InícioCarol VelosoComo manter as resoluções de ano novo?

Como manter as resoluções de ano novo?

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Como diz a velha canção: “adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer… muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”.

Você pode até ser pessimista, mas é difícil não ser contagiado pela onda de otimismo que nos invade toda virada de ano: “2022 vai ser diferente!”.

Nós não falamos da boca pra fora: nós realmente acreditamos que temos um ano novinho em folha à nossa disposição para ser nossa melhor versão (seja financeira, estética ou intelectual).  

Mas vamos ser francos: nossa lista de metas para 2022 é quase um copia e cola dos anos anteriores: ganhar mais, aprender a investir, ler todos os livros comprados, ser mais saudável. São metas que estão sempre no topo das listas.

Por que será que somos invadidos por esse otimismo em janeiro, mas a cada final de ano voltamos a torcer pelo ano acabar logo, cansados e frustrados porque não deu pra atingir as metas traçadas?

Efeito do novo começo

O efeito do novo começo (fresh start effect) é um efeito psicológico que vivenciamos quando estamos diante de marcos temporais como, por exemplo, ano novo, segunda-feira e  aniversário.

Esses marcos fazem com que as pessoas se sintam motivadas a perseguir novos objetivos e a deixar no passado as suas falhas.

Afinal, o “eu do futuro” é sarado, rico, inteligente, empreendedor de sucesso, faz seis em sete (jargão do marketing digital pra quem fatura 100 mil em uma semana) e consegue comer saudável pelo menos cinco vezes por semana.

É justamente por esse motivo que listas de metas são tão populares no ano novo e a maioria das dietas começa na segunda-feira. Fazemos uma espécie de contabilidade mental com o tempo.

Nada contra fazer listas audaciosas e sonhar com o que se quer conquistar. Inclusive sou a favor que as pessoas comprem um (um!) bilhete da mega da virada e se permita sonhar com tudo que poderia fazer, pois secretar hormônios do bem estar ainda é de graça.

Mas como as chances de ganhar na loteria são baixas, é melhor contar com um plano pra tirar suas metas (inclusive as financeiras) do papel.

Ano novo, problema antigo: lidar com longo prazo

Na hora de listar nossos objetivos a gente sabe que o papel aceita tudo. O diabo mora mesmo é no dia a dia, que corrói nossa motivação quando estamos trabalhando para atingir nossas metas.

Isso fica claro quando olhamos para o tema aposentadoria: se aposentar bebendo Mojitos nas Bahamas todo mundo quer, mas poupar o suficiente todo mês pra gozar disso daqui a 30 anos poucos fazem.

Homem fazendo cálculos em um caderno com várias notas de dinheiro
Muitos querem ganhar mais dinheiro, mas não aplicam um princípio básico: poupar

Metas de longo prazo são sempre desafiadoras, nosso calcanhar de Aquiles. Nós fomos programados para ceder às gratificações imediatas: financiar o que não podemos comprar agora, comprinhas por impulso, pizzas quentinhas, viagens com amigos (afinal só se vive uma vez!).  

Então como fazer para lidar com um cérebro sabotador e não desistir das nossas próprias metas financeiras ao longo do ano?

Dicas comportamentais para manter a motivação

Primeiro: tente ser mais específico em relação a sua meta (“ganhar mais dinheiro” não é específico e gera pouco comprometimento, mas poupar R$300,00 todo mês sim).

Use o exercício intenção de implementação: decida previamente o que, quando e onde será feita a atividade necessária para atingir sua meta, diminuindo sobrecarga de escolhas e gerando um comprometimento prévio com a tarefa.

Exemplo: todo dia 10 de cada mês, até 12:00, eu irei investir R$300,00 no ativo “X” por meio do aplicativo do banco/corretora.   

Quando deixamos para decidir todo mês quanto e onde investir nosso dinheiro podemos passar por uma sobrecarga de escolhas, que muitas vezes nos leva a uma paralisia.

