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Opinião: As expectativas de inflação vão cair com o IPCA-15 zerado.

Escrito por: Redação em 22 de julho de 2014


São Paulo, 22/07 (Enfoque) –

(Por Pedro Paulo Silveira) – Hoje o IBGE divulgou a inflação de julho medida pelo IPCA-15. O índice utiliza a mesma metodologia de pesquisa do IPCA, que é o índice oficial de inflação, utilizado pelo banco Central para calibrar a política monetária. A única diferença entre os dois é o período de coleta: o IPCA coleta os preços dentro do mês e o IPCA-15 o faz entre o dia quinze do mês anterior e o dia quinze do mês corrente1. E o índice surpreendeu para baixo: veio em 0,17% quando eram esperados 0,23%. Esse número confirma, novamente, que a inflação ESTÁ DERRETENDO. Mas como o clima eleitoral contamina todos os meios de comunicação, o leitor é obrigado a se deparar com manchetes que desvalorizam o fato de a inflação corrente estar praticamente ZERADA e superestimam o fato de inflação acumulada em doze meses “ter estourado a meta”.


“Estourar a meta” assusta qualquer um e praticamente nos diz: as coisas estão realmente fora do controle no que diz respeito à inflação! Mas 0,17%? Sugiro que o leitor, caso tenha interesse, leia o meu “post” de 18 de junho, http://pepasilveira.blogspot.com.br/2014/06/inflacao-um-bicho-domado.html , e verá que o “problema inflacionário” deixou de ser um pesadelo. Veja os gráficos atualizados do IPCA-15:





Apesar da inflação acumulada em doze meses ter ficado em 6,51%, 0,01% acima do que é a meta para o BC cumprir entre janeiro e dezembro,  ela se desacelerou fortemente. Quando a inflação sobe e “estoura” a meta dada ao BC pelo Conselho Monetário Nacional, a diretoria tem que exibir um “mea culpa” e explicar porque a inflação ultrapassou a meta e como a autoridade pretende leva-la ao centro novamente. Isso realmente é um problema? Há quem diga que sim e vários deles foram formuladores do plano real. Muitos se mostram dispostos a argumentar que é necessário conseguir uma inflação menor  e que a inflação atual é uma ameaça ao “patrimônio” construído com a introdução do real, vinte anos atrás.  Ainda que o mundo inteiro esteja às voltas com o problema inverso  – falta de inflação e não excesso  – e ainda que os grandes desafios econômicos tenham escapado ao controle do Sistema de Metas de Inflação1 , os mercados e os formadores de opinião ainda consideram o problema do “teto” um grave sintoma de descontrole. Mas ele está longe de ser um “privilégio” dessa diretoria do BC; veja o quadro abaixo:



Na história do Sistema de Metas de Inflação o IPCA sempre esteve entre o centro e o teto, escapando algumas vezes para cima e algumas para baixo. Veja o histórico do Sistema de Metas na página do BCB: http://www.bcb.gov.br/pec/metas/tabelametaseresultados.pdf . As causas da persistência da inflação no atual patamar estão muito mais ligadas ao grau de indexação de nossa economia, à enorme vulnerabilidade de nossa economia aos choques externos, à taxa de crescimento acelerada do período de 2004/2011, à alta das matérias primas e das altas reais dos rendimentos urbanos, que foram consequência do crescimento acelerado. O gráfico abaixo mostra a evolução dos rendimentos reais nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil:



Após a enorme queda dos salários reais entre 2002 e 2003 – decorrente do apagão elétrico e das enormes turbulências eleitorais – os salários subiram continuamente acima da inflação, com uma média de valorização anual de 3%. No mesmo período as matérias primas sofreram forte valorização por conta do crescimento dos países emergentes e, simultaneamente, as taxas de juros reais caíram como nunca haviam caído. Com a alta dos salários e das matérias primas simultaneamente, e dada nossa grande abertura comercial, parte das altas virou inflação e parte virou queda dos lucros empresariais. E essa queda dos lucros empresariais não emperrou os investimentos para baixo porque as taxas de juros reais estavam caindo, possibilitando a “acomodação” dos lucros em um nível menor3. Portanto, a maior “façanha” econômica da última década foi a promoção de uma enorme transferência de renda na direção inversa à que era feita em todas a décadas anteriores; houve um deslocamento da renda para os trabalhadores em detrimento dos detentores de ativos financeiros. Essa “façanha” foi, na verdade, a grande responsável pela melhora do perfil da renda e dos empregos. Mas em nenhum momento  a inflação gerada pelo crescimento afetou de forma grave os Investimentos, muito menos agora. Ela subiu e caiu, com as razões que tenho monitorado no Blog, e os Investimentos estão em queda por outro fator: a crise global e a queda na confiança. Em relação a esse último fator, aliás, o próprio FHC confirma, segundo o Infomoney: “FHC: “Agentes econômicos perderam a confiança em Dilma” http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/3470113/fhc-agentes-economicos-perderam-confianca-dilma“.


A inflação está caindo porque a atividade está despencando e não o contrário, tal como afirmado por muitos, inclusive FHC. O que precisamos saber – e essa é uma resposta que ninguém tem – é como retornar aos PIB´s de 4,5% ao ano, em meio a esse mundo cada vez mais hostil ao crescimento.


Se eleito, o governo tucano terá uma breve lua de mel com os mercados, que voltarão, logo em seguida,  a fazer o que sempre fizeram: tentar emparedar as políticas econômicas do Brasil. Assim tem sido sempre e o próprio PSDB foi uma de suas grandes vítimas: a enorme falta de Investimentos, que levou ao super-apagão de 2001,  decorreu das imposições do FMI e dos mercados. Tentar comprar a confiança dos mercados é altamente tóxico ao crescimento, ainda que isso seja inevitável.


(1) Herança da época de altas inflações, que perdurou por todo o século XX até os anos 1990, quando foi introduzido o real. A inflação era tão elevada que os agentes precisavam ter notícias a seu respeito toda semana, quando não, todos os dias. Por isso temos a inflação divulgada semanalmente pela Fipe e pelo Ibre-FGV (IPC´s quadrissemanais), as inflações de dez dias apuradas pelo Ibre-FGV (decêndios do IGP, IGP-M e IGP-10) e os IPCA’s do IBGE (IPCA e IPCA-15). Há mais outros índices de inflação, mas eles perderam completamente o sentido nos dias atuais.
(2)  O Sistema de Metas de Inflação foi inútil para conter a crise de 2008 e a aprofundou em alguns lugares e, no caso brasileiro, ficou claro, após quinze anos de sua implementação,  que não é capaz de “zerar” a inflação sem um custo enorme em termos de emprego e investimentos públicos.
(3) A teoria econômica é consensual em admitir que o Volume de Investimentos é inversamente proporcional às taxas de juros reais. Portanto, quanto maiores os juros, menores os Investimentos. É por isso, inclusive, que os grandes bancos centrais estão lutando para manter os juros reais mais longos em níveis extraordinariamente baixos. Juros reais em baixa tendem a fazer os Investimentos subir.

Pedro Paulo Bartolomei da Silveira é economista pela FEA-USP. Trabalhou em diversas instituições financeiras, desde 1983, seja em suas áreas de operações, seja como Economista. Hoje é gestor e possui o Blog “Sociedade, economia e política.  http://pepasilveira.blogspot.com.br/


(por André Teixeira)


Fonte: Enfoque
Recebido em: 22/07/2014 14:50:31

Redação

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