Banco Central reduz juros do cheque especial. Entenda o processo!

Escrito por: Rafael Massadar em 5 de março de 2020

Os juros do cheque especial caíram. A boa notícia para o consumidor veio após o Banco Central estabelecer limite para a cobrança por parte dos bancos.

Dados do BC mostram que a taxa de juros média caiu de 247,6% ao ano em dezembro de 2019 para 165,6% ao ano em janeiro de 2020. No entanto, ficou acima do limite estabelecido pela instituição.

cheque especial
Banco Central limitou taxa de juros para 8% ao mês

Vale ressaltar que a regra do BC, que entrou em vigor no início de janeiro, obrigou as instituições financeiras a estabelecer o limite máximo de 8% ao mês para o cheque especial.

Com a nova taxa, uma dívida, por exemplo, de R$ 1.000 passa a custar R$ 2.656 ao final de um ano. Em dezembro, a mesma dívida custaria R$ 3.476.

Cheque especial: a nova metodologia

O BC revisou a metodologia de cálculo dos juros do cheque especial. Agora, os bancos devem informar ao BC quanto efetivamente foi cobrado de juros.

Contudo, eles devem considerar que os clientes têm o benefício de um período de isenção ou redução de juros, geralmente por 10 dias no mês.

Para que isso ocorra, a primeira taxa média informada pelos bancos será estimada e no mês seguinte será substituída pela taxa efetiva.

Com a revisão da série histórica de acordo com essa metodologia, a taxa média de juros das concessões do cheque especial a pessoas físicas teve um recuo imediato.

Em dezembro de 2019, passou de 302,5% ao ano (estatística divulgada em janeiro) para 247,6% ao ano (estatística revisada).

Nas concessões a pessoas jurídicas a taxa caiu 331,5% ao ano (estatística divulgada em janeiro) para 310,9% ao no (estatística revisada).

Outros índices também caíram

Consignado

O crédito consignado é considerado uma modalidade mais barata para os brasileiros que precisam de empréstimos. 

Em janeiro, a taxa de juros da modalidade ficou em 21,3% ao ano. Neste caso, uma dívida de R$ 1.000 se transformaria em R$ 1.213 ao final de um ano. 

De acordo com o BC, a taxa média de juros para pessoa física caiu 0,4 ponto percentual em outubro, chegando a 45,6% ao ano. A taxa média das empresas ficou em 17,6% ao ano, aumento de 1,3 ponto percentual.

Parcelamento

Vale lembrar que em abril de 2017, começou a valer a regra que obriga os bancos a transferirem, após um mês, a dívida do rotativo do cartão de crédito para o parcelado.

A intenção do governo com a nova regra era permitir que a taxa de juros para o rotativo do cartão de crédito recuasse. Afinal, o risco de inadimplência, em tese, cai com a migração para o parcelado.

Inadimplência

A inadimplência do crédito, considerando atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas caiu 0,1 ponto percentual chegando a 4,9%.

Entre pessoas jurídicas a inadimplência chegou a 2,3% em janeiro, com aumento de 0,2 ponto percentual.

Esses dados são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas aos clientes.

Cuidado!

Pode parecer que a nova regra do cheque especial facilitou a vida do brasileiro. Contudo, ainda é necessário ficar muito atento aos seus detalhes.

Afinal, ele é uma das formas de crédito com maiores taxas de juros e, por isso, um pequeno descuido pode significar uma grande dívida. Portanto, use apenas em último caso.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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