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    Dólar a quase R$5: saiba qual o impacto para os investimentos

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    O dólar aproximou-se de R$4,80 na segunda-feira, 9 de fevereiro, em um dia de pânico no mercado financeiro global. Diante da instabilidade das ações, a pergunta do momento é: qual o impacto para os investimentos e para economia?

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    Especialistas apontam efeito imediato no bolso do consumidor. Principalmente no preço das viagens ao exterior. Mas, se a alta persistir e se transformar em tendência permanente, os efeitos podem ser mais amplos.

    Como, por exemplo, alta da inflação e nos custos para as empresas. Fato que para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, ainda não acontece.

    investimentos
    Vários investimentos se beneficiam com a valorização da moeda norte-americana

    No entanto, segundo ele, os combustíveis – dada a política de reajustes da Petrobras – podem sofrer aumentos repassando efeitos cambiais mais rapidamente.

    O analista de inflação diz que no futuro, se a alta persistir, o aumento pode ser mais percebido pelo consumidor.

    Alta deve-se a problemas internos do Brasil

    Grande parte da disparada cambial é resultado de problemas internos do país e não de fatores internacionais, como a epidemia do coronavírus. É o que diz um estudo do FGV IBRE.

    Ele mostra que, até janeiro, questões externas dominaram a desvalorização do real, situação que se inverteu a partir de fevereiro.

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    Segundo o pesquisador da instituição e responsável pelo estudo, Livio Ribeiro, 76% da desvalorização do real nas últimas quatro semanas foram puxadas por problemas domésticos.

    O economista lembra que foi nesse período que se acirrou o embate entre Executivo e Legislativo, ameaçando o andamento de reformas.

    Ou seja, um tema levado muito em conta pelo mercado financeiro mas, de certa forma, escamoteado pelos efeitos do coronavírus. Portanto, importante para o seu investimento.

    “Tem uma parcela da depreciação que não é explicada, mas o que observamos é que o mundo de fato piorou, mas grande parte deve ser cobrada de nós mesmos”, disse Ribeiro.

    Economista vê mercado apreensivo

    Na opinião do pesquisador do FGV IBRE, Braulio Borges, o confronto entre Executivo e Congresso “pesa muito na avaliação do mercado financeiro” e, de fato, ajudou no movimento de alta do dólar.

    No entanto, para ele, o que está dominando hoje é o noticiário do novo coronavírus.

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    “O pânico está sendo criado e os mercados estão deixando a racionalidade de lado; com isso, a chance de ocorrer disfuncionalidades é maior. Estamos indo para duas semanas de sangria desatada nos mercados”, afirmou Braulio Borges.

    Entretanto o economista faz um alerta importante para quem possui investimentos. De acordo com ele, se o cenário prosseguir por mais duas, três semanas nesse ritmo, a destruição de riqueza financeira será enorme.

    Vale ressaltar que esse pânico também levou vários países a reverem as previsões de PIB para este ano, atitudes que ele considera precipitadas.

    Como ficam os juros e o PIB?

    A coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos, espera uma nova queda da taxa Selic. Ele acredita que o Banco Central deve optar por nova queda, chegando a 3,75%.

    E, apesar de toda a apreensão, a economista acredita que a economia brasileira poderá crescer 2% este ano. Isso, claro, se o impacto dos coronavírus não for tão forte no país.

    Em contrapartida, Borges, acha “cada vez mais difícil, com esse pânico dos mercados, chegar aos 2% de crescimento.”

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    Para o diretor de câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo, o dólar deve se manter acima dos R$4 pelo menos até o primeiro semestre de 2020. Ele diz que a queda da diferença entre as taxas de juros internas e externas é um dos motivos.

    “O aumento na velocidade dos cortes na taxa de juros acabou afastando investidores estrangeiros. Afinal, a taxa fica cada vez mais próxima dos juros americanos, que, apesar de darem retorno menor, são mais seguros”, explica Fernando Bergallo.

    Já a projeção do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com a projeção de economistas para os principais indicadores, é um pouco diferente.

    De acordo, com o relatório a moeda americana fechará o ano de 2019 cotada a R$ 4,10. No entanto, a projeção era de R$ 4 na semana passada. Para o fechamento de 2020, a previsão é de R$ 4 por dólar.

