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Como a guerra entre Rússia e Ucrânia afeta a economia do Brasil? Entenda!

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Não precisa ser um especialista em geopolítica para deduzir que um conflito como o que acontece entre Rússia e Ucrânia iria afetar a economia mundial. Mas um questionamento que surge é como o Brasil, especificamente, é afetado nessa história. 

Essa pergunta é extremamente válida e todos deveriam prestar atenção nesse tema. Afinal, se a economia é afetada, o seu bolso também é. 

Entender quais são os desdobramentos econômicos do conflito é a melhor arma para se antecipar a possíveis e iminentes impactos financeiros.

A seguir, FinanceOne explica de forma simplificada como as tensões mundiais podem vir a afetar o seu bolso. Para isso, vamos explicar resumidamente do que se tratam esses ataques russos na Ucrânia.

Por que Rússia e Ucrânia estão em guerra?

No dia 20 de fevereiro, o Brasil amanheceu com a notícia de que forças militares da Rússia iniciaram uma ampla invasão na Ucrânia. Mas este conflito é resultado de uma tensão antiga. 

Em entrevista à Agência Brasil, o professor aposentado de História Contemporânea Antônio Barbosa, da Universidade de Brasília (UnB), explica que existem dimensões geopolíticas e históricas relacionadas ao confronto que remontam à Guerra Fria.

“É como se fosse um triângulo com três vértices: de um lado a Rússia, do outro lado os Estados Unidos e o terceiro vértice seria a Europa propriamente dita. E, no meio de toda esta confusão, está um país relativamente pequeno, que é a Ucrânia.”

Um dos principais pontos está no fato de que a Rússia não quer que a Ucrânia se aproxime da Otan – a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que reúne potências como os Estados Unidos, por exemplo – e da União Europeia.

Barbosa explica que após o fim da União Soviética, em 1991, o poder mundial aparente ficou concentrado nas mãos dos Estados Unidos. Com esse ataque, sugere o especialista, Putin quer mostrar que a Rússia continua sendo uma grande potência.

Vale relembrar que a União Soviética ou União das Repúblicas Socialistas Sov­­­­­­­­­­­­­­­iéticas (URSS) foi um Estado socialista que existiu de 1922 até o fim da Guerra Fria, em 1991. 

A URSS se desmembrou em: Rússia, Ucrânia, Armênia, Azerbaijão, Belarus, Estônia, Geórgia, Cazaquistão, Quirguistão, Letônia, Lituânia, Moldávia, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão.

É neste contexto que estão as raízes do conflito entre Rússia e Ucrânia. Esse não é o panorama completo dos conflitos atuais, nem esclarece todas as complexidades da situação. 

Porém, é um ponto de partida para entender o que acontece na Europa agora. Agora sim, vamos entender como isso pode afetar a economia do brasileiro. 

Conflitos entre Rússia e Ucrânia podem afetar economia do Brasil e do mundo

Como a guerra entre Rússia e Ucrânia afeta o Brasil?

Embora estejamos fisicamente distantes do conflito, é inevitável sentir os efeitos econômicos no Brasil do que, provavelmente, é uma das maiores tensões militares desde a Guerra Fria. 

Obviamente, esses efeitos econômicos serão negativos. Não apenas para o Brasil, mas para o mundo. Para começar, a Rússia é um dos três maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo.

Mas para facilitar o entendimento, sem muitas complexidades, dividimos os principais pontos afetados em tópicos a seguir. Além do petróleo, outros insumos e fatores fundamentais da economia brasileira sentirão impacto.

Afinal, os principais produtos exportados pela Rússia somaram US$1,1 trilhão entre 2016 e 2020, com destaque para o petróleo bruto e derivados e combustíveis fósseis (gás natural, carvão), que correspondem a 56,9% do total exportado pelo país e 11% das exportações mundiais desse produto.

Além dos combustíveis, destacam-se o alumínio, com 2,1% das exportações, e o trigo, com 2% das exportações russas e 16% das exportações mundiais.

Já a Ucrânia conta com uma menor participação nas exportações mundiais, totalizando US$100,1 bilhões exportados, sendo que 23,9% das vendas externas ucranianas são compostas por óleo de girassol, milho e trigo, seguida pelo minério de ferro (7%).

