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Desigualdade de renda no Brasil cresce há 17 trimestres seguidos

Escrito por: Rafael Massadar em 20 de agosto de 2019

A desigualdade de renda aumenta cada vez mais. Já são 17 trimestres seguidos que ela cresce no Brasil.

Esse é o ciclo mais longo já registrado no país. É o que revela a pesquisa do diretor do FGV Social, Marcelo Neri, a partir de dados da PNAD Contínua do IBGE.

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A constatação pode ser vista através do chamado índice Gini, que mede a concentração de renda. Ele passou de 0,6003 no 4º trimestre de 2014 para 0,6291 no 2º trimestre de 2019.

Quando mais perto de 1, maior é a desigualdade.

Ainda segundo o estudo, o aumento de 0,0287 pontos no índice nesse período seguiu “um ritmo de aumento anual similar ao de queda observada no período histórico de marcada redução da desigualdade entre 2001 e 2014”.

De 2014 a 2019, a renda do trabalho da metade mais pobre da população caiu 17,1%, segundo o estudo. Já a renda dos 1% mais ricos subiu 10,11% nesse período.

No entanto, a renda da fatia da população considerada de classe média (posicionada entre os 40% intermediários) teve queda de 4,16%.

Portanto, aumentou o abismo entre os mais ricos e mais pobres.

Detalhes da desigualdade de renda no Brasil

A pesquisa mostra quem a queda da renda média atingiu com mais intensidade. São eles:

– jovens com idade entre 20 e 24 anos – (-17,16%)
– analfabetos – (-15,16%)
– moradores das regiões Norte – (-13,08%)
– Nordeste – (-7,55%)
– pessoas de cor preta – (-8,35%)

O único grupo que não apresentou perdas no estudo sobre desigualdade de renda no Brasil foram as mulheres.

Para elas, houve ganho de 2,22% na renda individual do trabalho, ante uma perda de 7,16% dos homens. O diferencial feminino ocorre, de acordo com o estudo, devido à maior escolaridade.

Causas

Entre as principais causas apontadas para o aumento da desigualdade estão a desaceleração econômica e, principalmente, o desemprego.

A pesquisa calcula que entre o final de 2014 até o fim de 2017, o número de brasileiros em situação de pobreza (renda de até R$ 233 por mês por pessoa) passou de 8,38% para 11,8% da população, atingindo 23,3 milhões. Ou seja, um grupo maior do que a população chilena.

Na véspera, o IBGE divulgou que 3,347 milhões de desempregados procuram emprego há pelo menos 2 anos. No 2º trimestre, a taxa de desemprego média no país recuou para 12%, ante 12,7% no 1º trimestre, atingindo 12,8 milhões de brasileiros.

Aumenta o número de pobres

Além da desigualdade de renda no Brasil crescer, o número de pobres no Brasil aumentou. De acordo com o levantamento, entre 2015 e 2017, a população pobre brasileira aumentou de 8,3% para 11,1% do total.

Assim, este contingente representa uma parcela de 23,3 milhões de pobres no Brasil. Ou seja, pessoas que vivem com menos de R$ 233 por mês.

Em dois anos, o Brasil passou a ter mais 6,2 milhões de pobres. Uma das causas para esta situação de aumento da pobreza é a falta de expansão de programas sociais, diz Marcelo Neri.

Segundo ele, as políticas públicas não conseguiram incorporar esse novo contingente de desassistidos.

Marcelo Neri alerta ainda que somente em 2030 a pobreza voltaria a 8,2% da população, índice similar a 2014. O diretor do FGV Social leva em conta o crescimento médio do Produto Interno Bruto (PIB).

Observatório também afere desigualdade salarial

A média salarial de homens empregados no setor formal no Brasil é de R$ 3,2 mil por mês. Já a das mulheres é de cerca de R$ 2,7 mil.

A diferença é ainda maior para mulheres negras. Elas recebem praticamente a metade do rendimento dos homens brancos.

Os dados estão disponíveis no Observatório da Diversidade e da Igualdade de Oportunidade. Ele foi lançado esta semana pelo Ministério Público do Trabalho, com apoio da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O objetivo é estimular as empresas a alterar as estruturas internas discriminatórias e racistas. É o que diz a procuradora Valdirene Assis, coordenadora da iniciativa.

Segundo os dados, São Paulo é a unidade com maior disparidade de rendimentos mensais. No estado, os homens ganham, em média, R$ 690 a mais que as mulheres.

Contudo, estudos das Nações Unidas mostram que empresas que promovem a igualdade têm uma probabilidade 32% maior de serem mais lucrativas. A diversidade contribui para que novos produtos e serviços sejam lançados, em sintonia com a expectativa e a necessidade de diversos públicos.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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