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    InícioColunistasOs cryptogames são o futuro ou só mais um esquema de pirâmide...

    Os cryptogames são o futuro ou só mais um esquema de pirâmide financeira?

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    No ano passado o universo cripto teve uma enorme entrada de investidores. Em novembro de 2021, o mercado de criptomoedas atingiu um total de 3 trilhões de dólares no pico, valor maior que a empresa mais valiosa do mundo, a Apple que possui um valor de mercado de 2,5 trilhões de dólares.

    Após seis meses do topo, hoje o mercado está avaliado em aproximadamente 1,7 trilhões de dólares. À primeira vista muitos perderam dinheiro neste período, mas normalmente onde tem alguém perdendo, tem alguém ganhando e este é o caso em 99% dos cryptogames.

    Como surgiram os cryptogames?

    Os cryptogames surgiram como forma de entretenimento remunerado, um modelo de negócio novo no universo dos games. Normalmente para começar a jogar um cryptogame o jogador precisa comprar um avatar ou um boneco através da criptomoeda criada para o jogo.

    Este primeiro passo já indica um pequeno problema, pois se o entretenimento é para ser remunerado, por que o jogador precisa investir na moeda criada pelo jogo?

    Com esta obrigatoriedade do jogador em comprar a moeda do jogo, o valor da moeda infla com os primeiros entrantes.

    Após a compra do avatar, na maioria dos cryptogames, o jogador não precisa fazer mais nada, somente deixar seu computador rodando o jogo e seu avatar criando novos avatares ou moedas. Parece um jogo bastante entediante, não é mesmo?

    O que tem de errado nos cryptogames?

    Aí está o grande problema dos cryptogames, eles não têm foco algum na jogabilidade e sim no processo aumento de valor das criptomoedas.

    No longo prazo este crescimento não se sustenta sozinho, o jogador deixa de se interessar pelo jogo por sua jogabilidade ou pelo quanto está entretido com o jogo e acaba saindo.

    Porém existe um segundo fator de debandada de usuários, a queda repentina no valor da criptomeda do jogo, e pasmem, normalmente de quem deveria segurar as moedas para sempre, os criadores dos jogos.

    O exemplo da BombCrypto

    As moedas de jogos muitas vezes têm valorizações muito altas num espaço de tempo muito curto, um exemplo é a criptomoeda do jogo BombCrypto, a BCOIN.

    A BCOIN saiu do valor de 1 dólar em outubro de 2021 para 8 dólares em novembro do mesmo ano, um aumento que pouquíssimos investimentos na história tiveram em um mês.

    Se um investimento de risco aumenta de 1 para 8, o mais racional a se fazer é realizar os lucros, claro, porém o investidor fica ganancioso nas altas e passa a acreditar que o ativo vai subir para sempre.

    menino na frente de um computador jogando online
    Cryptogames ganham notoriedade no Brasil e no mundo

    Resultado, hoje a BCOIN vale menos de 10 centavos de dólar, e ninguém mais ouve falar do jogo que era moda no ano passado. Porém, há uma certeza sobre o BCOIN, os primeiros entrantes colocaram lucro no bolso, assim como nas pirâmides financeiras.

    Todo cryptogame é esquema de pirâmide?

    Não devemos demonizar todos os cryptogames, o envolvimento do mundo critpo com o mercado de games pode ser o futuro, e eu também acredito nesta tese. Mas, hoje 99% dos jogos do universo de cryptogames não passam de esquemas de pirâmide financeira.

    O investidor de cripto ou do mercado tradicional, precisa entender que não existe dinheiro fácil. Pense bem, se existisse dinheiro fácil, você acha mesmo que outras pessoas lhe convidariam para participar ao invés de realizar todos os lucros para elas mesmas?

    Como funcionam as pirâmides financeiras?

    Para ficar claro como funcionam os esquemas de pirâmide financeira, vamos ao exemplo:

    Uma primeira pessoa (vamos chamar de João) realiza um depósito de R$ 10 numa conta, e convida mais duas pessoas (José e Maria) para realizarem um depósito de R$ 10 cada nesta mesma conta.

    Ao convidar José e Maria, João garante que caso eles depositem R$ 10 cada e convidem mais duas pessoas para o esquema, João e Maria dobrarão seus retornos sobre o investimento de R$ 10, já que as duas próximas pessoas que entrarão também vão fazer o depósito de R$ 10.

    José e Maria convidam mais duas pessoas cada, que convidam mais duas pessoas cada e assim segue a pirâmide. Parece perfeito, não é?

    O problema aparece quando existe a dificuldade de convidar e convencer novos entrantes a entrar no esquema, e assim as últimas pessoas a entrarem, nunca mais verão a cor do seu dinheiro, pois os primeiros entrantes, ou seja, o topo da pirâmide já recebeu seu retorno e caiu fora! Como no exemplo do BCOIN.

    Conheça Renato Carvalho, colunista do FinanceOne

    Com vasto conhecimento sobre o mercado de moedas digitais, Renato Carvalho é colunista do FinanceOne. Semanalmente, ele traz informações importantes sobre criptomoedas. Fique de olho!

    Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”.

    Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

    É Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Université Libre de Bruxelles (Bélgica) e mestre em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

    Confira outros textos de Renato Carvalho, colunista do FinanceOne:

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    Renato Carvalho
    Renato Carvalho
    Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”. Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

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    Após seis meses do topo, hoje o mercado está avaliado em aproximadamente 1,7 trilhões de dólares. À primeira vista muitos perderam dinheiro neste período, mas normalmente onde tem alguém perdendo, tem alguém ganhando e este é o caso em 99% dos cryptogames.

    Como surgiram os cryptogames?

    Os cryptogames surgiram como forma de entretenimento remunerado, um modelo de negócio novo no universo dos games. Normalmente para começar a jogar um cryptogame o jogador precisa comprar um avatar ou um boneco através da criptomoeda criada para o jogo.

    Este primeiro passo já indica um pequeno problema, pois se o entretenimento é para ser remunerado, por que o jogador precisa investir na moeda criada pelo jogo?

    Com esta obrigatoriedade do jogador em comprar a moeda do jogo, o valor da moeda infla com os primeiros entrantes.

    Após a compra do avatar, na maioria dos cryptogames, o jogador não precisa fazer mais nada, somente deixar seu computador rodando o jogo e seu avatar criando novos avatares ou moedas. Parece um jogo bastante entediante, não é mesmo?

    O que tem de errado nos cryptogames?

    Aí está o grande problema dos cryptogames, eles não têm foco algum na jogabilidade e sim no processo aumento de valor das criptomoedas.

    No longo prazo este crescimento não se sustenta sozinho, o jogador deixa de se interessar pelo jogo por sua jogabilidade ou pelo quanto está entretido com o jogo e acaba saindo.

    Porém existe um segundo fator de debandada de usuários, a queda repentina no valor da criptomeda do jogo, e pasmem, normalmente de quem deveria segurar as moedas para sempre, os criadores dos jogos.

    O exemplo da BombCrypto

    As moedas de jogos muitas vezes têm valorizações muito altas num espaço de tempo muito curto, um exemplo é a criptomoeda do jogo BombCrypto, a BCOIN.

    A BCOIN saiu do valor de 1 dólar em outubro de 2021 para 8 dólares em novembro do mesmo ano, um aumento que pouquíssimos investimentos na história tiveram em um mês.

    Se um investimento de risco aumenta de 1 para 8, o mais racional a se fazer é realizar os lucros, claro, porém o investidor fica ganancioso nas altas e passa a acreditar que o ativo vai subir para sempre.

    menino na frente de um computador jogando online
    Cryptogames ganham notoriedade no Brasil e no mundo

    Resultado, hoje a BCOIN vale menos de 10 centavos de dólar, e ninguém mais ouve falar do jogo que era moda no ano passado. Porém, há uma certeza sobre o BCOIN, os primeiros entrantes colocaram lucro no bolso, assim como nas pirâmides financeiras.

    Todo cryptogame é esquema de pirâmide?

    Não devemos demonizar todos os cryptogames, o envolvimento do mundo critpo com o mercado de games pode ser o futuro, e eu também acredito nesta tese. Mas, hoje 99% dos jogos do universo de cryptogames não passam de esquemas de pirâmide financeira.

    O investidor de cripto ou do mercado tradicional, precisa entender que não existe dinheiro fácil. Pense bem, se existisse dinheiro fácil, você acha mesmo que outras pessoas lhe convidariam para participar ao invés de realizar todos os lucros para elas mesmas?

    Como funcionam as pirâmides financeiras?

    Para ficar claro como funcionam os esquemas de pirâmide financeira, vamos ao exemplo:

    Uma primeira pessoa (vamos chamar de João) realiza um depósito de R$ 10 numa conta, e convida mais duas pessoas (José e Maria) para realizarem um depósito de R$ 10 cada nesta mesma conta.

    Ao convidar José e Maria, João garante que caso eles depositem R$ 10 cada e convidem mais duas pessoas para o esquema, João e Maria dobrarão seus retornos sobre o investimento de R$ 10, já que as duas próximas pessoas que entrarão também vão fazer o depósito de R$ 10.

    José e Maria convidam mais duas pessoas cada, que convidam mais duas pessoas cada e assim segue a pirâmide. Parece perfeito, não é?

    O problema aparece quando existe a dificuldade de convidar e convencer novos entrantes a entrar no esquema, e assim as últimas pessoas a entrarem, nunca mais verão a cor do seu dinheiro, pois os primeiros entrantes, ou seja, o topo da pirâmide já recebeu seu retorno e caiu fora! Como no exemplo do BCOIN.

    Conheça Renato Carvalho, colunista do FinanceOne

    Com vasto conhecimento sobre o mercado de moedas digitais, Renato Carvalho é colunista do FinanceOne. Semanalmente, ele traz informações importantes sobre criptomoedas. Fique de olho!

    Renato é administrador com experiência como executivo do setor de educação internacional e empresas de consultoria empresarial e auditoria “BIG 4”.

    Investidor de renda variável desde sua adolescência, produz conteúdo de educação financeira, mostrando o que faz com o seu próprio dinheiro “skin in the game”. Especialista em criptoativos e negócios disruptivos.

    É Bacharel em Administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Université Libre de Bruxelles (Bélgica) e mestre em Administração pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

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