assim, deve manter a porta aberta para nova elevação da taxa de juros ainda em 2017.

O aumento das apostas de que o Fed ainda deve alterar as condições monetárias neste ano trouxe ajuste nos mercados de moedas nas últimas globais. No entanto, a correção já parece estar mais pacificada. E começa a entrar na conta dos especialistas como será uma possível substituição na chefia do principal banco central do mundo, com chance de que o sucessor mantenha a postura de Yellen.

A queda do dólar no Brasil também é beneficiada pela perspectiva de entrada de recursos no país com captações externas e sinais de retomada da economia. De acordo com dados divulgados hoje pelo Banco Central, o fluxo cambial em setembro ficou positivo em US$ 2,545 bilhões, voltando a ter superávit depois de três meses. O ganho foi limitado pelo resultado da semana passada, quando houve saída líquida de US$ 404 milhões puxada principalmente pela conta financeira.

Do lado da política, a tramitação da reforma da Previdência ainda no governo de Michel Temer (PMDB) é vista com ceticismo. Isso porque o tempo é curto antes do ano eleitoral de 2018 e pauta deve ficar “travada” com a nova denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Temer pelo menos até a semana de 23 de outubro. 

Na mínima, a divisa americana recuou até R$ 3,1249, deixando o real com o segundo melhor desempenho diário numa lista de 33 divisas globais. A moeda local só perde para a rupia da Índia e é acompanhada de perto pelo rublo russo.

Às 13h43, o dólar comercial cai 0,72%, a R$ 3,1239. O contrato futuro para novembro recua 0,55%, a R$ 3,1380.

Juros

O ambiente externo favorável a emergentes abre espaço para queda dos juros futuros nesta quarta-feira. Na ausência de grandes surpresas, as taxas operam em baixa desde cedo, com variação mais clara nos vencimentos mais longos.

O principal evento programado para a semana só deve vir na sexta-feira (6), com a divulgação do IPCA. Hoje, a inflação contou com novo sinal de fraqueza. O IPC-Fipe desacelerou para 0,02% em setembro, ante alta de 0,10% no mês anterior.

Sem grandes novidades até o momento, o mercado retoma assim a trajetória que tem sido amparada por sinais de recuperação da economia e expectativa de quedas adicionais da taxa básica de juros. Essa combinação tem contribuído para a migração de renda fixa para variável. Ainda assim, as instituições enxergam valor na alocação de capital em títulos e juros futuros.

Por volta das 13h45, o DI janeiro/2018 cai a 7,462% (7,478% no ajuste anterior) e DI janeiro/2019 opera a 7,300% (7,290% no ajuste anterior).

O DI janeiro/2021 cede a 8,820% (8,850% no ajuste anterior). O DI janeiro/2023 é negociado a 9,520% (9,560% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025, a 9,880% (9,910% no ajuste anterior).

Bolsa

Depois da alta de 3,23%, que levou o índice para nova máxima histórica, a bolsa opera sob uma pressão por realização de lucros. Mas o ambiente favorável a esse mercado limita essa força. O Ibovespa oscilou durante toda a manhã ao redor do nível do fechamento, atraindo compradores cada vez que os preços cediam. Os papéis que cedem aos ajustes e caem têm oscilações mais comedidas do que as variações positivas observadas ontem.

Às 13h50, o Ibovespa subia 0,12%, aos 76.858 pontos. Na máxima, tocou 76.967 pontos, ameaçando romper a marca psicológica dos 77 mil pontos. Na mínima, foi aos 76.438 pontos.

Em meio à onda de ajustes, chama a atenção o desempenho de ações que refletem apostas relativas à economia doméstica mostram força. Natura ON lidera os ganhos do índice com alta de 5,97%, Usiminas PNA vem em seguida, com alta de 3,35%, enquanto CCR ON tem valorização de 3,15%.

“O mercado está num momento muito bom porque sabe que as coisas acontecerão de forma lenta, mas que estão tomando o rumo certo”, diz o head de renda variável da CM Capital Markets, Fernando Barroso.

Já as três maiores quedas do horário são Braskem PNA (-1,48%), Santander Unit (-1,38%) e Bradesco ON (-1,35%).

Fonte: Valor Econômico







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