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Mercado de renda fixa tem reação morna após definição da meta fiscal

Escrito por: Redação em 16 de agosto de 2017

SÃO PAULO  –  A confirmação de metas fiscais distantes dos R$ 170 bilhões e da manutenção do “rating” soberano pela S&P ficou longe de causar euforia entre investidores do mercado de renda fixa. As taxas de juros até tiveram viés de queda em relação ao ajuste de ontem, mas subiram comparadas aos níveis de fechamento, num indicativo de que o mercado considerou as notícias, na melhor das hipóteses, neutras.

Entre analistas, um ponto bastante citado é a percepção de que a trajetória da dívida pública continuará ruim — e por mais tempo. Para 2019, primeiro ano do próximo governo, a estimativa é de déficit de R$ 139 bilhões para o governo central e, para 2020, quando estava previsto o primeiro superávit desde 2013, o cenário aponta saldo negativo de R$ 65 bilhões.

“O que estamos projetando é que a mesma curva de recuperação do resultado primário vai acontecer, no entanto, com um ano de deslocamento. Portanto, o que antes tínhamos previsto superávit de R$ 10 bilhões estamos prevendo para o ano seguinte, que é 2021”, disse o ministro do Planejamento, Dyogo de Oliveira.

Embora longe de um movimento compatível com piora expressiva de percepção de risco, o mercado não “comprou” totalmente as explicações do governo. Mesmo a S&P, que manteve o “rating” do Brasil, não deixou de emitir alertas. A diretora-gerente para “ratings” soberanos da agência, Lisa Schineller, deixou claro que mudanças precisam acontecer no curto prazo. Na mesma linha, a Moody’s afirmou que a revisão da meta fiscal, anunciada na noite de terça (15), pelo governo para este ano não afeta materialmente o cenário-base para o país. Já as alterações para os próximos anos não estavam nas contas da agência de classificação de risco.

Previdência

Para Nicolas Saad, gestor de renda fixa da Western Asset Management no Brasil, a condição das contas públicas ainda exige preocupação, e o mercado, apesar da paciência, quer alguma sinalização ainda neste segundo semestre em torno da reforma da Previdência. “O problema mesmo é se o mercado perceber que, por causa da agenda eleitoral, a Previdência ficará para 2019”, alerta.

Mauricio Oreng, economista-chefe para Brasil do Rabobank, chama atenção ainda para as aparentes “divergências” dentro do governo em torno das medidas a serem tomadas, o que amplia a sensação de incerteza quanto à evolução da dívida pública e à aprovação o quanto antes da reforma previdenciária. E, ainda que até lá os mercados não mostrem uma deterioração expressiva mesmo com algumas decepções no front fiscal, os ativos domésticos parecem hoje mais vulneráveis a uma virada de humor internacional.

“Se o Fed apertar a política monetária de forma mais rápida, por exemplo, o mercado vai passar a ver a metade vazia do copo. Hoje, ainda vê a metade cheia. […] Sem pelo menos a idade mínima, o Brasil fica no ‘fio da navalha’ em caso de piora no exterior.”

Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2018 caía a 8,115% (8,135% no ajuste anterior). O DI janeiro/2019 tinha taxa de 8,050% (8,060% no último ajuste), em alta frente ao fechamento de ontem (8,030%). O DI janeiro/2021 recuava a 9,360% (9,380% no ajuste de ontem), mas subia ante a taxa de 9,340% do encerramento da véspera. E o DI janeiro/2023 indicava 9,950% (9,970% no ajuste anterior) e 2 pontos-base acima do fechamento de terça (15).

Fonte: Valor Econômico

Redação

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