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Economia brasileira tem recuperação mais lenta desde 1980

Escrito por: Rafael Massadar em 5 de setembro de 2019

A economia brasileira passa pela mais lenta recuperação desde 1980. É o que aponta o estudo da pesquisadora Juliana Trece, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

a economia brasileira

Segundo o seu levantamento, a economia brasileira passa por um período de expansão mais fraco da história nacional. Isso se considerarmos os últimos 40 anos.

Esse cenário acontece apesar de o país estar em um período de expansão desde o 1º trimestre de 2017.

E já contabilizado o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2019, último dado divulgado pelo IBGE.

O que foi analisado?

A pesquisadora do FGV IBRE fez uma análise desagregada do PIB. E o que ela constatou?

Oito atividades econômicas, das 12 analisadas, estão com o pior crescimento por trimestre, nos períodos de expansão, desde 1980. Portanto, este cenário não é nada animador.

Principalmente tendo em vista que o Brasil passou, recentemente, por um dos piores períodos recessivos de sua história.

Seja com relação ao tempo de duração (11 trimestres), seja com relação à intensidade (retração de 8,2% do PIB, no período).

Contudo, o que mais tem chamado atenção nesse último ciclo é a lenta expansão da economia após a saída da recessão.

“Do 1º trimestre de 2017 até o 2º trimestre de 2019, a economia só cresceu 3,7%”, explica Juliana Trece.

Economia brasileira nunca esteve em situação tão ruim

A economista observa que 21 trimestres após o início das recessões, a economia brasileira nunca havia estado em situação tão ruim quanto atualmente. Principalmente, em termos de recuperação do nível pré-crise.

Por que foi escolhido o período de 21 trimestres no estudo? Por ser o tempo máximo com informações disponíveis do 2º trimestre de 2014 (início da última recessão) até o 2º trimestre de 2019.

A constatação é que o PIB ainda está 5,0% abaixo de seu nível pré-recessão. Apesar de mais de dois anos de expansão.

Juliana Trece lembra que em apenas duas ocasiões apresentaram retração: nos 21 trimestres após iniciada uma recessão, que foram nas recessões iniciadas em 1987 e 2014.

No entanto, os 21 trimestres após a recessão iniciada em 1987, incorporaram também informações da recessão iniciada em 1989. Enquanto que a recessão de 2014 contabiliza a perda de um período recessivo apenas, pondera a pesquisadora do FGV IBRE.

Enquanto que a recessão de 2014 contabiliza a perda de um período recessivo apenas, pondera a pesquisadora do FGV IBRE.

Alerta!

Juliana Trece alerta que de alguma maneira, parece que a economia não tem fôlego para impulsionar uma retomada mais robusta. Situação parecida não foi observada nem mesmo na década de 1980, conhecida como “a década perdida”.

“Em meio a uma crise fiscal preocupante, com uma relação dívida bruta/PIB próxima a 80% e incertezas com relação à aprovação de medidas para buscar solucionar os problemas macroeconômicos do país, a economia não tem conseguido reagir”, observa a economista.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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