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Monitor do PIB aponta recuo no trimestre móvel terminado em abril


São Paulo, 16/06 (Enfoque) –

O Monitor do PIB-FGV de junho, com informações até abril do corrente ano, mostra recuou de 0,86% no trimestre móvel terminado em abril, comparado com o trimestre imediatamente anterior, a menor retração em quatro trimestres consecutivos. Com relação ao mesmo período do ano anterior, o trimestre móvel findo em abril apresentou queda de 4,6%, a retração menos negativa em três meses consecutivos. Embora ainda negativos, estes resultados podem estar apontando para reversão no declínio da atividade econômica”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.
  Neste número, o Monitor do PIB-FGV (ver apêndice com nota explicativa) detalha os seguintes resultados, conforme a tabela Excel anexa:

1) A taxa mensal do PIB recuou 1,1% em abril, com relação a março, na análise da série dessazonalizada. Ainda nesta série, o trimestre móvel fev-mar-abr, comparado ao trimestre nov-dez15-jan, apresentou retração de 0,86%; a menor queda em quatro trimestres consecutivos, conforme ilustrado no Gráfico 1.

Grafico1MP


2) A taxa mensal de abril do PIB, comparada a abril do ano passado, apresenta queda de 4,2%. Das 12 atividades que compõem o PIB, apenas, eletricidade (+6,0%), serviços imobiliários (+0,2%) não apresentam taxas mensais negativas contra igual mês do ano anterior. Embora tenham mostrado retração menor em abril do que a apontada em março, os piores resultados são da extrativa mineral (-10,6%), indústria de transformação (-6,7%) e comércio (-9,1%).

3) Com relação ao mesmo período do ano anterior, o trimestre móvel findo em abril apresentou queda de 4,6%, a retração menos negativa em três meses consecutivos. A indústria e serviços também apresentaram as menores retrações dos últimos três meses (-5,7% e -3,2%, respectivamente).

4) A taxa acumulada em 12 meses do PIB, até abril, continua em trajetória de queda (-4,8%). Essa taxa é negativa há 16 meses e é a menor registrada em toda a série histórica.

5) Com relação ao mesmo período em 2015, o Consumo das Famílias apresentou queda de 6,5% em abril, e o trimestre móvel fev-mar-abr apresentou retração de 5,8%, com taxas negativas em todos os bens de consumo, (ver Gráfico 2). Apesar do patamar negativo, a taxa trimestral do Consumo das Famílias, contra igual período do ano anterior, mostra resultados melhores, em abril, do que os registrados nos primeiros meses de 2016, a exceção de serviços que ampliou a queda, em abril, para -1,4%.

grafico2MP


6) A Formação Bruta de Capital Fixo apresentou crescimento de 0,07% no trimestre findo em abril, com relação ao trimestre nov-dez-15-jan – a primeira taxa trimestral positiva, nesta comparação, após cinco trimestres consecutivos de quedas. A taxa mensal de abril, comparada a abril de 2015, mostrou recuo de 12,7%, a taxa menos negativa registrada em 2016 na Formação Bruta de Capital Fixo, nesta comparação. O trimestre móvel fev-mar-abr, comparado com o mesmo período de 2015, recuou 15,8%, taxa esta que também é a menos negativa registrada em 2016 para a Formação Bruta de Capital Fixo, nessa comparação. O componente ‘máquinas e equipamentos’ também tem mostrado menores quedas, apesar de ainda apresentar taxas de variação muito negativas (-31,9% no trimestre findo em abril comparado ao mesmo período em 2015).
 

grafico3MP


7) As Exportações continuam apresentando taxa positiva, na comparação do trimestre móvel terminado em abril, comparado com o trimestre nov-dez15-jan (6,62%). A variação mensal de abril, comparada a abril de 2015, foi positiva em 11,7%. A taxa trimestral continua em expansão chegando a 15,9%, no trimestre findo em abril, comparado ao mesmo período do ano anterior. Todos os componentes apresentam taxas de crescimento positivas elevadas, no trimestre móvel fev-mar-abr comparado com o mesmo período de 2015, à exceção de serviços que continua com taxa de variação negativa (-9,6%), nesta comparação, embora menos negativa do que a registrada no 1º trimestre de 2016.

grafico4mp


8) As Importações, apresentaram crescimento de 0,85% no trimestre findo em abril, comparado a nov-dez-15-jan – a primeira variação positiva, nesta comparação, após sete trimestres consecutivos de retração. Na comparação do trimestre móvel fev-mar-abr com o mesmo período em 2015, a taxa de varação recuou em 17,2%. Com exceção da taxa dos produtos agropecuários e dos bens de consumo não duráveis todos os demais componentes apresentaram taxas de variação negativas.
 

grafico5mp


APÊNDICE – NOTA EXPLICATIVA
O Monitor do PIB-FGV estima mensalmente o PIB brasileiro em volume. O objetivo de sua criação foi prover a sociedade de um indicador mensal do PIB, tendo como base a mesma metodologia das Contas Nacionais do IBGE. Sua série inicia-se em 2000 e incorpora todas as informações disponíveis das Contas Nacionais do IBGE (Tabelas de Recursos e Usos, até 2013, último ano de divulgação) bem como as informações do PIB-Tri do IBGE, até o último trimestre divulgado.

O indicador é ajustado ao PIB-Tri do IBGE sempre que há mudanças metodológicas e a cada trimestre divulgado. Ou seja, nos trimestres calendários, as médias trimestrais dos índices de volume do Monitor do PIB-FGV serão iguais aos indicadores trimestrais, sem ajuste sazonal, do PIB-Tri do IBGE. Além disto, são utilizados os mesmos modelos do IBGE para calcular todas as séries desagregadas com ajuste sazonal, tanto pela ótica da oferta, como da demanda.

Assim, as estimativas do Monitor do PIB-FGV antecedem o PIB-Tri do IBGE nos meses em que este é divulgado. E, nos meses em que não há divulgação, o Monitor representa uma excelente antecipação para as tendências do PIB e seus componentes.

O Monitor do PIB-FGV compõe-se de um relatório descrevendo os principais resultados com ilustrações gráficas e de uma tabela Excel com informações das 12 atividades econômicas que agrupadas formam os 3 setores de atividade (agropecuária, indústria e serviços). Apresenta, ainda, o Valor Adicionado a preços básicos, os impostos sobre os produtos e o PIB. Apresenta também os componentes do PIB pela ótica da demanda. Outro ponto a ser destacado é que o Monitor torna disponíveis desagregações que não são divulgadas pelo IBGE, mas que são relevantes para um melhor entendimento da absorção doméstica e da demanda externa. As desagregações disponibilizadas pelo Monitor são:

Consumo das Famílias: bens de consumo duráveis, semiduráveis, não duráveis e serviços. Adicionalmente eles são classificados em nacionais e importados;

Formação Bruta de Capital Fixo: em máquinas e equipamentos, construção e outros. Para máquinas e equipamentos e outros, há a desagregação entre nacionais e importados;

Exportações e Importações: em produtos agropecuários, produtos da extrativa mineral, produtos industrializados de consumo (duráveis, semiduráveis e não duráveis), produtos industrializados de uso intermediário, bens de capitais e serviços.

(por Oscar Brandtneris)


Fonte: Enfoque
Publicado em: 16/06/2016 08:56:10

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