    Onde investir com a alta do dólar?

    Existem vários investimentos que se beneficiam com a valorização da moeda norte-americana. Entre eles os fundos cambiais, os contratos futuros e as ações de algumas empresas.

    1 – Fundos cambiais

    São investimentos indicados para o pequeno investidor. Com R$ 1.000 é possível investir nesses fundos.

    Ainda há a vantagem da diversificação, pois o seu capital é aplicado em várias ações que estão sujeitas a variação do preço da moeda estrangeira.

    No entanto, não é interessante resgatar o dinheiro em um prazo inferior a 30 dias. Nesse caso haverá cobrança do Imposto sobre Operações de Crédito (IOF), o que comprometerá a rentabilidade do investimento.

    2 – Contratos futuros de dólar

    Esses investimentos pagam a diferença da valorização da moeda norte-americana em determinado período. Nessa aplicação financeira não há carência. Ou seja, um investimento pode ser resgatado e aplicado quando você desejar.

    Esses contratos são muito úteis para as pessoas que desejam viajar ao exterior. Quando o dólar sobe, o investidor ganha com a diferença.

    Por outro lado, se a moeda cair, ele perde no investimento, mas gasta menos com hotel e hospedagem, por exemplo.

    3 – Ações de empresas específicas

    Algumas companhias nacionais têm parte dos seus ganhos em dólar. Com isso, os lucros são influenciados conforme a variação do câmbio.

    Quando a moeda estrangeira está em alta, as receitas aumentam. Isso acontece com ações de muitas empresas exportadoras.

    É o caso da FIBR3 (Fibria) e a SUZB5 (Suzano) que exportam celulose e papel, respectivamente.

    4 – Fundos multimercados

    Os fundos multimercados podem operar vários tipos de ativos. Entre eles estão aplicações em renda fixa, ações e cambiais.

    Contudo, as condições de liquidez, rentabilidade e risco variam conforme cada fundo.

    Nos investimentos em câmbio, o gestor destina a maior parte dos recursos a ativos que têm o seu desempenho influenciado pelo dólar. Dessa forma, em caso de alta da moeda, o investidor ganha dinheiro.

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    Rafael Massadar
    Rafael Massadar
    Carioca, amante de esportes e de viagens. Escolhi o jornalismo porque ele vive pelo mundo e conta histórias de pessoas e realidades distintas. Tenho experiência em redação e assessoria de imprensa. Atualmente, trabalho numa agência de marketing digital.

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    Especialistas apontam efeito imediato no bolso do consumidor. Principalmente no preço das viagens ao exterior. Mas, se a alta persistir e se transformar em tendência permanente, os efeitos podem ser mais amplos.

    Como, por exemplo, alta da inflação e nos custos para as empresas. Fato que para o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Braz, ainda não acontece.

    investimentos
    Vários investimentos se beneficiam com a valorização da moeda norte-americana

    No entanto, segundo ele, os combustíveis – dada a política de reajustes da Petrobras – podem sofrer aumentos repassando efeitos cambiais mais rapidamente.

    O analista de inflação diz que no futuro, se a alta persistir, o aumento pode ser mais percebido pelo consumidor.

    Alta deve-se a problemas internos do Brasil

    Grande parte da disparada cambial é resultado de problemas internos do país e não de fatores internacionais, como a epidemia do coronavírus. É o que diz um estudo do FGV IBRE.

    Ele mostra que, até janeiro, questões externas dominaram a desvalorização do real, situação que se inverteu a partir de fevereiro.

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    Segundo o pesquisador da instituição e responsável pelo estudo, Livio Ribeiro, 76% da desvalorização do real nas últimas quatro semanas foram puxadas por problemas domésticos.

    O economista lembra que foi nesse período que se acirrou o embate entre Executivo e Legislativo, ameaçando o andamento de reformas.

    Ou seja, um tema levado muito em conta pelo mercado financeiro mas, de certa forma, escamoteado pelos efeitos do coronavírus. Portanto, importante para o seu investimento.

    “Tem uma parcela da depreciação que não é explicada, mas o que observamos é que o mundo de fato piorou, mas grande parte deve ser cobrada de nós mesmos”, disse Ribeiro.

