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Economia da China: qual a influência para o mundo?

Escrito por: Rafael Massadar em 20 de fevereiro de 2019

A economia da China desacelerou em 2018. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 6,6% em 2018, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas (ONE).

O resultado representa uma queda de 0,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior. É a pior expansão da economia do país desde 1990.

No médio prazo, o Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que o crescimento chinês diminua gradualmente para 5,6%. No entanto, vale lembrar que a China está no centro de uma disputa comercial com os Estados Unidos.

Tanto Pequim como Washington já aplicaram bilhões em tarifas comerciais mútuas, que atingiram setores como o agrícola.

Apesar disso, a China deve se tornar a maior economia do mundo até 2030. A previsão foi feita por economistas da HSBC Holdings Plc, em um novo estudo que reúne 75 nações.

As projeções sugerem ainda que o produto interno bruto da China ficará em US$ 26 trilhões em 2030. Já o FMI diz que as perspectivas do país são sólidas.

No entanto, advertiu sobre a dependência do estímulo impulsionado pelo crédito. O FMI diz que essa medida poderia aumentar a vulnerabilidade.

economia da china

Como a queda da economia da China influencia no mundo?

Sinais crescentes de fraqueza da economia da China alimentam o nervosismo mundial. Eles pesam, principalmente, sobre os lucros de empresas que vão da Apple a grandes montadoras.

Isso porque a China transformou-se em uma enorme fábrica mundial. Grande parte dos produtos comercializados no planeta é fabricada neste país. Portanto, o fluxo de capital aumentou, permitindo que o país ganhe relevância em termos globais.

Graças às estratégias adotadas desde os anos 80, o país asiático fortaleceu sua estratégia financeira. Consequentemente, pouco a pouco, passou a ser um importante comprador de ativos financeiros tanto dos Estados Unidos quanto da Europa.

A disponibilidade de mão de obra na China faz com que ela seja um competidor quase invencível nos itens de manufatura que ela fabrica.

As economias que tentarem competir com a China no mesmo segmento enfrentarão problemas devidos aos baixos custos que podem ser conseguidos pelo gigante asiático.

Quais os reflexos no Brasil?

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2017, o volume de exportações brasileiras à China alcançou US$ 50 bilhões.

Enquanto isso, as importações do país asiático ficaram num montante de US$ 28 bilhões. Consequentemente um superávit comercial do Brasil em cerca de US$ 32 bilhões.

O produto mais exportado aos chineses é a soja triturada. Ela é seguida pelo minério de ferro, petróleo em bruto e celulose. A soja representa 48% das exportações brasileiras ao país asiático.

Por outro lado, importamos produtos manufaturados. São produtos como circuitos impressos, peças de telefonia, partes de aparelhos receptores e transmissores.

Portanto, o peso dos chineses dentro da nossa pauta de exportações supera inclusive a de blocos econômicos inteiros, como a União Europeia e o Mercosul.

Em relação à primeira, o total de exportações brasileiras no ano de 2017 foi de US$ 35 bilhões. Já em relação ao Mercosul, no mesmo ano os brasileiros exportaram cerca de US$ 22 bilhões.

Até junho de 2018, último mês que o governo federal computou os dados de exportação e importação, o Brasil possuía um superávit comercial de US$ 15 bilhões com os chineses.

Os dados econômicos indicam que novamente o Brasil deverá obter um saldo positivo na sua balança comercial com os chineses, e as expectativas de comércio bilateral entre Brasil e China são promissoras, visto a guerra comercial entre chineses e estadunidenses, podendo abrir mais mercado para os produtos exportados pelo Brasil.

O que dizem os economistas? 

Os impactos desse arrefecimento no crescimento vão ser sentidos pelo Brasil, aponta Lia Valls, pesquisadora sênior do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). O peso pode vir de duas formas.

Segundo a economista da FGV, os preços das commodities não devem se valorizar com tanta força como aconteceu em anos anteriores, e o ritmo de expansão dos investimentos chineses no Brasil pode crescer com menos vigor.

Não há forma como o Brasil possa compensar essa contenção nos preços das matérias-primas. “Nossas vendas para lá não são muito diversificadas”, diz Lia.

Já de acordo com Mauro Rochlin, professor da FGV, o Brasil deve ser atingido pelo avanço modesto da economia da China.

“O menor crescimento gera impacto em dois aspectos. Primeiramente, em termos comerciais, relacionados à exportação, o Brasil perde com isso. A China é importadora de commodities. Se, por exemplo, há um crescimento menos vigoroso, há menos demanda. O segundo aspecto é que a China é a principal parceira comercial do Brasil, sendo, hoje, um dos grandes investidores do Brasil, por meio do investimento estrangeiro direto. Aplica recursos no setor produtivo, como em infraestrutura. Crescendo menos, o investimento tende a arrefecer”, explicou.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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