Selic a 2,25%: como ficam seus investimentos?

Escrito por: Rafael Massadar em 18 de junho de 2020

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual, de 3% para 2,25% ao ano. Este foi o oitavo corte seguido, e o quarto anunciado neste ano.

Uma segunda onda da pandemia do coronavírus no mundo, a retração global da economia e o desemprego no Brasil são alguns dos motivos que contribuíram para mais uma queda da Selic, segundo especialistas.

selic
Copom reduz taxa Selic para 2,25% ao ano

Tendo em vista o cenário, o BC já sinalizou que pode fazer ainda mais cortes dependendo das condições da economia. Mas de qualquer forma será residual, permitindo possibilidade de talvez +0,25% em agosto.

“Para as próximas reuniões, o Comitê (de Política Monetária) vê como apropriado avaliar os impactos da pandemia e do conjunto de medidas de incentivo ao crédito e recomposição de renda, e antevê que um eventual ajuste futuro no atual grau de estímulo monetário será residual”, disse o BC, em seu comunicado.

Baixa da Selic: qual reflexo nos investimentos?

Para o investidor conservador, essa nova queda da Selic significa menos retorno para os investimentos.

É o caso do Tesouro Selic (LFT), da caderneta de poupança, dos fundos DI e de títulos como CDB, LCI e LCA pós-fixados. Cuja remuneração é atrelada à Selic ou à taxa DI – taxa de juros que costuma acompanhar a taxa básica.

O cenário para quem tem dinheiro aplicado na Poupança e no Tesouro Direto são ruins.

Atualmente, a Poupança paga 70% da taxa Selic mais Taxa Referencial (TR), que no momento encontra-se zerada. Não há taxas nem imposto de renda e sua rentabilidade é mensal, apenas no dia do aniversário.

O que dizem os especialistas?

A coordenadora de análise de Renda Fixa da XP Investimentos, Camilla Dolle, diz que o importante é ter bastante cautela e discernimento para saber o quanto de risco é possível adicionar de acordo com seu perfil.

São três mercados principais para ficar de olho, segundo ela:

  • Tesouro Direto, com o menor risco do mercado;
  • Emissões bancárias, como CDBs, LCIs e LCAs, de risco intermediário e que podem ter a sólida proteção do FGC;
  • Mercado de crédito privado, que oferece um risco maior e, portanto, tem rentabilidades mais atrativas atualmente.

Dentro desse universo, Dolle afirma que o mercado de crédito privado para quem busca prioritariamente retornos mais altos, em época de juros baixos, é o mais indicado.

CRIs, CRAs e debêntures são os principais ativos desse grupo e há empresas ofertando esses investimentos com risco de crédito muito baixo, as chamadas Triplo A.

Isso significa que são companhias consideradas boas pagadoras e que não têm um grau elevado de possibilidade de calote.

Corte afeta investimentos de renda variável?

A relação da Selic com o mercado de ações e os fundos imobiliários não acontece de forma direta. O resultado desses investimentos depende, em grande parte, do desempenho das empresas e do mercado imobiliário.

A influência da Selic na renda variável se dá porque o desempenho da economia como um todo repercute no desempenho das empresas. Tais quais: sua demanda de produtos, lucro das companhias, preços dos aluguéis, entre muitos outros fatores.

Por conta disso, as ações podem crescer ou diminuir, trazendo ganhos ou perdas na carteira de investimentos.

O Banco Central prevê a taxa de juros a 2,25% em 2020 e 3% em 2021. Já o dólar deve fechar o ano cotado em R$ 4,950.

As projeções do Copom para a inflação são de 2% para 2020 e 3,2% para 2021.

Já no cenário com taxa de juros constante a 3% e taxa de câmbio constante a R$ 4,95, as projeções para a inflação são de torno de 1,9% para 2020 e 3,0% para 2021.

Quer saber como a alta do dólar pode afetar seu investimento? Então, confira mais um conteúdo exclusivo do FinanceOne.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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