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Turma da Mônica ganha vida em projeto de educação financeira

Escrito por: Paula Vieira em 17 de outubro de 2019

O investimento em educação financeira está crescendo no Brasil. Por meio desse método, é possível auxiliar o consumidor a administrar suas finanças de forma saudável.

Além de ajudá-lo a entender as complexidades do mercado financeiro e do dinheiro público.

Para gastar sem se endividar é essencial começar a entender as complexidades do mercado financeiro desde a infância.

Pensando nisso, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) lançou o projeto Em Busca do Tesouro.

Ele reúne diversos materiais com os personagens da Turma da Mônica, criados em parceria com o Instituto Maurício de Sousa.

Educação Financeira
STN lança projeto ‘Em busca do Tesouro’, com personagens da Turma da Mônica

O programa, que está em sua fase inicial, foi implantado em 150 escolas públicas do Distrito Federal.

A meta é atender a 30 mil crianças com idades entre 9 e 11 anos, que cursam os 4º e 5º do ensino fundamental.

O projeto visa ensinar temas como a importância de poupar; de onde vem o dinheiro gasto pelo governo. Além de como podemos fiscalizar o uso dessa verba e fazer aplicações financeiras, entre outros.

Esses alunos realizarão uma avaliação cognitiva para comprovar a eficácia do conteúdo aplicado durante o período de teste.

Por outro lado, a intenção das autoridades envolvidas é expandir o projeto Em Busca do Tesouro para todas as escolas brasileiras, a partir do segundo semestre de 2020.

As escolas públicas participantes do programa foram selecionadas pela Secretaria de Educação do DF com base no Termo de Cooperação Técnica.

Elas receberão, por exemplo, o material com revistinhas e um minicurso para os professores gratuitamente. As escolas particulares também poderão solicitar o conteúdo.

Porém, precisarão entrar em acordo sobre os custos para a distribuição da versão impressa aos seus alunos.

Material pode ser encontrado na internet

Pelo site do Em Busca do Tesouro é possível encontrar as revistinhas, assim como fórum para dúvidas e o minicurso para docentes.

Isso fez com que os personagens da Turma da Mônica invadissem as casas de vários brasileirinhos que não moram na capital do país.

Um desses casos aconteceu no Rio de Janeiro. Aluna do Colégio Pallas, Sofia Nigri, de nove anos, conheceu o projeto enquanto navegava na internet e se divertiu enquanto aprendia com o gibi.

Ela ainda aproveitou, por exemplo, para responder o quiz. E garantiu que vai repassar o que aprendeu para os colegas.

“Achei a história do “Onde está o tesouro?” muito legal e gostei do formato em gibi, fica mais fácil para entender. Ganho uma mesada e costumava gastar tudo de uma vez. Agora, eu vi que preciso economizar e pesquisar na hora de comprar roupas para não gastar e ter sempre dinheiro guardado”, contou Sofia após a leitura.

A menina acrescentou a importância de aplicar esse projeto nas escolas.

“Seria legal se tivesse um projeto como esse na minha escola. Nunca planejei como gastar meu dinheiro, mas agora vou começar a fazer isso”, revelou.

Inclusão financeira é necessária, diz professor

Professor universitário, com três décadas de experiência, e especialista em mercado financeiro, Hudson Bessa avaliou ser de grande importância a inclusão da educação financeira nas escolas.

Ele afirmou que investir em formatos animados como os quadrinhos é essencial para despertar a atenção da criança para o conteúdo.

“Experiências com educação financeira na fase de ensino fundamental são essenciais, porque a educação está atrelada ao comportamento. Para crianças, é interessante colocar exercícios e aplicações que não sejam maçantes e explique duas etapas principais: poupar e investir”, explicou.

Para o professor, desde pequenas, as crianças devem entender que os recursos são finitos.

Diante disso, é necessário ter uma vida financeira equilibrada para conseguir guardar dinheiro para emergência. Ou até mesmo economizar para fazer uma viagem e adquirir um bem.

Além das escolas, pais têm papel fundamental

O especialista em mercado financeiro, Hudson Bessa, defendeu a readaptação do formato de ensino em escolas particulares e públicas.

Para ele, uma criança de baixa renda deve compreender o esforço da família em economizar dinheiro. Ela pode levar conhecimento para casa.

“Para crianças de classe média, a realidade é outra. Cabe ao professor também facilitar o desenvolvimento do tema com suas turmas”, declarou o professor.

Autor de diversos artigos sobre educação financeira, Bessa frisou a importância do papel dos pais no desenvolvimento da compreensão de questões financeiras.

Para que criança, portanto, entenda a “lei do sacrifício e recompensa”.

“Conversar, trazer essa preocupação da vida financeira de forma leve para os assuntos do dia a dia e incentivar a leitura é tarefa fundamental dos pais para que a criança entenda os incentivos de sacrifício e recompensa”.

Por fim, o professor pediu que os pais expliquem aos filhos o esforço para as compras.

Assim como quanto tempo de trabalho foi dedicado para adquirir o produto.

“Dessa forma, elas vão entender desde cedo que há uma medida entre o quanto a gente quer e o quanto a gente precisa. Nada de comprar tudo o que a criança pede. O certo é fazê-lo valorizar o dinheiro que ele ganha e o que ele gasta ao comprar produtos”, concluiu.

Paula Vieira

Jornalista formada pela UNESA, com passagens pelo Jornal Lance! e INFO4. Atualmente, exerço as funções de analista de conteúdo na Afilio e repórter no FinanceOne.

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