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Acordo entre Kim e Trump mexe na economia mundial

O acordo entre Kim e Trump foi bem visto pelas bolsas internacionais. O mercado europeu ficou animado com o compromisso de desnuclearização da Coreia do Norte.

Os mercados acionários americanos também encerraram em alta o pregão de segunda-feira, 11. No entanto, de forma mais comedida que os europeus. Isso porque estão à espera do anúncio da política monetária do Federal Reserve (Fed) e de outros bancos centrais da Europa.

Os ganhos foram contidos, à medida que os investidores continuaram com as tensões comerciais envolvendo o governo Donald Trump no radar. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,02%, aos 25.322,31 pontos.

Já o S&P 500 subiu 0,11%, aos 2.782,00 pontos e o Nasdaq avançou 0,19%, aos 7.659,93 pontos. Já os preços do petróleo ficaram praticamente inalterados.

Kim e Trump

Os mercados em números após o acordo entre Kim e Trump

– PSI-20 – subiu 0,52% para 5.673,84 pontos

– Stoxx 600 – avançou 0,09% para 388,30 pontos

– Nikkei – valorizou 033% para 22.878,35 pontos

– Euro – ganhou 0,08% para 1,1793 dólares

– Petróleo em Londres – valorizou 0,43% para 76,79 dólares o barril

Professor da FGV alerta para efeitos futuros

Kim e Trump
Oliver Stuenkel, coordenador do MBA de Relações Internacionais da FGV

Para o coordenador do MBA de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), Oliver Stuenkel, o resultado do acordo entre Kim e Trump pode ser negativo para as economias mundiais.

Ele diz que o não cumprimento das condições firmadas pode ser usado para justificar uma intervenção militar no país. Fato que a China não quer.

Isso porque causaria uma onda de imigração para o país e um colapso econômico mundial. O que traria ainda mais prejuízos para o Brasil.

Os motivos são diversos para dar errado, diz o professor da FGV CPDOC. Ele aponta que é muito improvável que a reunião resulte agora em decisões importantes. Segundo ele, existe um histórico de não cooperação dos líderes norte-coreanos.

“Acredito que Kim Jong-un quer apenas ganhar tempo para desenvolver ainda mais o seu programa nuclear”, diz o especialista em relações internacionais.

Oliver Stuenkel afirma ainda que é muito improvável que Kim Jong-un abandone seu projeto de fabricação de armas de alta destruição. A razão, de acordo com Stuenkel, é que ele sabe que o governo dos EUA tem rasgado diversos tratados recentemente assinados.

“Muammar Kadafi, ex-primeiro-ministro da Líbia, depois de aceitar a proposta dos EUA, viu seu país sob intervenção militar comandada pelos EUA e foi morto”, lembra o professor da FGV.

Alta de juros dos EUA deve mexer mais com a economia mundial

Kim e TrumpO acordo de Kim e Trump agitou positivamente o mercado, mas uma outra reunião deve estremecer a economia mundial. A alta de juros pelo Federal Reserve (Fed). Ela é dada como certa e deve ser anunciada ainda nesta semana.

O Brasil deve ser afetado. Isso porque o Fed vai definir o tamanho do aperto monetário dos EUA. Por consequência, vai impactar ainda mais nas cotações atuais do dólar.

Vale ressaltar que as cotações atuais já foram suficientes para derrubar em quase 70% as entradas de capitais nos países emergentes este ano. E o Brasil é um deles. O que leva a uma forte desvalorização do Real.

O atual ciclo de aperto monetário do Fed iniciou em dezembro de 2015. Com isso, o banco central dos EUA começou a reduzir a carteira de títulos governamentais. Além dos títulos lastreados em hipotecas que comprou para impulsionar a economia após a recessão de 2007-2009.

Brasil fica menos atrativo e mais vulnerável

A alta dos juros nos EUA pode gerar também uma fuga de capitais dos mercados emergentes. O motivo é simples: o movimento torna os títulos americanos mais rentáveis. Assim estimula a saída de moeda dos mercados considerados mais arriscados, como os emergentes.

Isso torna a economia brasileira ainda mais vulnerável. Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre-FGV) comprova isso.

De acordo com a pesquisa, o país, que está entre as 18 principais economias emergentes, ocupa a segunda pior posição no ranking de vulnerabilidade. Só está à frente da Argentina, diz o estudo.

O pessimismo em relação à política, a incerteza em relação às eleições e a solução encontrada pelo governo para a greve dos caminhoneiros ajudam na posição brasileira na listagem. De forma geral, o dólar ganha força quando o banco central americano sobe os juros.

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