Como a queda no preço do petróleo afeta seu bolso?

Escrito por: Rafael Massadar em 5 de maio de 2020

O preço do petróleo caiu sem precedentes na História motivado pela crise do coronavírus. O destaque fica para o dia 20 de abril, quando o valor do barril do petróleo cru norte-americano ficou negativo, registrando U$ 37,63 (uma queda de 305,97%).

Isso significa que, pela primeira vez, os vendedores pagam aos compradores para levar o produto das refinarias e, assim, aliviar os estoques e garantir que continuem a produção para os contratos firmados para o futuro.

A explicação é simples: a demanda por derivados de petróleo caiu drasticamente.

preço do petróleo
Coronavírus levou à queda do preço do petróleo

As refinarias reduziram a compra de óleo cru para transformar em combustíveis e os estoques de petróleo aumentaram a ponto de os produtores americanos não terem mais onde estocar sua produção a partir de maio.

A expectativa é que o cenário de baixa nos preços perdure ao longo de 2020. Portanto, exigindo cortes de produção não por parte dos principais países exportadores, como também das multinacionais.

Qual o resultado da queda para a Petrobras?

Em meio a queda do preço do petróleo, a Petrobras reduzirá em 15% o preço médio da gasolina em suas refinarias. Com esse corte, a queda acumulada de gasolina da estatal – responsável por quase 100% da capacidade de refino do Brasil – somará cerca de 40% em 2020.

Assim, como não poderia ser diferente, suas ações derreteram. Os papéis da estatal despencaram 40% desde o início do ano – eram negociados na faixa dos R$ 30 em janeiro, e agora flutuam em torno dos R$ 18.

Além disso, os níveis de receita da Petrobras deverão ser outros agora, também mais baixos. Afinal, o alto contágio da doença levou ao isolamento social em diversos lugares do mundo, provocando a menor demanda por combustíveis.

A maior parte dos carros, caminhões, ônibus e demais veículos está na garagem.

Rio de Janeiro deve ser o estado que vai mais sofrer

A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) calculou as perdas que o Estado do Rio de Janeiro terá com a crise mundial trazida pelo novo coronavírus.

A entidade estima uma redução de 30% da produção na bacia de Campos, além de uma queda do consumo de derivados em 50%. Para o Estado e municípios do Rio. Isso reflete em menores arrecadações de royalties e de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Em relação aos royalties para o Estado e municípios fluminenses, estima-se uma queda de 50,5% na arrecadação diária, comparada à média de 2019, que foi de R$ 25,7 milhões/dia.

Ou seja, alguns especialistas acreditam que, caso o governo estadual não consiga reduzir os gastos, a primeira atitude será não pagar dívidas. O que implica em não pagar os salários dos servidores, que têm participação expressiva no orçamento dos estados.

Consequências para o consumidor final

O que deve acontecer é a queda nos preços de todos os produtos derivados de petróleo. Ou seja, a gasolina, o gás de cozinha, os produtos de limpeza e os cosméticos devem se desvalorizar com a queda do petróleo.

Além desses, os produtos que usam petróleo no processo de fabricação também devem registrar um baque em seus valores.

São esses: tecidos sintéticos, medicamentos, embalagens e até alimentos – considerando corantes e fertilizantes, por exemplo.

Um setor que deveria ser impactado em cenário sem coronavírus é o das companhias aéreas. Afinal, o combustível do avião, o querosene, é derivado de petróleo.

No entanto, o setor de turismo está em colapso com a quarentena e cerca de 80% de voos nacionais foram cancelados. Portanto, essa derrocada de preços não deve impactar o preço das passagens aéreas.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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