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Queda das bolsas de valores no mundo: entenda as causas

Escrito por: Mateus Carvalho em 13 de março de 2020

Um dos assuntos mais comentados da semana foi a queda das bolsas de valores em todo mundo. Mas qual foi o motivo para que isso acontecesse? Quais as consequências que essa queda pode trazer? 

Na última terça-feira, 10 de março, o mercado financeiro começou o dia sofrendo com a queda das bolsas de valores de todo o mundo. As primeiras foram as asiáticas, seguidas das bolsas europeias e depois as das Américas. 

O dólar se aproximou de R$4,75 e, a bolsa de valores do Brasil, conhecida como B3, teve uma queda superior a 11%. 

O motivo desses números se deu por conta da crise mundial do coronavírus (a Covid-19) e também por causa da guerra de preços do petróleo, entre Arábia Saudita e Rússia.

Queda das bolsas de valores: necessidade de acionar o circuit breaker

Uma forma encontrada pela B3 para tentar fazer com que as ações parassem de cair foi acionar o circuit breaker. Para quem não sabe, este é um mecanismo de segurança que é utilizado para interromper todas as operações da bolsa de valores. Esta que foi suspensa a 88.178 pontos.

As negociações ficaram paradas por 30 minutos, porém não foi o suficiente para acalmar os ânimos no mercado financeiro. O pregão voltou ainda em baixa e no decorrer do dia as perdas aceleraram ainda mais. 

A queda das bolsas de valores em todo o mundo foi ocasionada pela Covid-19

A bolsa de valores fechou em queda de 12,17% para 86.067 pontos. Esta foi considerada a maior queda percentual diária desde 10 de setembro de 1998. 

Petróleo foi uma das razões para queda das bolsas de valores

A disputa de preços entre a Arábia Saudita e Rússia em torno do petróleo é um dos motivos da queda das bolsas de valores. É importante frisar que a Arábia é Membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O país aumentou a produção do petróleo após o governo de Vladimir Putin decidir que não iria aderir ao acordo para reduzir a extração em todo o mundo. 

E o aumento da produção, em um cenário de queda mundial de demanda por conta do Covid-19, fez a cotação do barril do petróleo iniciar o dia com uma queda superior a 30%.

Ao final do dia, o barril do tipo Brent era vendido por US$31,13, uma queda de 24,6%. É importante lembrar que essa foi a maior queda no preço internacional para um dia, desde a Guerra do Golfo, em janeiro de 1991.

Em entrevista ao FinanceOne, Álvaro Villa, economista e responsável pela mesa de operações da Messem Investimentos, explica que grande parte do Produto Interno Bruto (PIB) da Rússia vem da produção do petróleo e carvão.

“Se a Rússia tem a metade da receita dela de Petróleo cortada, vai ter uma receita muito menor para saldar as contas dela. É um problema de ordem institucional. E o impacto disso vai levar, em algum momento, a um acordo, já que é um caso de pessoas que precisam tomar decisão”, revela.

Ações da Petrobras sofrem queda de 28%

No Brasil, isso afetou diretamente as ações da Petrobras, maior empresa brasileira capitalizada na bolsa.

Para se ter uma ideia, ao final do dia os papéis ordinários da empresa, que são com direito a voto em assembleia de acionistas, caíram 28%.

Já os papéis preferenciais, que dão preferência na distribuição dos dividendos, caíram 29,7%.

De acordo com Petrobras, a extração do petróleo na camada pré-sal somente é viável quando a cotação do barril está acima de US$45.

“Dessas empresas, a Petrobrás é a principal que impacta. Além de o Brasil ser um país de commodities e exportador de commodities. E o sinal que logo apita para os fundos: commodities estão em queda”, diz Viila.

O especialista ainda ressalta que grande parte da produção da Petrobras é para suprir ainda o mercado interno. “Então acaba ficando inerte quando ela vende petróleo, mas compra gasolina. O dólar acaba não impactando a receita dela”.

“Olhando para impactos, em curtíssimo prazo, a gente vai ter esse tipo de oscilação, quando tem um movimento desses”.

Álvaro Villa

Confronto EUA x Irã e coronavírus são outros motivos

Além da disputa de preços em torno do petróleo, houve ainda outros dois importantes fatores mundiais que afetaram as bolsas de valores.

A sua queda também foi ocasionada, por exemplo, pela guerra anunciada entre Estados Unidos e Irã. Isso começou em janeiro, quando os dois países aumentaram a tensão no Oriente Médio e se estranharam em um atrito geopolítico.

Um bombardeio comandado pelos Estados Unidos em um terminal de Bagdá, na região do Iraque, acabou matando um general iraniano, que era considerado herói do país – que chegou a simular um possível conflito armado, o que elevou o preço do petróleo.

Outro fator que motivou a queda das bolsas de valores foi o novo vírus que surgiu, também, em janeiro, após uma ameaça do coronavírus na China. A doença contaminou mais de 10 mil pessoas em poucos dias e matou centenas.

A queda na bolsa de valores com o coronavírus será, principalmente, pelo fato de as pessoas evitarem cada vez mais de saírem de suas residências para qualquer tipo de ação social ou financeira. 

Os consumidores terão cada vez mais medo de contrair o vírus e deverão suspender as suas principais atividades. Isso afeta bastante a economia mundial.

Em momento de queda, é melhor ficar de fora ou entrar?

Quem não entende muito ou é iniciante no mercado financeiro pode se perguntar se o momento de queda na bolsa de valores é propício para entrar ou para assistir de fora. A melhor resposta é aguardar do lado de fora tudo se estabilizar.

Esses momentos de quedas e inconstâncias no mercado das bolsas de valores não são os melhores para comprar ações e investir. A menos que você seja um investidor a longo prazo.

Outro fator é se você deseja ter o seu dinheiro o quanto antes. A dica é esperar essa baixa passar para ter o seu capital retirado. A bolsa costuma oscilar nesses períodos e isso pode prejudicar.

Mateus Carvalho

Jornalista formado pela Unicarioca. Atualmente, repórter da Folha Dirigida e produtor de conteúdo no FinanceOne. Já fui colaborador do Torcedores.com.

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