Vale investir em renda fixa com a Selic a 4,25%?

Escrito por: Rafael Massadar em 7 de fevereiro de 2020

O Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 4,50% para 4,25%, o menor patamar da história. Na prática, isso significa que poupança e fundos de renda fixa vão render ainda menos com novo corte.

Afinal, a Selic é a principal referência dos investimentos de renda fixa que acompanham o Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O que é o caso da poupança e dos fundos DI que já estão perdendo da inflação.

Selic
Selic cai para 4,25% ao ano. Esse é o menor patamar da história

Isso porque a taxa CDI é sempre um pouco mais baixa que a taxa básica de juros, a Selic, e elas normalmente têm valores muito próximos.

A DI também é referência porque vários investimentos têm seu rendimento atrelado a ela. Produtos como CDB, LCI e LCA, por exemplo, usam percentuais do DI para determinar seu rendimento.

O que é e qual a importância da taxa DI?

A Taxa CDI é muito importante para quem investe. Como Certificado de Depósitos Bancários (CDBs), fundos DI e outros títulos de renda fixa usam a taxa CDI como referência para os rendimentos.

Essa taxa influencia diretamente nos seus investimentos. Ela funciona como um parâmetro para os investimentos de renda fixa. Por isso, em termos de papel ela tem muita semelhança com a taxa Selic.

A grande diferença é que, enquanto a primeira é calculada por meio do CETIP, a segunda é pelo Sistema Especial de Liquidação e de Custódia e é obtida por meio da média dos juros dos títulos públicos.

Como as duas são formadas a partir dos juros médios das operações, elas tendem a ter seus valores bem próximos.

Investidor terá que se arriscar mais, diz especialista

O coordenador do MBA de gestão financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira, afirma que com o novo cenário, considerando o Imposto de Renda, os investimentos em Renda Fixa provavelmente terão rendimentos abaixo da inflação.

“Em alguns casos, se houver taxa de administração ou percentuais de retorno baseados na Selic e inferiores a ela, o investidor corre o risco de não conseguir corrigir seu capital para manter o poder de compra”, lembra o professor da FGV.

Perfil conservador

Ricardo Teixeira sugere que o investidor mais conservador deve continuar apostando no Tesouro Direto e em Letras de Crédito Imobiliário (LCI). “Esses investimentos, assim como a Caderneta de Poupança, não têm incidência de Imposto de Renda”, explica o professor da FGV.

Mas, no caso específico da Caderneta de Poupança, pelas regras de remuneração em períodos de baixa inflação, o retorno dessa aplicação deverá ficar abaixo da inflação.

Ricardo Teixeira ressalta que há também a possibilidade de investir em CDBs. Os de grandes bancos geralmente remuneram com base em um percentual da taxa Selic, inferir a ela.

Nesse caso, o risco de não corrigir o capital, perdendo parte do poder de compra, é grande.

“Outra opção são os CDBs de bancos menores. Nesse caso, desde que observado o limite do Fundo Garantidor de Crédito. Os bancos menores costumam remunerar aplicações em CDBs com taxas baseadas e superiores à Selic”.

Ricardo Teixeira

Para investimentos de CDBs de longo prazo (quando o aplicador não pode sacar o dinheiro por um tempo determinado) as taxas geralmente são mais atraentes.

Perfil mais arrojado

O especialista sugere a quem tiver um perfil mais arrojado, tentar uma maior rentabilidade aplicando em renda variável, que oferece maior risco, mas também maior possibilidade de retorno.

Pode ser diretamente em ações, em recebíveis, em fundos de ações, de multimercados e investimentos em moedas fortes, como o dólar, em ouro.

“Contudo, é recomendável se informar bem e sempre ter uma carteira diversificada, incluindo investimentos em renda fixa e em renda varável, como fundos multimercados, moedas e até mesmo em ouro”, diz Teixeira.

Por fim, o professor da FGV lembra que há possibilidade de procurar aplicações com prazo de carência mais longos que normalmente tem taxas mais atraentes principalmente em bancos menores.

“Neste caso, deve-se ficar atento para que a aplicação não exceda o limite do Fundo Garantidor de Crédito”.

No entanto, Teixeira aconselha que é sempre bom saber que seu dinheiro fica indisponível por um período e, caso haja necessidade, não haverá como sacar.

“Outra opção é procurar corretoras que oferecerem operações estruturadas através da aplicação em papéis de grandes empresas. Nesses casos, o capital fica garantido e a rentabilidade pode ser mais alta, mas também é limitada por um teto e há prazo determinado para a aplicação (sem possibilidade de saque)”, observa Ricardo Teixeira.

Rafael Massadar

Jornalista com experiência em redação com pós-graduação em Comunicação Empresarial e Transmídia. Atualmente trabalho como assessor de imprensa.

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