Conheço muitas pessoas que deixam dinheiro na conta corrente por não conseguirem tomar uma decisão de investimento. Com medo de se arrepender do que escolheram fazem uma escolha ainda pior: não escolhem nada!

Outra estratégia para dar uma turbinada na sua motivação durante a execução de tarefas chatas, mas necessárias: inclua um fator externo positivo.

Pesquisadores da Universidade de Chicago conseguiram aumentar a atividade dos alunos na sala de aula quando acrescentavam lanches ou música durante as atividades. Nosso cérebro é associativo e gosta de estímulos positivos.

Uma vez uma aluna disse que discutia o planejamento financeiro do casal durante um agradável almoço com o marido que fazia toda última quinta-feira do mês. Achei delicioso esse exemplo, pois ela conseguiu criar um ambiente agradável para falar de um assunto considerado pesado. Ou seja, falar de finanças passou a ser uma rotina prazerosa na família.

Por último: celebre pequenas vitórias. Atingir metas de curto prazo é o melhor combustível para metas de longo prazo.

Aproveito para deixar registrado meu objetivo de 2022: escrever um artigo quinzenalmente para fazer você usar lições da economia comportamental para vencer seu maior sabotador – seu cérebro!

*minhas opiniões não representam as opiniões da CVM.

Conheça Carol Velloso, colunista do FinanceOne

Com experiência em finanças comportamentais, Carol Velloso é a nova colunista do FinanceOne. Ela terá textos publicados a cada 15 dias. Fique de olho!

Carol é advogada com experiência em propriedade intelectual e políticas públicas, incluindo de educação financeira.

Depois de se tornar mãe, ela passou a organizar a vida financeira da família e, desde de 2019, produz conteúdo sobre finanças comportamentais no perfil @neuro.economia, pois para ela a raiz dos problemas financeiros está no cérebro.

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Carol Velloso
Carol Velloso
Carol é advogada com experiência em propriedade intelectual e políticas públicas, incluindo de educação financeira. Depois de se tornar mãe, ela passou a organizar a vida financeira da família e a produzir conteúdo de finanças comportamentais, pois pra ela a raiz dos problemas financeiros está no cérebro. Carol é formada em Direito pela UFRJ, pós graduada em propriedade intelectual pela PUC-RJ e cursou Behavioral Finance na University of Chicago.

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Como diz a velha canção: “adeus ano velho, feliz ano novo, que tudo se realize no ano que vai nascer… muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender”.

Você pode até ser pessimista, mas é difícil não ser contagiado pela onda de otimismo que nos invade toda virada de ano: “2022 vai ser diferente!”.

Nós não falamos da boca pra fora: nós realmente acreditamos que temos um ano novinho em folha à nossa disposição para ser nossa melhor versão (seja financeira, estética ou intelectual).  

Mas vamos ser francos: nossa lista de metas para 2022 é quase um copia e cola dos anos anteriores: ganhar mais, aprender a investir, ler todos os livros comprados, ser mais saudável. São metas que estão sempre no topo das listas.

Por que será que somos invadidos por esse otimismo em janeiro, mas a cada final de ano voltamos a torcer pelo ano acabar logo, cansados e frustrados porque não deu pra atingir as metas traçadas?

Efeito do novo começo

O efeito do novo começo (fresh start effect) é um efeito psicológico que vivenciamos quando estamos diante de marcos temporais como, por exemplo, ano novo, segunda-feira e  aniversário.

Esses marcos fazem com que as pessoas se sintam motivadas a perseguir novos objetivos e a deixar no passado as suas falhas.

Afinal, o “eu do futuro” é sarado, rico, inteligente, empreendedor de sucesso, faz seis em sete (jargão do marketing digital pra quem fatura 100 mil em uma semana) e consegue comer saudável pelo menos cinco vezes por semana.

É justamente por esse motivo que listas de metas são tão populares no ano novo e a maioria das dietas começa na segunda-feira. Fazemos uma espécie de contabilidade mental com o tempo.

