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Juro futuro fecha em alta, com receio de denúncias barrarem reformas

SÃO PAULO  –  Com volume 26% menor que na véspera, o mercado de juros futuros da B3 voltou a experimentar elevação de prêmios de risco nos contratos mais longos nesta quinta-feira. Após o otimismo de ontem por causa da condenação do ex-presidente Lula, da aprovação da reforma trabalhista e do exterior positivo, investidores recompuseram uma parcela das posições mais cautelosas, em meio a riscos de que o governo ainda possa ser surpreendido com mais denúncias nas próximas semanas – o que dificultaria o andamento da agenda de reformas.

A base para o movimento de hoje foi a notícia de que o Palácio do Planalto estaria disposto a levar a votação da denúncia contra o presidente Temer para o plenário do Senado apenas em agosto, depois, portanto, do recesso parlamentar, que começa na próxima semana. Seria uma tentativa de garantir votos suficientes para impedi-la de ser encaminhada ao STF. Embora a estratégia vise uma vitória mais “tranquila”, o receio é que até lá surjam novas notícias que abalem a fidelidade dos deputados ao governo.

Depois do conjunto de notícias de ontem, o mercado voltou a colocar alguma ficha – ainda que mínima – na possibilidade de a discussão da reforma da Previdência voltar à pauta do Congresso ainda neste ano. Mas o cenário-base ainda é que o governo seguirá lutando para se manter de pé, o que faria queo debate sobre as leis previdenciárias continuasse de lado. E a falta de perspectiva clara para um ajuste mais forte das contas públicas justifica a manutenção dos elevados prêmios de risco nas taxas mais longas.

A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 subiu 3 pontos-base nesta quinta-feira, para 163 pontos-base. Embora abaixo de níveis recentes (terminou sexta-feira passada em 176 pontos), esse “spread” continua bem acima dos patamares de 100 pontos-base registrados antes do agravamento da crise política, em meados de maio.

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2023 subia a 10,280% (10,230% no ajuste de ontem). O DI janeiro/2021 avançava a 9,810% (9,760% no ajuste anterior).

Entre as taxas mais curtas, a expectativa de que o Banco Central tenha mais espaço para cortar os juros – com o câmbio em torno de R$ 3,20 por dólar – segurou o viés comprador. O DI janeiro/2019 tinha taxa de 8,650% (8,640% no último ajuste). E o DI janeiro/2018 caía a 8,710% (8,720% no ajuste anterior).

Fonte: Valor Econômico

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