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Com Selic a 2,75%, como ficam os investimentos em renda fixa?

Tempo de leitura: 5 minutos
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros da economia: selic a 2,75%. O aumento já era esperado por parte dos analistas do mercado financeiro e deve movimentar os investimentos em renda fixa.

Este foi o primeiro aumento da taxa Selic desde 2015, e a decisão foi unânime. Entretanto, o Copom informou em comunicado que deve manter a trajetória de alta da Selic na próxima reunião com um novo aumento de 0,75 ponto percentual.

Analistas do mercado preveem que a taxa termine 2021 em 4,5% ao ano e 2022 em 5,5% ao ano. Ou seja, investimentos de renda fixa voltam a ser atrativos.

É o que afirma o diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, à medida que a Selic sobe, os investimentos atrelados a juros sobem também.

“Tanto a poupança vai ganhar um pouco mais, já que o rendimento da modalidade corresponde a 70% da Selic, quanto os fundos de renda fixa e CDBs que têm a taxa como referência”, explica Miguel José Ribeiro de Oliveira.

Contudo, por enquanto as aplicações mais conservadoras da renda fixa, em sua maioria, continuarão perdendo para a inflação. Os fundos DI não só terão rendimento abaixo da inflação, mas perdem para a poupança em quase todos os cenários, segundo simulação feita pela Anefac.

Ainda segundo cálculos da associação, a poupança, que rende 70% da Selic + TR (atualmente zerada), passa a ter rendimento de 1,93% ao ano, e de 0,16% ao mês.

Apenas fundos com taxa de administração inferior a 0,5% superam a poupança — e mesmo assim, em aplicações de prazo superior a dois anos.

Especialista explica que o mais importante é a curva de juros

O Banco Central elevou pela primeira vez desde agosto de 2015 a taxa básica de juros da economia, a Selic a 2,75% ao ano. Com isso, é claro que as operações pós-fixadas, aquelas que são atreladas ao CDI, passam a ter uma valorização maior.

Contudo, segundo o economista e sócio-diretor da Galapagos WM, Arnaldo Curvello, o mais importante quando a gente pensa em renda fixa não é olhar a taxa Selic propriamente dita e sim prestar atenção no comportamento da curva de juros.

Curvello afirma que quando se olha a curva de juros no Brasil ela tem não só essa alta, mas está embutindo diversas altas na taxa Selic. Só como comparação, é possível fazer uma aplicação de um título no mercado futuro, um título de dois anos pré-fixado, hoje, por volta de 6,5% ao ano.

“Então mesmo com a alta de 0,75 na Selic, você consegue aplicar dois anos acima de 6%, a 6,5% ao ano, que embute todos os possíveis movimentos, ou a expectativa de altas que o mercado coloca na taxa Selic mais um prêmio de risco. Portanto, quando a gente fala de renda fixa, mais importante do que olhar a Selic, a não ser quer você tenha títulos pós, é olhar o comportamento da taxa de juros futura”, explica Arnaldo Curvello.

Como fica a rentabilidade de investimentos com a Selic a 2,75%?

Ao considerar a Selic a 2,75%, como fica um investimento de R$1 mil na poupança e Tesouro Selic? A resposta é que a poupança tem melhor rendimento.

Durante seis meses e uma aplicação com esse valor, a poupança teve o valor de R$1.009,58. Já o Tesouro Selic apresentou o valor de R$1.008,30.

Em um cenário de investimento, durante 12 meses a poupança teve o valor de R$1.019,25. O Tesouro Selic, por sua vez, apresentou rendimento de R$1.017,20.

No longo prazo, a poupança também apresentou melhor rendimento, conforme o levantamento. Em uma aplicação de duração de 30 meses, a poupança teve rendimento de R$1.048,82. Já o Tesouro Selic, apresentou o valor de R$1.046,32.

Contudo, quando o assunto é investimento de curto prazo, ou seja, por até seis meses, a poupança segue mais rentável do que um CDB de grande banco (que paga 90% do CDI) ou fundo DI (com taxa de administração de 0,5%).

A advogada Daniele Akamine, da Akamines, especialista em Economia da Construção Civil, acredita que, a longo prazo, caso as previsões de a Selic fechar o ano em 4,5% se confirmem, o mercado imobiliário pode começar a sentir os efeitos.

Selic em alta: quais ações se beneficiam?

Neste cenário de Selic a 2,75%, há alguns setores ganhadores na Bolsa. A XP Investimentos diz que os Bancos são diretamente beneficiados devido à diferença entre o custo de captação e os juros cobrados dos clientes, atrelado ao spread bancário.

Segundo agência, com uma alta na taxa básica de juros, bancos tendem a aplicar uma taxa maior em empréstimos, porém o reajuste nos custos de captação é mais lento. Em outras palavras, a diferença entre o que os bancos recebem e pagam fica maior.

A XP ressalta que com a alta na Selic, o dólar tende a cair – o que beneficia empresas importadoras. Esse movimento acontece pela diferença dos juros entre o Brasil e outros países.

selic a 2,75%
A Selic deve encerrar 2021 a 2,88% na mediana das projeções e 2022 a 4,0%

Por outro lado, empresas que podem ser impactadas negativamente por juros mais baixos são principalmente as que têm maior endividamento.

Setores que operam com capital intensivo e que precisam financiar seus projetos, tendem a ver a sua dívida aumentar ainda mais com a alta da Selic. Além disso, a subida na taxa de juros tende a desestimular o consumo.

Portanto, empresas de setores como varejo, elétrica e locação de veículos tendem a ser as mais afetadas pela subida de juros.

Mercado passa a ver Selic mais alta

O mercado passou a ver a taxa básica de juros mais alta tanto neste ano quanto em 2022, de acordo com a pesquisa Focus do Banco Central.

O levantamento semanal mostrou que a Selic passou a ser estimada agora em 3,25% em 2021 e em 4,75% em 2022, respectivamente de 3% e 4,50% na semana anterior.

Entretanto, para o Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, a Selic deve encerrar 2021 a 2,88% na mediana das projeções e 2022 a 4%, contra 3% e 4% respectivamente antes.

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Rafael Massadar
Carioca, amante de esportes e de viagens. Escolhi o jornalismo porque ele vive pelo mundo e conta histórias de pessoas e realidades distintas. Tenho experiência em redação e assessoria de imprensa. Atualmente, trabalho numa agência de marketing digital.

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