No comércio exterior, as vendas de óleo de girassol, milho e trigo correspondem a 19%, 4% e 3% das exportações mundiais, respectivamente.

Petróleo

A Rússia é um dos três maiores produtores e exportadores de petróleo do mundo. Para se ter ideia, ela tem capacidade para produzir mais de 10 milhões de barris por dia. 

Com o conflito na Ucrânia, o preço do petróleo disparou. Logo após Putin anunciar a operação militar, a matéria prima superou os US$100 pela primeira vez em mais de sete anos.

Atualmente, já está cotado a US$120 e especialistas já esperam que o barril pode chegar a US$130. Fato que preocupa, afinal, se o petróleo sobre, seus derivados também, como a gasolina.

Para se ter ideia, mm janeiro de 2022, o preço médio da gasolina era de R$ 6,635, com o valor mais baixo encontrado pela agência sendo de R$ 5,489, enquanto o mais alto foi de R$ 8,029.

Já até a segunda semana de maio, o valor médio da gasolina no Brasil foi de R$ 7,297, o que significa uma alta de exatos 9,97% desde o início do ano.

Alimentos

Outra questão importante é que Ucrânia e Rússia, juntas, exportam 30% do trigo comprado pelo resto do planeta. Isso torna o alimento um dos mais sensíveis neste conflito. 

Com a invasão russa, o alimento atingiu US$9,26 por bushel (que equivale a aproximadamente 27,2 kg) na Bolsa de Chicago. O valor foi 5,7% acima do fechamento do dia anterior.

Mas o aumento já havia começado desde o último dia 17 de fevereiro, quando as coisas começaram a ficar tensas entre os dois países. Somando todos esses dias, o cereal acumulou alta de 17,4%.

Especialistas já apontam que isso vai custar caro para o Brasil, que é um dos maiores importadores de trigo do mundo e importará cerca de 6,5 milhões de toneladas do cereal neste ano.

Vale destacar também que o setor agrícola vai sentir os efeitos das dificuldades de transações comerciais, devido às sanções e barreiras entre os países. 

Há ainda outros alimentos que devem ser impactados, como o milho, já que a Ucrânia vende 17% do que circula dele no mercado mundial. 

Dólar e Bolsa de Valores

Se há conflito e instabilidade política, é claro que o dólar é afetado. As cotações da principal moeda do mundo e também do ouro e petróleo dispararam após tropas russas invadirem a Ucrânia.

E com o dólar afetado, toda uma cadeia de setores relacionados a ele acaba sentindo a onda. 

Para facilitar esse entendimento, sugerimos conferir nosso artigo sobre o que faz o dólar subir ou descer em relação ao real.

Em relação a investimentos o impacto também será sentido. Sempre que há uma crise política, aplicações de maior risco, como ações da Bolsa de Valores, são afetadas. 

Com a invasão russa, ações globais e também títulos do Tesouro americano despencaram. Fora que nesse cenário a tendência é que parte dos investidores busquem mais segurança e isso impulsionou o dólar, que subiu mais de 0,5%. 

Inflação

Os conflitos entre Rússia e Ucrânia também diminuem as chances de um alívio da inflação no Brasil – que já não eram muito altas. 

O mercado financeiro aumentou para 8,89% a projeção para a inflação do Brasil de 2022. A última estimativa, divulgada em 2 de maio, era de 7,89%. 

Em relação à taxa básica de juros, a Selic, as expectativas mantiveram-se em 13,25% ao ano para 2022. Para 2023, no entanto, a projeção saiu de 9,00% para 9,25%.

Criptomoedas

Sim, o conflito Ucrânia x Rússia afeta até elas: as criptomoedas. Embora não tenham uma regulamentação central, esses ativos têm importância no cenário global assim como qualquer outro. Portanto, também são impactados. 

O movimento da Rússia fez o Bitcoin cair para US$35.000 no início do conflito e hoje ela está cotada em US$20.000. Mas se quiser saber mais sobre o impacto nas criptos, leia o artigo: como fica o Bitcoin se houver a guerra na Ucrânia?

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