    Economista vê mercado apreensivo

    Na opinião do pesquisador do FGV IBRE, Braulio Borges, o confronto entre Executivo e Congresso “pesa muito na avaliação do mercado financeiro” e, de fato, ajudou no movimento de alta do dólar.

    No entanto, para ele, o que está dominando hoje é o noticiário do novo coronavírus.

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    “O pânico está sendo criado e os mercados estão deixando a racionalidade de lado; com isso, a chance de ocorrer disfuncionalidades é maior. Estamos indo para duas semanas de sangria desatada nos mercados”, afirmou Braulio Borges.

    Entretanto o economista faz um alerta importante para quem possui investimentos. De acordo com ele, se o cenário prosseguir por mais duas, três semanas nesse ritmo, a destruição de riqueza financeira será enorme.

    Vale ressaltar que esse pânico também levou vários países a reverem as previsões de PIB para este ano, atitudes que ele considera precipitadas.

    Como ficam os juros e o PIB?

    A coordenadora do Boletim Macro da FGV, Silvia Matos, espera uma nova queda da taxa Selic. Ele acredita que o Banco Central deve optar por nova queda, chegando a 3,75%.

    E, apesar de toda a apreensão, a economista acredita que a economia brasileira poderá crescer 2% este ano. Isso, claro, se o impacto dos coronavírus não for tão forte no país.

    Em contrapartida, Borges, acha “cada vez mais difícil, com esse pânico dos mercados, chegar aos 2% de crescimento.”

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    “O aumento na velocidade dos cortes na taxa de juros acabou afastando investidores estrangeiros. Afinal, a taxa fica cada vez mais próxima dos juros americanos, que, apesar de darem retorno menor, são mais seguros”, explica Fernando Bergallo.

    Já a projeção do boletim Focus, divulgado semanalmente pelo Banco Central com a projeção de economistas para os principais indicadores, é um pouco diferente.

    De acordo, com o relatório a moeda americana fechará o ano de 2019 cotada a R$ 4,10. No entanto, a projeção era de R$ 4 na semana passada. Para o fechamento de 2020, a previsão é de R$ 4 por dólar.

    Onde investir com a alta do dólar?

    Existem vários investimentos que se beneficiam com a valorização da moeda norte-americana. Entre eles os fundos cambiais, os contratos futuros e as ações de algumas empresas.

    1 – Fundos cambiais

    São investimentos indicados para o pequeno investidor. Com R$ 1.000 é possível investir nesses fundos.

    Ainda há a vantagem da diversificação, pois o seu capital é aplicado em várias ações que estão sujeitas a variação do preço da moeda estrangeira.

    No entanto, não é interessante resgatar o dinheiro em um prazo inferior a 30 dias. Nesse caso haverá cobrança do Imposto sobre Operações de Crédito (IOF), o que comprometerá a rentabilidade do investimento.

    2 – Contratos futuros de dólar

    Esses investimentos pagam a diferença da valorização da moeda norte-americana em determinado período. Nessa aplicação financeira não há carência. Ou seja, um investimento pode ser resgatado e aplicado quando você desejar.

    Esses contratos são muito úteis para as pessoas que desejam viajar ao exterior. Quando o dólar sobe, o investidor ganha com a diferença.

    Por outro lado, se a moeda cair, ele perde no investimento, mas gasta menos com hotel e hospedagem, por exemplo.

    3 – Ações de empresas específicas

    Algumas companhias nacionais têm parte dos seus ganhos em dólar. Com isso, os lucros são influenciados conforme a variação do câmbio.

    Quando a moeda estrangeira está em alta, as receitas aumentam. Isso acontece com ações de muitas empresas exportadoras.

    É o caso da FIBR3 (Fibria) e a SUZB5 (Suzano) que exportam celulose e papel, respectivamente.

    4 – Fundos multimercados

    Os fundos multimercados podem operar vários tipos de ativos. Entre eles estão aplicações em renda fixa, ações e cambiais.

    Contudo, as condições de liquidez, rentabilidade e risco variam conforme cada fundo.

    Nos investimentos em câmbio, o gestor destina a maior parte dos recursos a ativos que têm o seu desempenho influenciado pelo dólar. Dessa forma, em caso de alta da moeda, o investidor ganha dinheiro.

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