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Dá para ganhar dinheiro com aluguel de ações?

Escrito por: Rafael Massadar em 20 de setembro de 2018

O aluguel de ações ainda é uma atividade pouco conhecida por alguns investidores. No entanto, ela é bem simples e cresce anualmente. Afinal, é só emprestar os seus papéis em troca de uma taxa.

A modalidade, como o nome diz, é um aluguel de um ativo por parte de um doador, o dono do papel. Ele disponibiliza ao tomador, que fica temporariamente com o ativo. A operação é feita dentro do mercado da Bovespa.

Toda a atividade é firmada em contrato. Nele, define-se o valor e o tempo em que o tomador ficará de posse dessas aplicações. Naturalmente, ao final desse prazo, o ativo deve ser devolvido ao doador conforme combinado, respeitando as regras do aluguel.

A estratégia do doador geralmente é rentabilizar sua carteira de ações de longo prazo. Já o tomador costuma focar no curto prazo, buscando lucrar com a queda no preço das ações. Ou seja, quando o mercado está em tendência de baixa.

A segurança dessas operações é garantida pela Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).  Ela fiscaliza e regulamenta todos os aluguéis de ativos, protegendo ambas as partes. A CBLC é uma empresa com fins lucrativos, registrada sob a forma de sociedade anônima.

aluguel de ações

Quem é quem no aluguel de ações?

1 – Doador

São os proprietários das ações e não pretendem vendê-las no curto prazo. Normalmente, essas pessoas procuram uma renda extra com o aluguel de ações. Além da busca de uma melhor rentabilidade para sua carteira.

2 – Tomador

Esses são os investidores que querem se beneficiar de um mercado em queda. Muitas vezes buscam ações que estão abaixo do valor de mercado. O que eles fazem? Alugam essas ações, vendem e posteriormente recompram a um preço menor.

Os riscos do tomador

Como toda operação, o aluguel de ações também pode apresentar alguns riscos, principalmente para o tomador.

Afinal, o doador apenas disponibiliza o seu ativo e espera o fim do prazo do aluguel para receber suas taxas pré-acordadas. Tudo isso de maneira cômoda e bastante lucrativa.

O risco para o tomador é que em vez de o valor da ação cair, esse ativo pode subir após a venda. O que configuraria um prejuízo para ele.

Como alugar ações?

aluguel de açõesEsse processo também é simples. Afinal, basta que você entre em contato com o atendimento de sua corretora e manifeste a intenção de alugar suas ações, dizendo por qual prazo.

A maioria dos contratos de aluguel de ações são de 30 dias e são reversíveis. Ou seja, o tomador pode encerrar o contrato a qualquer momento.

A rentabilidade do aluguel, ou seja, quanto você receberá de renda, depende de qual é a ação e da oferta e demanda do mercado. Uma ação que tem uma oferta maior terá uma taxa menor do que uma ação difícil de ser encontrada no mercado.

Os tipos de ações que podem ser alugadas são:

– Ações (companhias abertas e listadas na BM&FBOVESPA);
– Units (ativos compostos por mais de um tipo ou classe de valores mobiliários);
– Cotas de Fundos de Índices (ETFs);
– BDRs Patrocinado (Brazilian Depositary Receipts).

Tipos de contratos

Há diferentes tipos de contratos para o aluguel de ações. Os mais utilizados são:

1 – Reversível ao Tomador – permite que o tomador encerre o contrato a qualquer momento. Neste caso o pagamento da taxa de aluguel será proporcional ao tempo de permanência.

2 – Reversível ao Doador – a diferença em relação ao anterior é que o doador também pode encerrar o contrato a qualquer momento. Nesta situação o tomador terá quatro dias para devolver as ações a partir da data de solicitação.

3 – Vencimento Fixo – neste contrato o doador e o tomador ficam com o contrato vigente durante o prazo predeterminado. Além disso, o tomador deverá pagar a taxa de aluguel definida previamente.

Vale a pena alugar?

aluguel de ações

O aluguel de ações proporciona um ótima oportunidade para alavancar ganhos de investidores com perspectivas de longo prazo.

Isso porque se o investidor não pretende vende-las no curto prazo, o aluguel de ações representa uma fonte adicional de receita.

Afinal, ultimamente a taxa de remuneração tem oscilado entre 2% e 5% ao ano.

Entretanto, dependendo do tamanho da demanda, o retorno pode ser ainda maior. O que vale para o doador e para o tomador?

Para o doador:

– Renda extra proporcionada pelo rendimento do aluguel. Especialmente válido para investidores que estão trabalhando com prazos longos.
– O direito sobre os dividendos das ações continua valendo durante a vigência do contrato de aluguel.

Para o tomador:

– Vender as ações no mercado à vista;
– Utilizar as ações como cobertura no lançamento de opções de compra;
– Utilizar as ações como garantia para operações nos mercados de liquidação futura;
– Utilizar as ações na liquidação de operações realizadas no mercado à vista.

Custos para quem faz o aluguel de alções

– Taxa de corretagem: 0,5% sobre o valor total do aluguel, sendo o mínimo de R$ 50. Ela é cobrada no ato do aluguel;

– Corretagem para compra ou venda das ações alugadas: R$ 10 por ordem executada.

– Taxa de liquidação da CBLC: 0,25% a.a., sendo o mínimo de R$ 10. Ela é cobrada após a liquidação do contrato.

– Remuneração do doador: pactuada no momento do aluguel e cobrada na liquidação do contrato.

No entanto, lembre-se que para o aluguel de ações é necessário que mantenha no mínimo 150% de garantia sobre o valor do aluguel.

Mercado de ações no Brasil registra lucro em 2017

Pensou em se arriscar no aluguel de ações? O mercado continua lucrativo. Afinal, a Bovespa registrou, em 2017, lucros generosos, apesar dos altos e baixos provocados pela agitação política no país.

Os sinais são de que 2018, um ano com eleições desde já marcadas por muitas incertezas, não será mais fácil.

No ano passado, a principal bolsa da América Latina cresceu 38,9%, em seu primeiro ano no azul desde 2012. Ela foi estimulada sobretudo pela alta dos preços das commodities nos mercados internacionais.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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