Como o coronavírus pode afetar a economia?

Escrito por: Rafael Massadar em 29 de janeiro de 2020

O avanço do coronavírus aumenta as incertezas na economia mundial. O novo vírus descoberto na China, já matou pessoas e registra casos em mais de 13 países da Ásia, Oceania, Europa e América.

Como consequência, as principais bolsas do mundo despencaram, com os temores dos impactos do surto para a economia global. A doença também já começa a travar viagens internacionais, negociações e expectativas de crescimento.

coronavírus
Brasil é afetado por risco de desaceleração da economia chinesa

Isso porque a Organização Mundial da Saúde (OMS) admitiu que errou em sua avaliação sobre a ameaça do coronavírus. A agência passou a considerar como “elevado” o risco internacional de contaminação pela doença.

Para se ter uma ideia, um caso similar do passado, o da Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars) entre 2002 e 2003, resultou em danos na economia mundial.

O vírus, que também começou na China, segundo estimativas, custou à época para a economia mundial US$ 40 bilhões. Além disso, retirou entre 0,1 e 0,5 ponto porcentual do PIB mundial.

Portanto, o receio agora é que como a economia mundial já está frágil, o coronavírus seja mais um elemento de risco.

Qual o impacto do coronavírus na China?

O Fundo Monetário Internacional (FMI) já tinha reduzido a previsão de crescimento da economia da China em 2019 e em 2020. A instituição mencionou os obstáculos impostos pela guerra comercial e pelo enfraquecimento da demanda mundial.

Segundo o FMI, a economia da China deve desacelerar para 5,8% em 2020 – de 6% na estimativa passada. E a tendência é piorar ainda mais com o surto do coronavírus.

Afinal, a cidade de Wuhan, onde apareceu o vírus, é um centro de manufatura, transporte e negócios. O município da região central do país asiático possui mais de 500 fábricas e outras instalações.

Além disso, é uma importante plataforma aeroportuária, com conexões diretas à Europa, Oriente Médio e Estados Unidos. De lá partem voos diretos para diversos países, o que pode ter contribuído para a propagação do vírus.

Também saem 60% dos trilhos de alta velocidade chineses. Confinada, Wuhan, está com atividades paralisadas. Importante centro automotivo, é berço da Dongfeng, segunda maior montadora do país e parceira das japonesas Nissan e Honda.

Para além da paralisação das indústrias da região, companhias de outras partes do país estenderam o recesso do Ano-Novo chinês, provocando uma forte queda no preço de matérias-primas.

Consequências para economia global

O comportamento da economia chinesa é observado de perto porque a desaceleração de seu crescimento pode ter consequências de longo alcance para a economia global. Inclusive para o Brasil.

O país se tornou um motor do crescimento mundial nas últimas décadas. A demanda por produtos que vão de commodities a máquinas deu suporte para crescimento em todo o mundo.

Alguns analistas temem que uma desaceleração acentuada na China possa prejudicar uma economia mundial já lenta e aumentar o risco de recessão.

E o Brasil, como fica?

O coronavírus já apresenta consequências no Brasil. Afinal, o mercado não gosta de incerteza e ações de empresas brasileiras estão caindo com aversão a risco.

Uma vez que o Brasil vende aos chineses soja, carne, minério de ferro, as chamadas ‘commodities‘. No entanto, o preço do minério de ferro e do petróleo está em queda no mercado internacional.

Consequentemente, a Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, fechou recentemente com uma desvalorização de 3,29%. Ou seja, maior queda desde março de 2019. O dólar comercial também apresenta alta na venda.

E para piorar, em momentos de incerteza, é comum que investidores procurem opções consideradas menos arriscadas, como os títulos dos EUA e o dólar. O que não é o caso do Brasil.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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