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Dólar segue em queda e bolsa sobe mais de 2%

SÃO PAULO  –  O dólar diminuiu a queda no início da tarde desta segunda-feira (11) mas ainda assim permanece ao redor de mínimas intradiárias desde março deste ano. A melhora da percepção de risco local somada à perda de terreno da moeda americana no exterior seguem como pano de fundo para o movimento.

Por volta das 13h40, o dólar caía 0,22% para R$ 3,0886. Na mínima do dia, foi a R$ 3,0791. O dólar para outubro caía 0,02%, cotado a R$ 3,0955.

Para o sócio da Rosenberg Investimentos Marcos Mollica, do lado político, a prisão de Joesley Batista reduz os riscos relativos a uma eventual segunda denúncia contra o presidente Michel Temer – evento que inspirava preocupação entre agentes do mercado. Além disso, o depoimento do ex-ministro Antonio Palocci enfraquece as chances de uma candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Esse quadro sugere que há alguma chance de haver uma reforma da Previdência, ainda que numa versão mais desidratada. “O mercado ainda está reticente com essa reforma, mas depois dos últimos acontecimentos ela passou a contar com alguma probabilidade”, afirma.

Do lado econômico, os recentes dados de inflação têm mostrado queda, sendo que as coletas diárias de preço sinalizam para deflação. Nesse contexto, o Copom “contratou” ao menos mais um corte de 0,75 ponto e outro de 0,5 ponto da Selic. Ao mesmo tempo, há sinais de retomada “gradual, mas consistente” da atividade.

Já no exterior, o arrefecimento do furacão Irma melhora as condições para ativos de risco, o que sustenta o movimento positivo que se vê nos ativos domésticos.

Juros

Os juros futuros passam por uma leve correção e passam a subir, após a expressiva queda das taxas nas últimas sessões. Segundo profissionais, trata-se de um movimento de ajuste, que não significa uma alteração da visão positiva sobre o atual cenário.

Logo cedo, os contratos tinham fortes quedas e, no caso dos DIs mais longos, algumas mínimas históricas foram renovadas. Esse movimento estava baseado no quadro de inflação baixa e perspectiva de recuo da Selic, assim como na melhora da percepção do risco político.

O que está claro para o mercado é que, ainda que a atividade tenha um resultado melhor do que se esperava, a ociosidade da economia está tão elevada que a inflação não corre qualquer risco. Isso autoriza as apostas em cortes adicionais dos juros. Mas o mercado espera que a ata do Copom, que será conhecida amanhã (12), dê mais consistência a essas apostas.

Outro elemento que entra no jogo é a possibilidade de haver alguma reforma da Previdência. Hoje, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reafirmou via Twitter que as discussões sobre a reforma da Previdência foram retomadas e que a expectativa é que ela seja votada no Congresso em outubro.

Na BM&F, DI janeiro/2019 era negociado a 7,670%, de 7,620% na sexta-feira; DI janeiro/2021 tinha taxa de 8,950%, de 8,910%.

Bolsa

Sustentado pela trégua do ambiente externo, o Ibovespa consolida o bom humor dos investidores com a retomada econômica do Brasil e com a perspectiva de continuidade das reformas do governo, caminhando para um fechamento nas máximas históricas.

Às 13h50, o Ibovespa subia 2,09%, aos 74.605 pontos. 

Na liderança do Ibovespa estão as ações da Eletrobras, cujas ONs sobem 7,21%, a R$ 21,12, enquanto as PNBs avançam 5,23%, a R$ 24,16. No mesmo sentido operam as siderúrgicas, com destaque para CSN (+5,90%, a R$ 10,59), Usiminas PNA (+5,54%, a R$ 8,58) e Gerdau Metalúrgica (+4,19%, a R$ 6,22). 

Somentea Fibria (-0,60%, a R$ 42,98) caía no momento.

Operadores analisam que, na frente internacional, a perda de força do furacão Irma, cujo potencial de destruição era grande, e o arrefecimento das preocupações geopolíticas com a Coreia do Norte estimulam o mercado de Nova York e diminuem a aversão ao risco. Na Europa, as bolsas encerraram em alta.

Na frente doméstica, a prisão ontem de Joesley Batista e Ricardo Saud, da JBS, dá novo fôlego a Temer e suas reformas.

A união desses fatores com a continuidade de indicadores favoráveis para a economia — caso do Boletim Focus de hoje, que mostra aumento das expectativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e nova queda da inflação e dos juros — consolida o cenário para que o índice feche em novos recordes.

Fonte: Valor Econômico







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