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Percepção de ganho de força por Temer leva à queda de juros futuros

Escrito por: Redação em 5 de setembro de 2017

SÃO PAULO  –  Os juros futuros de longo prazo foram os principais alvos de venda dos investidores nesta terça-feira, renovando as mínimas históricas. O movimento foi estimulado pela leitura de que o presidente Michel Temer (PMDB) estaria um pouco mais fortalecido contra uma eventual nova denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR), podendo garantir, por ora, a governabilidade para avançar com a agenda reformista.

No fim da sessão regular, às 16h, o DI janeiro/2021 caía a 9,080% (9,200% no ajuste anterior). O DI janeiro/2018 cedia a 7,740% (7,760% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 recuava a 7,800% (7,810% no ajuste anterior).

A diferença entre juros longos e trechos mais curtos dos DIs registra hoje uma das maiores quedas diárias no ano. Entre o DI janeiro de 2021 e o DI janeiro de 2019, a inclinação recua 0,11 ponto percentual, para 1,28 ponto no fim da sessão regular. Se mantida até o fechamento, a baixa será a mais acentuada desde 23 de maio quando foi de 0,17 ponto.

A leitura no mercado é que as provas que serviriam de base para uma nova ofensiva da PGR contra Temer perderam credibilidade. Isso porque o próprio procurador-geral Rodrigo Janot alertou sobre irregularidades no acordo de delação premiada de executivos da JBS. A denúncia agora teria poder menor de enfraquecer a governabilidade de Temer ou atrapalhar a tramitação das medidas econômicas no Congresso.

“A denúncia estava prestes a sair e agora o governo ganha argumentos para enfrentar qualquer acusação que venha da JBS”, diz o executivo de uma gestora paulista. Ele aponta que já era notável o prêmio embutido nos trechos longos da curva, devido às dificuldades percebidas de avanço da agenda de reformas e os riscos políticos. “Pelo menos um ponto traz menos ameaça para o cenário”, acrescenta.

Nesse arcabouço de novos argumentos, entraria até a iniciativa do Congresso Nacional de instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito para apurar, entre outras questões, os procedimentos do acordo de delação premiada da JBS. “Vai tudo na direção de enfraquecer a delação premiada da JBS e o governo parece estar mais próximo de vencer a disputa com a PGR”, acrescenta o gestor.

A perspectiva não se traduz linearmente em ganho de apoio para aprovação da reforma da Previdência. “É um obstáculo muito maior que outras votações, como criação da TLP (Taxa de Longo Prazo) e a reforma trabalhista”, diz Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos. Até por isso, mesmo com um alívio no cenário, as medidas de risco no mercado permanecem elevadas, principalmente, se comparadas aos níveis anteriores ao estouro da crise política em meados de maio.

Fonte: Valor Econômico

Redação

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