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Ibovespa realiza lucros acumulados em agosto

SÃO PAULO  –  O Ibovespa optou por um movimento de realização de lucros mais claro nesta quinta-feira (31), último pregão do mês de agosto. Mas, ainda acima dos 70 mil pontos no início da tarde, caminha para preservar o melhor resultado deste ano.

Segundo profissionais, investidores optaram por embolsar parte dos ganhos, que chegaram a ser de 8,20% no acumulado do mês até dia 29 de agosto, quando o índice fechou na máxima de 2017, aos 71.329 pontos.

Assim, às 13h50, o índice cedia 0,24% para 70.713 pontos.

Agosto foi um mês carregado de boas e inesperadas notícias para o mercado. A primeira e mais expressiva, na visão dos analistas, foi a intenção do governo de privatizar a Eletrobras. Mas outros eventos – como o avanço da votação da Taxa de Longo Prazo (TLP), a discussão da sessão onerosa da Petrobras e os sinais mais claros de que o IPO da BR Distribuidora podem sair este ano – reforçaram o ambiente favorável ao mercado de ações.

Esse conjunto de informações fez com que o investidor ampliasse a compra de Brasil. Ou seja, que reforçasse a busca por ações com peso no índice como um todo, sem se restringir a setores específicos.

Um sinal desse movimento é que, em agosto, 27 das 58 ações que compõem o Ibovespa alcançaram a máxima do ano neste mês. E já representantes de vários setores nessa lista: bancos, papel e celulose, empresas de consumo, de energia, siderúrgicas, entre outras.

Curiosamente, as gigantes Vale e Petrobras não marcaram suas máximas nesse mês. No caso da mineradora, o preço chegou muito próximo dessa máxima, de R$ 35,43, alcançada em 20 de fevereiro, quando o mercado reagiu à notícia sobre a conversão das ações PNA em ON. Hoje, a Vale ON é negociada a R$ 34,78 (alta de 1,28%), impulsionada em grande parte pelos ganhos do minério de ferro.

Câmbio

Ao fim de um mês em que registrou performance mais fraca, o real figura nesta quinta-feira (31) entre as divisas de melhor desempenho. Às 14h06, o dólar comercial caía 0,43%, a R$ 3,1484. Na mínima, foi a R$ 3,1378, menor patamar em uma semana. O dólar para setembro caía 0,47%, para R$ 3,1585.

Segundo o profissional de uma corretora bastante ativa em câmbio, o mercado começa setembro “um pouco mais pesado” – expressão do jargão de operadores que significa mais pressão de venda, depois de um mês em que o câmbio mostrou mais vulnerabilidade.

Agosto, de fato, é um mês em que o real ficou “mais barato”. A moeda doméstica cede 0,87% no período, um dos piores desempenhos globais. O recente noticiário político-econômico deu respiro limitado nos últimos dias. No entanto, o mercado começa a ficar mais vendedor à medida que o dólar fracassa em superar resistências – a mais próxima em R$ 3,20.

Ao longo de setembro o câmbio deve voltar a embutir expectativas em torno das rolagens de swaps cambiais tradicionais do Banco Central, já que há um total de US$ 9,975 bilhões nesses contratos com data de vencimento em 2 de outubro.

Juros

A última sessão de agosto é marcada por forte desinclinação na curva de juros da BM&F. A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 – uma medida de risco – cai 14 pontos-base apenas hoje, a maior queda diária desde meados de maio – pouco após o estouro da crise política.

Profissionais do mercado demonstram alguma surpresa com a forte redução do chamado “steepening” da curva nesta sessão. E lembram que essa medida até ontem estava em 214 pontos-base, pico desde o fim de 2013. Mesmo com altos prêmios, o mercado tem adotado um discurso de que a incerteza fiscal ainda limita a disposição do investidor em apostar capital no longo prazo.

Às 14h11, DI janeiro/2023 cedia a 9,790% (9,910% no ajuste anterior).

O DI janeiro/2021 recuava a 9,170% (9,270% no ajuste de ontem).

O DI janeiro/2019 tinha taxa de 7,770% (7,760% no último ajuste).

E o DI janeiro/2018 marcava 7,800% (7,805% no ajuste anterior).

Fonte: Valor Econômico







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