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Dólar se apoia no exterior e avança, enquanto bolsa cai

SÃO PAULO  –  O dólar opera em alta nesta quinta-feira (17), recuperando boa parte do terreno perdido na véspera. O movimento acompanha a queda de outras divisas latino-americanas, a exemplo do peso mexicano e o argentino. Durante a manhã, a moeda brasileira chegou a se destacar negativamente numa lista de 33 divisas globais com o pior desempenho do dia.

No Brasil, o efeito no mercado de moedas acaba sendo ampliado diante das incertezas em torno da agenda de reformas e outras medidas para ajuste de contas públicas. No exterior, a divisa americana ensaia uma recuperação ante os papéis globais após a baixa trazida ontem pela ata da última reunião do Federal Reserve (Fed). O documento mostrou que os dirigentes do BC estão divididos em relação à perspectiva de inflação, sinal de que um aperto monetário mais duro pode não acontecer. Ainda nos Estados Unidos, também chama a atenção dos agentes financeiros o desgaste político do presidente Donald Trump por causa dos conflitos recentes, envolvendo questões raciais no país.

Hoje, o BCE indicou o receio de movimentos excessivos no mercado em caso da redução das medidas de estímulo, contribuindo para a queda de moedas europeias ante o dólar.

No Brasil, prevalece a cautela com a agenda de reformas diante de incertezas em torno do ambiente político. As dúvidas que cercam Brasília vão desde a apresentação de uma nova denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer até o apoio dos parlamentares para as mudanças fiscais e a disputa eleitoral de 2018. Com isso, persistem as dúvidas sobre a capacidade do governo de avançar com a agenda de reformas.

Por volta das 13h50, o dólar comercial subia 0,54%, a R$ 3,1628, revertendo boa parte da baixa de 0,87% da véspera. O contrato futuro para setembro, por sua vez, avançava 0,30%, a R$ 3,1725.

Juros

O mercado de renda fixa volta a denotar a cautela dos agentes financeiros com a cena doméstica. Os juros futuros operam em alta firma, enquanto o prêmio continua a aumentar gradualmente. Parte do movimento é atribuído ao ambiente externo menos favorável a ativos de risco nesta quinta-feira. Sem o amortecedor externo, o efeito das preocupações locais fica um pouco mais evidente.

As agências de classificação de riscos mantiveram, por ora, o rating soberano do Brasil, mas exigem avanço das medidas de ajuste.

O DI janeiro/2021 sobe a 9,460% (9,370% no ajuste anterior).

Nos vencimentos mais curtos, os movimentos são limitados por refletirem as apostas de queda da Selic, mesmo com a melhora das expectativas de crescimento econômico de curto prazo. 

O DI janeiro/2018 marca 8,115% (8,110% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 opera a 8,090% (8,050% no ajuste anterior).

Bolsa

O Ibovespa continuou patinando na casa dos 68 mil pontos, sem força para retomar a trajetória de alta, mas evitando também uma realização de lucros mais forte. O tom negativo que se observou no exterior e as incertezas do lado fiscal seguram o índice. Por outro lado, os sinais de alguma reação da economia, ainda que tênue, impedem uma correção mais expressiva dos preços.

Analistas afirmam que a bolsa precisaria de notícias mais consistentes para romper a barreira identificada pelo mercado para alta, que está fixada nos 69 mil pontos. Trata-se da máxima do ano e, por isso, configura um ponto de resistência importante. E por estar muito perto da máxima história do índice – de 73.516,80 pontos -, a dificuldade em se ultrapassar esse limite fica ainda maior.

Operadores dizem que, se esse ponto for ultrapassado, a bolsa tende a avançar mais. Mas afirmam também que faltam indicadores para que esse movimento ocorra. Seria preciso que notícias mais consistentes do lado fiscal, como uma confirmação da reforma da Previdência – surgissem. Ou ainda que um cenário mais positivo para a retomada da economia se formasse.

Nenhum dos dois elementos parecem o radar. E a preocupação com a aprovação da TLP, considerada fundamental para que o país avance na redução do juro estrutural, pesa contra neste momento.

Por ora, o mercado segue cauteloso e isso justifica a queda de 0,72% do Ibovespa, aos 68.099 pontos, às 14h. Na máxima, o índice foi a 68.596 pontos e, na mínima a 68.068 pontos.

As maiores altas do horário são Lojas Americanas ON (2,91%), Fibria ON (1,65%) e Usiminas PNA (1,52%). A lista das maiores quedas é encabeçada por Eletrobras PNB (-2,79%), Ecorodovias ON (-2,59%) e Smiles ON (-2,28%).

Fonte: Valor Econômico







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