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Como renegociar dívidas e reduzir contas na quarentena?

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Em novembro de 2019, o total de inadimplentes no Brasil, pessoas com contas em atraso, ficou em 63,8 milhões. Não é à toa que renegociar dívidas é um dos temas de finanças mais buscados na internet.

Com a pandemia do novo coronavírus este cenário se agravou. O número de famílias com dívidas em cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro alcançou 66,6%.

É um novo recorde, o maior percentual desde janeiro de 2010. As informações são de pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Por isso, é importante realizar um planejamento antecipado do orçamento familiar neste período de quarentena. E colocar as finanças pessoais em dia, sobretudo diante da ameaça de retração econômica.

Como trocar dívida cara por uma mais barata e economizar?
Reestruturação financeira e renegociar dívidas são atitudes necessárias em tempos de crise

Para ajudar nesta missão, a Melhortaxa, maior marketplace especializado em crédito imobiliário do Brasil, convidou especialistas para dar dicas sobre como fazer a revisão das contas e renegociar dívidas.

Diminuição das parcelas do crédito imobiliário

A primeira dica é de Rafael Sasso, cofundador da Melhortaxa. De acordo com ele, com as sucessivas quedas na Selic (a taxa básica de juros) o momento é propício para a portabilidade do crédito imobiliário.

Isso pode ser vantajoso para quem já contraiu um financiamento de imóvel anos atrás com taxas superiores.

“Com a última queda da taxa Selic para 3,75% ao ano, a tendência é que as taxas do crédito imobiliário continuem caindo e isso beneficia os consumidores, inclusive quem contratou o financiamento imobiliário quando as taxas estavam mais altas.”

Com a portabilidade, o especialista explica que é possível trocar de instituição para ter condições melhores ou conseguir uma negociação para manter o banco original.

E essa economia pode ser fundamental em tempos de crise como o que estamos passando agora.

+ Coronavírus pode dobrar desemprego no Brasil: saiba como sair da crise

O especialista dá alguns exemplos. Confira:

O comprador de um imóvel no valor de R$625 mil que contraiu um crédito de R$500 mil em julho de 2016 a uma taxa de juros de 10,77% ao ano por um período de 360 dias.

E hoje conseguiu fazer a portabilidade do contrato para uma taxa de 7,30%, obteve uma economia total no contrato de quase R$197 mil. A parcela mensal passou de R$5.335 para R$4.147, uma diminuição de R$1.698.

Em um segundo exemplo, o cliente que contraiu um crédito de R$750 mil a uma taxa de 11,24% ao ano por um período de 360 dias, e que hoje poderia reduzir a taxa para 7,30% por meio da portabilidade, conseguiria uma economia de R$364.804,77, com a parcela mensal diminuindo R$2.693,94.

Sasso ainda destaca que o importante é avaliar o Custo Efetivo Total (CET) de cada caso para comparar. No final, a pessoa deve avaliar se a economia vale o custo de desembolso.

Os valores de avaliação do imóvel e despesas de cartório variam entre R$3 mil e R$4 mil.

Nos processos intermediados pela Melhortaxa, por exemplo, a portabilidade tem a garantia de redução de taxa, podendo ser um processo pago pelo cliente dentro de certas condições. A simulação pode ser realizada no site da empresa.

Confira dicas para a reestruturação financeira

Recentemente a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) anunciou que vai prorrogar por 60 dias, juntamente com seus cinco maiores bancos associados – Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander – os vencimentos de dívidas de clientes pessoas físicas e micro e pequenas empresas.

A medida vale para os contratos vigentes em dia e limitados aos valores já utilizados. Mas parte do empresariado ainda enfrenta dificuldades para obter crédito.

De acordo com o planejador financeiro Valter Police, diretor da Fiduc, durante esta pandemia uma iniciativa essencial é rever créditos, financiamentos e seguros.

Tão importante quanto outras atitudes simples do dia a dia, como rever planos de internet, TV a cabo e serviços de streaming, essas ações vão constituir a chamada reestruturação financeira.

O especialista lembra que o uso do crédito no Brasil é historicamente muito caro. E embora hoje seja menor do que no passado, ainda pesa muito no orçamento.

Por isso a reestruturação deve ser feita junto com a família, repensando objetivos e organizando as informações numa planilha.

+ 10 dicas para organizar a vida financeira familiar

Police indica que neste documento sejam colocadas todas as informações a seguir:

  • Valor total;
  • Número de parcelas faltantes;
  • Valor da parcela;
  • Saldo devedor; e
  • Taxa de juros.

É preciso traçar estratégias para renegociar dívidas

A partir dessa reestruturação, é possível traçar uma estratégia para cada tipo de dívida. O cheque especial, rotativo do cartão de crédito e mesmo a maior parte dos empréstimos devem ser quitados no menor tempo possível.

A dica é checar o saldo devedor desses créditos e tentar obter os recursos necessários para pagá-los o quanto antes.

Isso pode ser possível, por exemplo, fazendo renda extra. Se preciso, o planejador abre exceção para o resgate de alguns investimentos.

“Ou pense até em vender algum bem, como um veículo. Os financiamentos de veículos são, em geral, bem mais baratos do que os empréstimos, mas isso não significa que o custo seja pequeno.”

Ele alerta que as promoções com “taxa zero” simplesmente não são verdadeiras e escondem opções de descontos mais vantajosas.

Um pouco de paciência na eventual troca do veículo pode ajudar de forma importante o crescimento de patrimônio.

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Tamires Silva
Jornalista e Redatora do FinanceOne, onde suas finanças começam.

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