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Marketing multinível x pirâmide: entenda a diferença

Escrito por: Redação em 18 de dezembro de 2017

Marketing multinível x pirâmide são dois termos que a princípio podem parecer a mesma coisa, mas existem diferenças. Uma coisa é certa: a participação em atividades que são acompanhadas de promessas de ganhos rápidos, com pouco ou nenhum esforço e sem informações dos riscos envolvidos, podem ser suspeitas.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) recebe dúvidas e denúncias desse tipo. A autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mesmo atuando apenas no mercado de capitais, tem o dever de fiscalizar atividades e proteger investidores.

A CVM junto à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) lançou o 2º Boletim de Proteção do Consumidor/Investidor sobre a diferença entre marketing multinível e pirâmide para orientar e alertar consumidores e investidores.

Segundo o boletim, existem as empresas que realizam venda direta de produtos e serviços à população, utilizando estratégias diferenciadas de marketing. Nesse caso, na maioria das vezes trata-se do marketing de rede ou marketing multinível que são a princípio, atividades lícitas.

Nesse meio, porém, existem empresas que fazem promessas de altos ganhos em pouco tempo. Junto a isso vem a ideia de que após após o pagamento dos custos de adesão não há exigência de dedicação ou de trabalho real para ter lucros. O consumidor pode acreditar que é um investimento financeiro, quando não é.

Marketing multinível x pirâmide
Marketing multinível x pirâmide: entenda a diferença do que é lícito e dos esquemas de fraude

O que é marketing multinível

A venda direta, através do contato entre o vendedor ao consumidor fora do estabelecimento comercial, é uma das características do marketing de rede ou multinível. Essa venda pode ser de serviços ou bens de consumo, como cosméticos, utensílios domésticos e alimentos e, em resumo, é a venda porta a porta.

O multinível é um dos tipos de venda direta. Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), o modelo multinível, ou Marketing de Rede, é quando além da margem de revenda, o revendedor também indica pessoas que podem indicar outras e, sucessivamente, formar uma organização de vendas. Além disso, o revendedor ganha uma porcentagem nas vendas de todas as pessoas indicadas por ele, direta ou indiretamente.

O outro tipo de venda direta pela sua forma de remuneração é o mononível. Nesse formato, o vendedor é remunerado apenas pelos produtos que ele mesmo vende. Os vendedores fazem todos parte de um mesmo nível, recebendo exclusivamente por aquilo que vendem.

No modelo multinível, como além da remuneração pela venda de produtos o vendedor recebe pelos vendedores que ele atrai direta ou indiretamente, caracteriza-se aí o formato. É um modelo em que cada vendedor está em um nível, já que um pode receber mais que outros em função da quantidade de vendedores por ele atraídos.

Vantagens da venda direta

Segundo o boletim elaborado pela CVM e a Senacon, os principais benefícios da venda direta são a possibilidade de um atendimento diferenciado para o consumidor, flexibilidade de horários para o vendedor e, para a empresa, é uma forma de atingir um público maior.

A ABEVD esclarece que no marketing multinível o revendedor não terá ganhos de maneira fácil. Para lucrar, ele precisará construir seu negócio como um empresário do varejo tradicional. Precisará vender produtos ou serviços aos seus clientes, indicar revendedores, capacitar equipes e gerir o negócio. Saiba os negócios em alta para 2018.

O que é a pirâmide

O 2º Boletim de Proteção do Consumidor/Investidor alerta para a forma de estruturação do marketing multinível. Se utilizado indevidamente por pessoas que estejam mal intencionadas, pode se caracterizar como pirâmide, prática irregular e ilegal.

O informativo explica que a pirâmide é um esquema irregular e insustentável do ponto de vista de captação de recursos. Esse modelo funciona com lucros que são pagos com aportes de novos participantes, ou seja, aqueles que pagam um investimento inicial para aderir à estrutura.

A pirâmide desenvolve-se a medida que novos membros aderem, até a velocidade de adesão não ser suficiente para pagar todos. Os atrasos nos pagamentos levam ao desmoronamento desse esquema, gerando prejuízos principalmente para os últimos a aderirem, que não terão tempo de receber pelo “investimento inicial”.

A pirâmide esconde-se atrás de um negócio legítimo. Os golpistas podem utilizar anúncios de investimentos, até mesmo de resgates enquanto há recursos dos novos participantes, e ofertas de trabalho. Como em casos internacionais, os golpes são anunciados como oportunidades de um negócio de venda direta com o modelo de remuneração multinível.

Por que a pirâmide é ilegal

A ABEVD explica que no esquema da pirâmide, os produtos e serviços não possuem valor comercial e por vezes nem existem. É aí que entram as promessas de remuneração quase sem esforço, porque o retorno é em cima da indicação de outros indivíduos ao esquema, sem precisar vender.

No esquema o recrutamento de “novos investidores” é estimulado, atrelado à promessa do dinheiro fácil e rápido. Quem ganha na verdade são os primeiros a entrar no negócio, independentemente do esforço. Por isso, é considerado ilícito, segundo a ABEVD.

Um dos casos mais conhecidos de esquema de pirâmide é do Telexfree, nome fantasia da empresa brasileira Ympactus Comercial S/A. Segundo o portal de notícias G1, o caso deu-se no sistema criado pela empresa, em que cada novo membro comprava um “pacote” que remunera os membros acima na cadeia. O novo membro teria sua parte recrutando outros.

A empresa atuava através de serviços de telefonia VoIP (por meio da internet). A pirâmide acontecia quando o “divulgador” precisava pagar uma taxa de adesão de US$ 50. Com isso, poderia comprar pacotes de contas com desconto. Um pacote com 10 contas, por exemplo era US$ 289 e um com 50 contas custa US$ 1.375. Cada conta individual custava US$ 49,90 por mês.

O lucro do divulgador vinha quando ele vendia essas contas aos usuários e estimulava que eles se tornassem revendedores, no sistema de marketing multinível. A análise do Ministério Público Federal (MPF) constatou ser um negócio insustentável, já que as pessoas na base não teriam retorno.

O marketing multinível x pirâmide

1 – O marketing multinível tem a venda direta de um produto ou serviço, enquanto a pirâmide não tem venda ou mascara essa inexistência cobrando valores acima dos praticados pelo mercado daquele produto ou serviço;

2 – No marketing multinível o ganho é proporcional ao esforço e na pirâmide quem está no topo recebe mais;

3 – A venda direta gera e recolhe impostos e na pirâmide isso não ocorre muitas vezes.

4 – A venda direta tem a garantia de devolução ou de desistência do negócio, enquanto na pirâmide essa possibilidade muitas vezes não existe.

5 – O marketing multinível tem forte investimento no treinamento e a pirâmide foca do rápido enriquecimento.

6 – As empresas de venda direta estão vinculadas à ABEVD e à WFDSA (World Federation of Direct Selling Associations) e cumprem um código de ética. Na pirâmide, não há código de ética.

Redação

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