Nada contra fazer listas audaciosas e sonhar com o que se quer conquistar. Inclusive sou a favor que as pessoas comprem um (um!) bilhete da mega da virada e se permita sonhar com tudo que poderia fazer, pois secretar hormônios do bem estar ainda é de graça.

Mas como as chances de ganhar na loteria são baixas, é melhor contar com um plano pra tirar suas metas (inclusive as financeiras) do papel.

Ano novo, problema antigo: lidar com longo prazo

Na hora de listar nossos objetivos a gente sabe que o papel aceita tudo. O diabo mora mesmo é no dia a dia, que corrói nossa motivação quando estamos trabalhando para atingir nossas metas.

Isso fica claro quando olhamos para o tema aposentadoria: se aposentar bebendo Mojitos nas Bahamas todo mundo quer, mas poupar o suficiente todo mês pra gozar disso daqui a 30 anos poucos fazem.

Homem fazendo cálculos em um caderno com várias notas de dinheiro
Muitos querem ganhar mais dinheiro, mas não aplicam um princípio básico: poupar

Metas de longo prazo são sempre desafiadoras, nosso calcanhar de Aquiles. Nós fomos programados para ceder às gratificações imediatas: financiar o que não podemos comprar agora, comprinhas por impulso, pizzas quentinhas, viagens com amigos (afinal só se vive uma vez!).  

Então como fazer para lidar com um cérebro sabotador e não desistir das nossas próprias metas financeiras ao longo do ano?

Dicas comportamentais para manter a motivação

Primeiro: tente ser mais específico em relação a sua meta (“ganhar mais dinheiro” não é específico e gera pouco comprometimento, mas poupar R$300,00 todo mês sim).

Use o exercício intenção de implementação: decida previamente o que, quando e onde será feita a atividade necessária para atingir sua meta, diminuindo sobrecarga de escolhas e gerando um comprometimento prévio com a tarefa.

Exemplo: todo dia 10 de cada mês, até 12:00, eu irei investir R$300,00 no ativo “X” por meio do aplicativo do banco/corretora.   

Quando deixamos para decidir todo mês quanto e onde investir nosso dinheiro podemos passar por uma sobrecarga de escolhas, que muitas vezes nos leva a uma paralisia.

Conheço muitas pessoas que deixam dinheiro na conta corrente por não conseguirem tomar uma decisão de investimento. Com medo de se arrepender do que escolheram fazem uma escolha ainda pior: não escolhem nada!

Outra estratégia para dar uma turbinada na sua motivação durante a execução de tarefas chatas, mas necessárias: inclua um fator externo positivo.

Pesquisadores da Universidade de Chicago conseguiram aumentar a atividade dos alunos na sala de aula quando acrescentavam lanches ou música durante as atividades. Nosso cérebro é associativo e gosta de estímulos positivos.

Uma vez uma aluna disse que discutia o planejamento financeiro do casal durante um agradável almoço com o marido que fazia toda última quinta-feira do mês. Achei delicioso esse exemplo, pois ela conseguiu criar um ambiente agradável para falar de um assunto considerado pesado. Ou seja, falar de finanças passou a ser uma rotina prazerosa na família.

Por último: celebre pequenas vitórias. Atingir metas de curto prazo é o melhor combustível para metas de longo prazo.

Aproveito para deixar registrado meu objetivo de 2022: escrever um artigo quinzenalmente para fazer você usar lições da economia comportamental para vencer seu maior sabotador – seu cérebro!

*minhas opiniões não representam as opiniões da CVM.

Conheça Carol Velloso, colunista do FinanceOne

Com experiência em finanças comportamentais, Carol Velloso é a nova colunista do FinanceOne. Ela terá textos publicados a cada 15 dias. Fique de olho!

Carol é advogada com experiência em propriedade intelectual e políticas públicas, incluindo de educação financeira.

Depois de se tornar mãe, ela passou a organizar a vida financeira da família e, desde de 2019, produz conteúdo sobre finanças comportamentais no perfil @neuro.economia, pois para ela a raiz dos problemas financeiros está no cérebro.

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