InícioColunistasEstamos vivendo uma bolha em cripto? Como encarar as quedas?

Estamos vivendo uma bolha em cripto? Como encarar as quedas?

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Não é novidade para ninguém que começar a investir em criptomoedas é igual entrar numa montanha-russa descontrolada e ver o seu capital lhe acompanhar nessa jornada, turbinando mais ainda a adrenalina e as emoções desta aventura.

A volatilidade é sinônimo deste mercado, que conforme minha coluna da semana passada, está entrando em sua adolescência. A volatilidade não é só característica das criptomoedas, mas também do início da vida de qualquer ativo com grande potencial de crescimento ou especulativo por natureza.

Bitcoin é bolha?

Já respondo esta pergunta de bate-pronto: NÃO.

Como prova disso, basta lembrar da bolha “ponto com” no início dos anos 2000, onde diversas empresas de tecnologia apareceram prometendo serem as grandes vencedoras da era da internet, muitas com o balanço financeiro maquiado para mostrar números atrativos.

Dizem as más línguas que bastava colocar “.com” no nome da empresa, que investidores corriam para comprar ações destas empresas.

Durante esta bolha, empresas sérias como a Amazon e a Microsoft também estavam no bolo de empresas que prometiam serem as vencedoras da internet.

Hoje, olhando para trás, podemos ver que algumas empresas se provaram no tempo, sendo estes dois exemplos de empresas que sobreviveram à bolha e de fato estavam realizando um trabalho de longo prazo.

Nas criptomoedas podemos ver uma grande semelhança, onde diversas criptomoedas surgem todos os dias prometendo ser a moeda “Bitcoin killer”, mas somente o Bitcoin e outras moedas que de fato vieram para mudar o mundo em que vivemos e deve se provar no tempo, assim como vem sendo na última década.

Mas se não é bolha, o que são essas quedas?

A minha visão sobre as quedas do Bitcoin é muito simples, o mercado está vendendo um ativo de excelente valor e benefício futuro a um preço descontado no presente. Eu não conheço nenhum ser humano que não goste de comprar coisas com desconto, porém no mercado financeiro e nas criptomoedas é mais difícil enxergar desta forma.

Vamos supor que o seu sonho de consumo seja uma viagem para uma ilha paradisíaca no caribe que custa R$10.000,00. Em certo momento você vê que estão vendendo esta viagem a R$5.000,00, sem que tenha acontecido qualquer mudança neste paraíso, somente a baixa procura por parte dos consumidores, você deixaria de comprar a viagem?

Com o Bitcoin é a mesma coisa, se o investidor acredita fielmente na criptomoeda, no seu valor, na sua ideologia e utilidade, os momentos de baixa deveriam ser momentos de comprar com desconto e não de desfazer posições.

Três criptomoedas Bitcoin
Investimentos em criptomoedas, como o Bitcoin, apresentam altos e baixos no longo prazo

Não é recomendação de compra é claro, pois sempre pode cair mais, mas eu já realizei duas compras neste mais recente “saldão”.

Quais foram as três maiores quedas do Bitcoin?

Uma das razões mais lógicas para não se preocupar com as quedas de 20%, 30% e até 40% do Bitcoin é que a criptomoeda já teve muitas quedas ainda maiores que estas. Quedas entre 20% e 40% são rotineiras no mercado de criptomoedas. Nestes 13 anos de vida, tivemos três quedas maiores que 80% no preço do Bitcoin.

Junho de 2011 (-99%), já pensou uma queda desta em qualquer ativo? Em 2011, o Bitcoin subiu de $2,00 para $32,00 dólares americanos, porém poucos dias depois a criptomoeda estava valendo questão de centavos de dólar. Já pensou quem comprou a $32,00 sem se assustar com a queda e segurou até os dias de hoje?

Abril de 2013 (-83%), mais uma queda assustadora, quando o valor saiu de $260,00 para $50,00. Isto aconteceu num evento de pump and dump, que é quando algum expert divulga que está comprando para fazer o preço subir e assim que o preço dispara, este expert começa a vender e este volume de venda assusta os investidores que em um movimento de manada, seguem o fluxo e vendem seus ativos a qualquer preço por medo de perderem todo o seu capital.

Olhando para trás, também uma excelente oportunidade de compra para o longo prazo.

Dezembro de 2017 a dezembro de 2018 (84%), uma queda que demorou um pouco mais, mas também bastante forte foi a do ano de 2018.

No final de 2017 era impossível se sentar numa mesa de bar e não escutar alguém falando sobre o Bitcoin, afinal a moeda saiu de $900,00 para quase $20.000,00 dólares americanos e a mídia passou a divulgar muitas histórias dos milionários de Bitcoin, o que mexe muito com o imaginário das pessoas.

Ao final do ano de 2018 o Bitcoin estava cotado a aproximadamente $3.000,00 dólares, mais uma vez, olhando para trás, um BELO desconto.

O que a história nos ensina?

As grandes quedas em criptomoedas e no Bitcoin são rotineiras, o investidor precisa ter certeza de que está com estômago para essa aventura.

O Bitcoin é um ativo dentro do universo das criptomoedas que vem se provando com o tempo, apesar das grandes quedas, normalmente foi um bom negócio comprar nas baixas, podemos ter uma bolha especulativa em outros ativos?

Sim, por isso muito cuidado com promessas de ganhos de dinheiro rápido ou ativos que vão matar o Bitcoin, pois até aqui, a cada vez que tivemos este tipo de notícia, o Bitcoin provou o contrário.

Conheça Renato Carvalho, colunista do FinanceOne

Com vasto conhecimento sobre o mercado de moedas digitais, Renato Carvalho é o novo colunista do FinanceOne. Semanalmente, ele traz informações importantes sobre criptomoedas. Fique de olho!

Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”.

Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

É Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Université Libre de Bruxelles (Bélgica) e mestre em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Confira outros artigos de Renato Carvalho, colunista do FinanceOne:

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Renato Carvalho
Renato Carvalho
Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”. Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

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A volatilidade é sinônimo deste mercado, que conforme minha coluna da semana passada, está entrando em sua adolescência. A volatilidade não é só característica das criptomoedas, mas também do início da vida de qualquer ativo com grande potencial de crescimento ou especulativo por natureza.

Bitcoin é bolha?

Já respondo esta pergunta de bate-pronto: NÃO.

Como prova disso, basta lembrar da bolha “ponto com” no início dos anos 2000, onde diversas empresas de tecnologia apareceram prometendo serem as grandes vencedoras da era da internet, muitas com o balanço financeiro maquiado para mostrar números atrativos.

Dizem as más línguas que bastava colocar “.com” no nome da empresa, que investidores corriam para comprar ações destas empresas.

Durante esta bolha, empresas sérias como a Amazon e a Microsoft também estavam no bolo de empresas que prometiam serem as vencedoras da internet.

Hoje, olhando para trás, podemos ver que algumas empresas se provaram no tempo, sendo estes dois exemplos de empresas que sobreviveram à bolha e de fato estavam realizando um trabalho de longo prazo.

Nas criptomoedas podemos ver uma grande semelhança, onde diversas criptomoedas surgem todos os dias prometendo ser a moeda “Bitcoin killer”, mas somente o Bitcoin e outras moedas que de fato vieram para mudar o mundo em que vivemos e deve se provar no tempo, assim como vem sendo na última década.

Mas se não é bolha, o que são essas quedas?

A minha visão sobre as quedas do Bitcoin é muito simples, o mercado está vendendo um ativo de excelente valor e benefício futuro a um preço descontado no presente. Eu não conheço nenhum ser humano que não goste de comprar coisas com desconto, porém no mercado financeiro e nas criptomoedas é mais difícil enxergar desta forma.

Vamos supor que o seu sonho de consumo seja uma viagem para uma ilha paradisíaca no caribe que custa R$10.000,00. Em certo momento você vê que estão vendendo esta viagem a R$5.000,00, sem que tenha acontecido qualquer mudança neste paraíso, somente a baixa procura por parte dos consumidores, você deixaria de comprar a viagem?

Com o Bitcoin é a mesma coisa, se o investidor acredita fielmente na criptomoeda, no seu valor, na sua ideologia e utilidade, os momentos de baixa deveriam ser momentos de comprar com desconto e não de desfazer posições.

Três criptomoedas Bitcoin
Investimentos em criptomoedas, como o Bitcoin, apresentam altos e baixos no longo prazo

Não é recomendação de compra é claro, pois sempre pode cair mais, mas eu já realizei duas compras neste mais recente “saldão”.

Quais foram as três maiores quedas do Bitcoin?

Uma das razões mais lógicas para não se preocupar com as quedas de 20%, 30% e até 40% do Bitcoin é que a criptomoeda já teve muitas quedas ainda maiores que estas. Quedas entre 20% e 40% são rotineiras no mercado de criptomoedas. Nestes 13 anos de vida, tivemos três quedas maiores que 80% no preço do Bitcoin.

Junho de 2011 (-99%), já pensou uma queda desta em qualquer ativo? Em 2011, o Bitcoin subiu de $2,00 para $32,00 dólares americanos, porém poucos dias depois a criptomoeda estava valendo questão de centavos de dólar. Já pensou quem comprou a $32,00 sem se assustar com a queda e segurou até os dias de hoje?

Abril de 2013 (-83%), mais uma queda assustadora, quando o valor saiu de $260,00 para $50,00. Isto aconteceu num evento de pump and dump, que é quando algum expert divulga que está comprando para fazer o preço subir e assim que o preço dispara, este expert começa a vender e este volume de venda assusta os investidores que em um movimento de manada, seguem o fluxo e vendem seus ativos a qualquer preço por medo de perderem todo o seu capital.

Olhando para trás, também uma excelente oportunidade de compra para o longo prazo.

Dezembro de 2017 a dezembro de 2018 (84%), uma queda que demorou um pouco mais, mas também bastante forte foi a do ano de 2018.

No final de 2017 era impossível se sentar numa mesa de bar e não escutar alguém falando sobre o Bitcoin, afinal a moeda saiu de $900,00 para quase $20.000,00 dólares americanos e a mídia passou a divulgar muitas histórias dos milionários de Bitcoin, o que mexe muito com o imaginário das pessoas.

Ao final do ano de 2018 o Bitcoin estava cotado a aproximadamente $3.000,00 dólares, mais uma vez, olhando para trás, um BELO desconto.

O que a história nos ensina?

As grandes quedas em criptomoedas e no Bitcoin são rotineiras, o investidor precisa ter certeza de que está com estômago para essa aventura.

O Bitcoin é um ativo dentro do universo das criptomoedas que vem se provando com o tempo, apesar das grandes quedas, normalmente foi um bom negócio comprar nas baixas, podemos ter uma bolha especulativa em outros ativos?

Sim, por isso muito cuidado com promessas de ganhos de dinheiro rápido ou ativos que vão matar o Bitcoin, pois até aqui, a cada vez que tivemos este tipo de notícia, o Bitcoin provou o contrário.

Conheça Renato Carvalho, colunista do FinanceOne

Com vasto conhecimento sobre o mercado de moedas digitais, Renato Carvalho é o novo colunista do FinanceOne. Semanalmente, ele traz informações importantes sobre criptomoedas. Fique de olho!

Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”.

Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

É Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Université Libre de Bruxelles (Bélgica) e mestre em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

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